Exames. Ministro anuncia auditoria "para melhorar processo"
ESTELA SILVA/LUSA
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, disse esta segunda-feira que a correção dos exames nacionais continua a decorrer “dentro dos prazos previstos”, garantindo que “nenhum aluno será prejudicado” pelas falhas reportadas até agora no processo de correção das provas. O governante anunciou ainda que quando a fase de correção terminar será pedida uma auditoria que permita avaliar o que pode ser feito para que o próximo ano decorra sem incidentes.
“[As dificuldades] estão a ser resolvidas, continuamos dentro dos prazos previstos, ou seja, os professores todos os anos têm 10 dias úteis para corrigir os exames e aquilo que o EduQA [Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação] nos diz é que vai garantir esses 10 dias úteis para os professores corrigirem os exames“, afirmou. Este ano, os exames nacionais mantiveram o formato em papel, mas, pela primeira vez, as provas serão corrigidas em formato digital, trabalho que deverá estar concluído até 10 de julho, devendo as notas da primeira fase ser divulgadas dia 14.Júri Nacional de Exames reconhece dificuldades na correção de provas, mas garante que vai cumprir prazo
Em declarações na Universidade Portucalense, no Porto — à margem da cerimónia de atribuição do Doutoramento ‘Honoris Causa’ à constitucionalista e ex-ministra da Administração Interna Maria Lúcia Amaral e ao empresário Luís Portela, presidente da Fundação Bial —, Fernando Alexandre disse que “a digitalização está a decorrer sem grandes problemas”, mas admitiu que “houve algumas dificuldades, que resultam das novidades do processo”, como por exemplo problemas na leitura de códigos QR impressos nos exames em virtude de escolas que, contra as indicações recebidas, agrafaram as folhas dos exames. “Aquilo que está a atrasar um pouco o processo tem ver com dificuldades técnicas”, afirmou.“Obviamente, lamentamos que estejam a surgir erros que não foram antecipados, mas isso também faz parte do processo, ou seja, aquilo que é importante é que os erros não prejudiquem nenhum aluno. Isso, garantimos: nenhum aluno será prejudicado”, disse.Já no ano passado, quando se realizou um projeto-piloto com a prova de Filosofia, foram registados erros semelhantes àqueles que estão agora a ser apontados. Confrontados com esta questão, o ministro da Educação respondeu apenas que “os erros que surgiram nesse exame serviram para aprender”, sem concretizar quais as medidas adotadas para colmatar tais falhas.Exames de Filosofia “podem estar mal corrigidos”. Professores receberam respostas trocadas e cortadas a meio, IAVE não deu apoio
“É possível sempre que surjam erros [este ano], mas qualquer erro que surja, que seja grosseiro, é corrigido. Os erros são corrigidos. Pode haver erros, como é óbvio, mas os erros são corrigidos porque o sistema também tem esses mecanismos de correção dos erros, porque é isso que garante depois o rigor na avaliação”, assegurou, salientando que se trata de “um processo logístico complexo” que envolve as provas de mais de 160 mil alunos e “milhares de avaliadores”.Mesmo aceitando possíveis erros, Fernando Alexandre adiantou também que, “após a conclusão deste processo” de correção dos exames que permitem aceder ao Ensino Superior, o Ministério da Educação pedirá “uma auditoria para ver o que correu bem e o que correu mal, para podermos melhorar o processo”.Questionado sobre problemas relacionados com a credenciação de professores para a correção, nomeadamente para a disciplina errada ou mesmo professores falecidos, o governante disse que “essas situações que têm sido veiculadas nas redes sociais também estão a ser verificadas pelo Júri Nacional de Exames”. “Mas aí eu gostava de enfatizar que quem convoca os professores são os diretores das escolas. Se um diretor de uma escola convocou uma professora que infelizmente já faleceu, isso pode acontecer. Mas é um erro que vem da escola nesse caso.”
Esta segunda-feira, a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep) rejeitou quaisquer responsabilidades nas falhas registadas no processo de correção dos exames nacionais e lamentou a aparente transferência de responsabilidades por parte do Ministério da Educação.FENPROF: “Está um caos instalado nos exames nacionais”Já num site intitulado “Exames 2026: O caos documentado”, o movimento cívico MetaPROF registava, pelas 13h, 59 casos reportados por professores, desde convocatórias dirigidas a professores de outras disciplinas, docentes que já estavam reformados (ou, em alguns casos, já tinham falecido) e dificuldades na disponibilização das credenciais necessárias para aceder às provas.
Na sequência dos problemas identificados, o movimento Missão Escola Pública disponibilizou aos professores classificadores de exames nacionais uma proposta de minuta de escusa de responsabilidade, alegando que não estão reunidas as condições para uma classificação rigorosa das provas. Em declarações aos jornalistas, Fernando Alexandre limitou-se a dizer que desconhece o “sentido de missão” deste movimento.










