Programa de intervenção em gaming para jovens
▲Trata-se de uma patologia aditiva que se caracteriza pela utilização problemática de videojogos
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O Programa de Intervenção em Gaming Problemático, projeto do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) que arrancou esta segunda-feira em Matosinhos, terá capacidade para cerca de 100 jovens num ano e meio a dois anos.
Em declarações aos jornalistas após a cerimónia oficial de inauguração da unidade, que contou com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, bem como com o novo presidente da Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), Nelson Pereira, o responsável pelo programa apontou como meta “chegar a centenas de pessoas da região Norte”, e admitiu que o programa venha a ser alargado a outras zonas do país.“Há a possibilidade de não restringirmos à zona Norte. Aliás, nós [ICAD] fizemos a inauguração da unidade de intervenção no jogo em Lisboa, pelo que há a possibilidade de aproveitar as sinergias e estender a parte do ‘gaming’ quer seja através de métodos físicos, quer seja através de métodos remotos”, referiu Mário Santos.Perito em gaming, o psiquiatra contou que já existe procura, uma procura que, agora que a resposta “passou a estar estruturada, deverá aumentar”.
“Estamos a falar de várias dezenas, provavelmente no campo de centena [de jovens] que nos últimos anos, por causa da questão do ‘gaming’, procuraram as várias unidades do ICAD a nível nacional”, referiu.Entenda-se gaming como uma perturbação que está reconhecida como uma patologia pela Organização Mundial de Saúde desde 2018, uma patologia aditiva que se caracteriza pela utilização problemática de videojogos.Normalmente adolescentes, mas também adultos, começam a jogar mais horas videojogos ou jogos online e desenvolvem uma dependência, consumindo cada vez mais tempo nessa atividade, em detrimento de outras atividades importantes para a sua vida.Mário Santos explicou a patologia com a expressão “perder o controlo”, alertando que são sinais de alerta o abdicar de coisas que são importantes, como o trabalho, relações pessoais e questões escolares.
“E isso começa a criar consequências. E quando isso começa a acontecer, provavelmente existe um problema. Depois, quando a própria pessoa, quando o próprio jovem deixa de sentir prazer naquilo que está a fazer é outro sinal de alerta. Normalmente quando se cria uma questão problemática deixa de haver prazer com aquele objeto que era de entretenimento”, descreveu.No que diz respeito a consequências, Mário Santos alertou, ainda, para um conjunto de comorbilidades que podem acontecer, por exemplo ansiedade, sintomas depressivos, diminuição da qualidade do sono e diminuição da qualidade da alimentação.O Programa de Intervenção em Gaming Problemático, localizado no Centro de Respostas Integradas (CRI) Porto Ocidental do ICAD, será dedicado a jovens e adolescentes com idades acima dos 12 anos, uma característica que distingue o programa português de outros internacionais, destacou a presidente do instituto, Joana Teixeira.“A grande vantagem de incluirmos a faixa etária dos 12 anos tem a ver com os estudos que identificam um perfil de jogador de gaming no terceiro ciclo. E terceiro ciclo começa ali nos 12, 13. Temos assistido muitas vezes a jovens de 10, 11 anos já com esta questão problemática a surgir. Portanto, nós alargando a resposta, permitindo o acesso à consulta para jovens de 12 anos para conseguimos garantir e não limitar o acesso a este tratamento”, referiu Joana Teixeira.
Este programa seguirá um modelo de oito a 10 meses com sessões individuais em regime de ambulatório.Mário Santos destacou a aposta em fornecer às famílias ferramentas para acompanhar a mudança de comportamento, falou em terapia familiar estruturada, bem como da importância da investigação e de promover o conhecimento e a literacia nesta área.O programa conta, ainda, com um ano adicional de seguimento para garantir que foi bem conseguido, sendo oferecido aos jovens a possibilidade de intervenção grupal.“Esta problemática afeta maioritariamente [jovens] entre os 12 e 24 [anos]. Mas estamos preparados para outras idades”, acrescentou o psiquiatra.
O Programa de Intervenção em Gaming Problemático, um programa de intervenção para a dependência de videojogos dirigido sobretudo a jovens, vai funcionar no antigo hospital de Matosinhos, na Rua Alfredo Cunha, onde atualmente já se encontra a Consulta Especializada do Centro de Respostas Integradas (CRI) do Porto Ocidental do ICAD.A equipa incluiu psiquiatras e pedopsiquiatras, e a referenciação deverá ser feita, numa primeira abordagem, pelo médico de família.









