Vale dos Judeus. Greve dos guardas prolonga-se até agosto
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Frederico Morais, a greve dos guardas prisionais na cadeia de Vale de Judeus começou a 10 de março. Os motivos são as reivindicações que fazem relativamente à falta de condições de segurança. Estava previsto terminar hoje a greve, afinal vai prolongar-se até dia 31 de agosto. O que vos faz prolongar esta greve? As reivindicações não foram acatadas?
Não. As reivindicações que tínhamos desde o primeiro dia, que são consequências do dia da fuga, parcialmente é que foram concretizadas. Estamos a falar das redes nos pátios ainda nem sequer começou, as torres de vigilância ainda nem sequer avançaram, o projeto ainda não foi entregue a ninguém. Estamos a falar que Vale de Judeus foi há dois anos, vai fazer dois anos em setembro, que se deu a fuga de Vale de Judeus e as medidas de segurança que foram tão anunciadas, que eram tão urgentes e emergentes, poucas saíram do papel ou quase nenhumas. Saíram os inibidores do papel, que neste momento estão com problemas na programação, tiveram que voltar a ser programados, apesar de já cá estar o material todo que supostamente veio de Israel e já está em Portugal. Também a limpeza das matas em volta da cadeia foi efetuada, que na altura foi um dos problemas e que facilitou imenso a tirada dos reclusos da cadeia, bem como também a iluminação, que estava com problemas de iluminação a cadeia, também já está resolvida. Só que o reajuste de horários para facilitar a vigilância dos reclusos e o controle da segurança não foi feito até agora, bem como as atividades que nós consideramos desnecessárias, desde o ioga, desde o canto e essas coisas que são feitas pela direção-geral e do reiki, nós também não concordamos com elas. Enquanto não houver segurança na cadeia, não devem existir. E isto levou-nos a continuar a greve, porque nós fomos condenados em Vale de Judeus, supostamente por não termos segurança, fomos nós condenados. Para evitar futuras condenações, decidimos que enquanto não houver segurança na cadeia, a greve não para.
E relativamente ao número de guardas na cadeia, ainda é insuficiente?
Sim, é muito insuficiente. Completamente. Nos últimos tempos não foi para lá ninguém. Pelo contrário, até saíram agora para o curso de chefes pelo menos um elemento, mas isso ainda bem, porque pode regressar outra vez como chefe para o estabelecimento prisional e para nós é importante ter chefes para ter as funções que têm que fazer e não haver guardas a fazer funções de chefes. Mas o importante nisto tudo é que está a acabar um curso, não sabemos quantos vão para lá, nem sabemos se vai para lá alguém, o que é preocupante. Também só são 55 guardas, não vão preencher praticamente as faltas que existem a nível nacional de guardas. Mas é importante nós termos consciência de que nada ou quase nada foi feito para a segurança do estabelecimento prisional e nós próprios, o sindicato, estar a resolver esse problema, que seria um problema do Estado e da direção-geral.
E acha que com este prolongamento da greve algo vai mudar?
Esperamos que sim, nós temos esperanças que a própria direção-geral, a direção do estabelecimento prisional, faça algo para mudar. Nós temos essa esperança.
E esta greve vai continuar a ser total? Qual é a adesão prevista?
É greve total, continua a greve total e a adesão tem sido na casa dos 90, 95% todos os dias.
E tem serviços mínimos, correto?
Tem serviços mínimos decretados.
E acha então que depois até final de agosto vai haver necessidade de prolongarem a greve? Acha que vai haver algum entendimento?
Nós queremos acreditar que a própria direção-geral cumpra o que tem que cumprir, ou seja, que no dia em que taparem os pátios, no dia em que houver um reajuste dos pátios, que supostamente as redes já existem, que foi o que nos foi dito, só falta mão de obra para expor e mão de obra prisional, que nós também achamos que deve ser mão de obra prisional. Se puserem a rede como eu disse, se reajustarem os horários, também depende da direção do estabelecimento prisional. E o projeto das torres for entregue, se alguém começar a obra, penso que dois meses é mais do que suficiente e tenho a certeza que mal isso aconteça, a greve termina. Disso não há dúvida nenhuma.










