Líbano: Ministro israelita avisa que ocupação será longa
▲Katz indicou que não acredita que o Exército libanês "se transforme subitamente num leão que caça o Hezbollah"
ATEF SAFADI/EPA
O ministro da Defesa de Israel avisou esta segunda-feira que a ocupação israelita no Líbano é de “longo prazo” e reiterou que as suas tropas não se retirarão “nem um centímetro” até que o grupo xiita Hezbollah seja desarmado.
A declaração de Israel Katz surge após um encontro com o líder do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), Brad Cooper, que se avistou igualmente com o chefe das forças armadas do Líbano em Beirute e com o Presidente libanês, Joseph Aoun.Após a reunião, Aoun destacou pelo seu lado a intenção de assumir a soberania da totalidade do território libanês até à fronteira com Israel, no seguimento do acordo-quadro assinado na sexta-feira em Washington, que merece a oposição do Hezbollah.Israel tem afirmado repetidamente que não abandonará o sul do Líbano até que o grupo xiita aliado do Irão seja desarmado e o ministro da Defesa israelita observou esta segunda-feira que esta posição foi aceite pelos Estados Unidos e está consagrada no anexo militar do acordo-quadro.
Israel Katz salientou que, durante a sua reunião com o comandante do Centcom, ambos concordaram que “as Forças de Defesa de Israel não se retirarão das zonas de segurança no Líbano, na Síria ou em Gaza”, a designação adotada por Telavive para as suas ocupações militares, que justifica como medida de proteção do seu território.Em relação às perspetivas de desarmamento das milícias xiitas, Katz indicou que não acredita que o Exército libanês “se transforme subitamente num leão que caça o Hezbollah”.O ministro disse ainda que, sem a pressão dos Estados Unidos sobre Israel, as forças israelitas já teriam provocado “o colapso” do grupo libanês e revelou que estava preparada uma “enorme” campanha aérea que “teria desmantelado o Hezbollah”, que pelo seu lado estava a “implorar aos iranianos que os salvassem” desta ofensiva.“Quando o Presidente [norte-americano, Donald] Trump ligou o Irão ao Líbano, deixámos de demolir edifícios em Beirute. Essa ligação deve-se aos americanos, às limitações impostas pela relação [israelita] com os Estados Unidos”, comentou Katz.
O ministro aludia ao memorando de entendimento entre Washington e Teerão, que prevê a cessação imediata das hostilidades iniciadas em 28 de fevereiro pelos ataques israelo-americanos contra a República Islâmica, incluindo o Líbano.O acordo entre Beirute e Telavive estipula que as forças armadas libanesas assumirão gradualmente o controlo de “zonas piloto” no sul do Líbano, como um passo preliminar para uma retirada gradual das tropas israelitas, que, durante, este conflito, expandiram as posições militares que já ocupavam no país.O acordo prevê ainda a formação de grupos de trabalho conjuntos para concluir as negociações sobre um acordo permanente, bem como o compromisso do Líbano em exercer a plena soberania sobre todo o território e desarmar grupos armados não estatais, sobretudo o Hezbollah, que, além de se opor a estas conversações diretas, recusa entregar as suas armadas enquanto persistir a ameaça israelita.O exército libanês informou em comunicado que a reunião esta segunda-feira com Brad Cooper no sudeste de Beirute “abordou os últimos acontecimentos no Líbano e na região, bem como a importância de garantir o sucesso do mecanismo de implementação do anexo de segurança do acordo-quadro, bem como formas de reforçar a cooperação no futuro”.
O comunicado acrescentou, sem pormenores, que Rudolph Haykal transmitiu ao homólogo norte-americano “gratidão pelo apoio” na mediação do acordo, insistindo na “necessidade de continuar a cooperação entre os dois exércitos para preservar a segurança e a estabilidade do Líbano”.O Presidente libanês agradeceu pelo seu lado nas redes sociais a Cooper a “atenção” demonstrada por Donald Trump “ao Líbano na busca de segurança e estabilidade no país” e reafirmou o compromisso em estender a sua autoridade, através das forças armadas, até às fronteiras internacionais do sul, com Israel.Por sua vez, o Centcom anunciou apenas os encontros de Cooper no Líbano e em Israel, onde visitou tropas norte-americanas destacadas, e indicou que estão atualmente mais de 50 mil militares do seu país a operar no Médio Oriente.O Líbano foi arrastado pelas milícias xiitas libanesas para a nova guerra na região ao reatarem, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho desde o conflito anterior.Desde 2 de março, pelo menos 4.247 pessoas morreram e cerca de 12.200 ficaram feridas, de acordo com a última atualização do Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que causaram também acima de um milhão de deslocados.As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.








