12h. Creches.FENPROF acusa Governo de "depósito de crianças"
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Do meio-dia. Edição do Luís Soares. Começamos pela Venezuela. Três dias depois dos sismos, a presidente interina Delcy Rodríguez diz que a prioridade do governo é resgatar pessoas dos escombros.
Delcy Rodríguez deixou essa garantia numa mensagem transmitida pelas redes sociais, em que não atualizou, no entanto, o número de vítimas mortais. São 920. O número foi atualizado ao fim da tarde de ontem. Não há ainda novos dados. Há também a confirmação de 3300 feridos. Ontem, um grupo de moradores e familiares de pessoas presas nos escombros vaiou a presidente interina Delcy Rodríguez. A agência France Presse relata que a presidente visitava uma zona nobre da capital, perto de um edifício que ruiu, com os moradores a acusarem o governo de não fazer nada pelo povo. Entretanto, já estão a caminho da Venezuela, desde ontem à noite, os dois aviões portugueses da Força Aérea, para ajudar nas operações de busca e salvamento. Os dois aviões da Força Aérea Portuguesa, saídos da base aérea de Beja ontem à noite, deverão chegar nas próximas horas, certamente. Junta-se em direto no Jornal do Meio-Dia, Jorge Silva, vice-presidente da ASPROCIVIL. Bom dia, Jorge, obrigado por se juntar a nós. Jorge, três dias depois dos dois sismos, ainda há esperança de conseguir resgatar pessoas com vida debaixo dos escombros?
Olá, bom dia. Passaram cerca de três dias, que ainda não estão concluídos, desde que aconteceram os sismos e que aconteceram grande parte dos acontecimentos na Venezuela. Ainda há muita possibilidade de encontrar vida lá. Assim que se encontrar pessoas e vida dentro dos escombros e que se consiga, de alguma forma, levar até eles alguma água ou alguma comida, através de tubagem ou fornecimento de outra forma, há sempre uma possibilidade de prolongar o estado dessas pessoas por mais algum tempo, até que se consiga retirar todos os elementos estruturais que estejam a impedir a sua retirada dos escombros. Neste momento, é exatamente isso que as equipas que estão a caminho vão fazer, vão tentar identificar o mais depressa possível vida dentro das zonas que estão ruídas e em escombros, para tentar, de alguma forma, poder lhes fornecer água e alimento durante este tempo até que eles sejam retirados. E depois, a seguir, fazer toda a triagem setorial, zona a zona, aquelas que ainda não foram possíveis fazer por meios próprios da Venezuela e que Portugal e as outras missões dos outros países vão tentar ajudar o mais rapidamente possível.
Mas podemos dizer, Jorge, que hoje é um dia decisivo nesta busca por sobreviventes depois do sismo, podemos colocar as coisas nesta perspectiva? É um dia importante.
Caso exista vida ainda dentro dos escombros da Venezuela, está numa fase de muita debilidade da sustentabilidade dessa própria vida, exatamente pela questão de que são 72 horas, o fornecimento e a necessidade de água e alimentação, estamos a chegar a um ponto mais crítico, que há uma necessidade muito grande dessa ordem, e por via disso, é urgente conseguir chegar a quem esteja ainda como sobrevivente o mais rapidamente possível. É essa a urgência da entrada das equipas, dos binômios cinotécnicos, que vão a caminho também para ajudar rapidamente a encontrar as vidas que ainda se espera encontrar nos escombros.
E estas equipas, falava o Jorge da equipa portuguesa que há de chegar entretanto, de 64 elementos, estão preparadas para depois estar quanto tempo no terreno? Quando uma equipa vai de um país para outro, vai preparada para estar o tempo que for necessário?
As equipas estão preparadas para trabalhar bastante tempo. Aqui depois tem a ver com toda a questão que logisticamente a Venezuela tem preparada para acolher estas equipas. Caso tenham comunidade de alimentação, estadia, para poderem trabalhar o máximo possível, porque estas equipas normalmente trabalham 10, 12 horas de seguida e depois descansam outras 10, 12 horas e voltam a trabalhar outras 10, 12 horas, em missão de busca e salvamento, e se estiverem com a comunidade suficiente, conseguem trabalhar 10, 15, 20 dias de trabalho. Mas, para já, o essencial é chegar o mais depressa possível à Venezuela, atribuir-lhes missão para conseguirem fazer busca e salvamento e começarem setorialmente a identificar zonas que possam ter ainda alguns sobreviventes. Isto é crucial no dia de hoje e amanhã, domingo, será o chamado deadline para a gente conseguir ainda encontrar vida em sustentabilidade de capacidade de as manter. É essa a questão que temos aqui, que é termos um espaço temporal já muito curto para encontrar vida com alguma sustentabilidade. Depois, a partir daí, começa a ser cada vez mais difícil. Não quer dizer que seja impossível, mas começa a ser cada vez mais difícil. Depois, tudo depende dos fatores e, lá está, salubridade, água, alimentação e higiene, porque são muitos dias. É isso que a gente tem que procurar.
