CIÊNCIA

Roer as unhas: o ‘snack’ de bactérias que destrói a saúde


Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
É um hábito muito comum. Há quem roa as unhas por nervosismo, estresse, concentração ou simplesmente sem dar por isso. Mas aquilo que parece ser um gesto inofensivo, pode ter consequências que vão muito além da estética. Afinal, o que acontece quando vamos constantemente os dedos à boca? E será que roer as unhas pode mesmo ter impacto na nossa saúde? Doutora Vanessa Mendes, bem-vinda.
Obrigada.
Devemos olhar para este hábito com mais preocupação?
Sim, sobretudo porque as nossas mãos estão constantemente em contato com superfícies que potencialmente estão contaminadas. Telemóveis, os teclados, os corrimões, as maçanetas, o próprio dinheiro, são apenas alguns exemplos. Ao roer as unhas, estamos a transportar diretamente para a nossa boca bactérias, vírus, fungos e até alguns parasitas que podem estar presentes nessas superfícies. Ou seja, criamos uma verdadeira ponte entre o ambiente exterior e o nosso organismo.
Isso, claro, traduz-se em problemas concretos.
Sim. Embora nem sempre resulte em doença, porque há muita gente que rói as unhas e não se dá conta. Mas a verdade é que este hábito aumenta a exposição a micro-organismos, que podem ser potencialmente causadores de infecções, por exemplo, gastrointestinais ou até respiratórias. Além disso, a zona debaixo das unhas é uma zona particularmente difícil de limpar e pode acumular uma grande quantidade de micro-organismos. Por isso, mesmo pessoas com bons hábitos de higiene podem estar a aumentar, de forma involuntária, o risco de contaminação.
Então e os dentes, também podem sofrer com isto?
Sim, sem dúvida alguma. Roer as unhas sujeita os nossos dentes a forças repetidas para as quais não foram construídos e, ao longo do tempo, pode ocorrer desgaste do esmalte dentário, até pequenas fraturas, fissuras ou também alterações da posição dos dentes. Em algumas pessoas, pode também agravar problemas, por exemplo, da articulação temporomandibular, causando dor ou desconforto ao mastigar. Portanto, não estamos apenas perante um problema estético ou comportamental, mas também com outras implicações.
E os próprios dedos também acabam por sofrer. E não é só a parte estética.
Sim, isso mesmo. Ao roer as unhas, estamos constantemente a provocar pequenas lesões na pele que rodeia a unha e esses ferimentos funcionam como verdadeiras portas de entrada para as bactérias. E isso pode favorecer, por exemplo, infecções locais ou inflamação, dor e até algumas infecções que podem ser mais profundas ao redor da unha, conhecidas como paroníquias. Em alguns casos, pode ser necessário tratamento médico ou até drenagem, por exemplo, às vezes forma-se ali abcesso e é muito chato.
Mas, doutora, o que é certo é que muitas pessoas não têm sequer consciência daquilo que estão a fazer. É um tique, é uma coisa que não se percebe.
É isso mesmo. Roer as unhas é frequentemente um comportamento, diria, automático. Muitas pessoas têm associado ao estresse, outras à ansiedade ou até para aumentar a concentração. Muitas pessoas só se percebem quando alguém chama a atenção. Mas reconhecer o hábito é, sem dúvida, o primeiro passo para conseguirmos modificar. E isso pode trazer benefícios não apenas para a aparência das próprias mãos, mas também para a própria saúde oral e a prevenção de infecções.
Portanto, aquilo que parece um gesto inofensivo, não tem mal nenhum, pode estar a levar muito mais do que só as unhas à boca.
Isso mesmo. Pode estar a transportar micro-organismos, a comprometer a saúde dentária e a criar pequenas lesões que aumentam o risco de infecção. E é por isso que vale a pena encarar este hábito como uma questão de saúde e não apenas uma questão estética.
Já sabe que também pode participar no nosso programa tratardasaude@observador.pt, por onde pode enviar as suas dúvidas, as suas sugestões, se preferir. Também pode enviar áudio por WhatsApp para o 910024185. Doutora Vanessa Mendes, até amanhã.
Até amanhã. Obrigada.
Este programa tem o apoio da CUF.

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