Jorge Silva, muito obrigado por ter estado em direto conosco. Jorge Silva, vice-presidente da ASPROCIVIL, que nos ajudou a olhar para aquilo que será a missão destes 64 elementos da missão portuguesa, que hão de chegar nas próximas horas à Venezuela.
E viramos atenções para o Mundial, para um apuramento histórico. Cabo Verde está nas 16 avas de final, depois de uma fase de grupos sem derrotas.
Três jogos, três empates para os Tubarões Azuis, que participam pela primeira vez num campeonato do mundo de futebol. Ontem à noite, o empate a zero com a Arábia Saudita serviu para qualificar a seleção de Cabo Verde no segundo lugar do grupo, atrás da Espanha e à frente do Uruguai. À Rádio Observador, o presidente da Associação Cabo-Verdiana do Seixal, Miguel Fortes, fala no sentimento de orgulho por parte de toda a população.
Como o nosso mister diz, fé e foco Nós temos de ter até os últimos minutos. Mas também, quando dizemos que é um feito histórico, temos de ver a capacidade dos nossos jogadores e a capacidade dos jogadores adversários, que nós temos apanhado desde o primeiro jogo da Espanha. Quando ultrapassamos a barreira da Espanha, dissemos: “Bom, já vamos pensar em mais um empate com o Uruguai”. Era um jogo muito complicado.
Miguel Fortes, presidente da Associação Cabo-verdiana do Seixal, ouvido esta manhã na Rádio Observador, ainda com poucas horas de sono depois do apuramento de Cabo Verde para a fase eliminar do Mundial de Futebol. O jogo com a Argentina está marcado para o dia 3 de julho.
Quem também já está apurado para os 16 avos de final deste Mundial é a seleção portuguesa.
E mesmo ainda não tendo jogado frente à Colômbia, os quatro pontos conquistados pela equipe das Quinas já são suficientes para estar na fase a eliminar. Falta ainda saber em que lugar do grupo vai terminar Portugal. Por cá, também há cidadãos colombianos que vão estar no Terreiro do Paço, em Lisboa, a acompanhar a partida frente a Portugal, nomeadamente um grupo de folclore colombiano que a Maria Miguel Marques foi conhecer.
Há 15 anos, o Ministério da Saúde português contratou 42 médicos colombianos para preencher as falhas nos centros de saúde de Lisboa e do Algarve. Seis anos depois, surge entre alguns desses médicos e amigos colombianos estabilizados no país, o grupo Folclore Colombia. Até hoje, todas as semanas, o grupo de Folclore reúne imigrantes colombianos para divulgar uma Colômbia alegre em Lisboa, mas também para criar uma comunidade. É o que nos conta o diretor do grupo, Carlos Pérez.
O principal objetivo nosso é divulgar a cultura colombiana, mostrar uma Colômbia alegre. Mas o segundo objetivo do grupo é criar uma comunidade de colombianos. Também aqui encontram soluções às diversas necessidades que implica a migração, como encontrar um trabalho, onde arranjar um local para viver. Está tudo relacionado com o entorno de amizade.
Paula Garzón, uma jovem imigrante membro da Folclore Colombia, explica que este grupo se destaca por estar bem integrado em Portugal.
Nós tivemos um festival há dois meses e foi em Santarém. Também foi um festival internacional. Nós vamos realmente representar um país e também estão outros países, mas eles vêm mesmo do país de origem. Nós somos quase um dos únicos países que somos estrangeiros, mas moramos mesmo no próprio país. Eu acho que as pessoas gostam imenso disso.
E no jogo contra Portugal, o irmão de Paula, Santiago Garzón, que integra também o grupo Folclore Colombia, está decidido que é a Colômbia a equipe que vai apoiar.
100% por Colômbia, muito amor e muita esperança. Ainda eu estou agradecido por estar cá, mas é o meu país de nascença e sempre vou estar agradecido por ele.
O grupo Folclore Colômbia vai estar presente no Terreiro do Paço para ver o jogo entre a Colômbia e Portugal.
Maria Miguel Marques, que foi conhecer o Folclore Colômbia, que já tem presença garantida no Terreiro do Paço antes do jogo desta noite frente a Portugal. O apito inicial está marcado para a meia-noite e meia.
Agora 12h10, Luís, vamos ainda a outras notícias em destaque a esta hora.
A FENPROF acusa o governo de promover um depósito de crianças ao apoiar financeiramente creches que funcionem mais de 11 horas por dia. O sindicato quer uma rede pública de creches gratuitas e medidas que reforcem o direito de parentalidade e alerta que os períodos prolongados nas creches podem afetar o desenvolvimento emocional das crianças, os ritmos de sono e da alimentação e também as relações familiares. O PCP pede ao governo que assegure a instalação de novos multibancos em todas as freguesias, a mais de 5 km da rede bancária, pedido com caráter de urgência e que chega num projeto de resolução entregue na Assembleia da República pelo grupo parlamentar comunista. A iniciativa propõe ainda que nas regiões de maior densidade populacional passe a existir o mínimo de 15 caixas automáticas por cada 10 mil habitantes.
Luís Soares e o Jornal do Meio-Dia.










