IA. Uso para a saúde aumenta risco de crença em mitos
▲O estudo não inclui quais os chatbots usados para aconselhamento de saúde.
JOSÉ COELHO/LUSA
Quem usa Inteligência Artificial (IA) para obter conselhos sobre saúde tem maior probabilidade de acreditar em mitos sobre vacinas. Esta é a conclusão de um estudo feito pela organização norte-americana de políticas de saúde KFF, que contou com a participação de uma amostra representativa de 2.480 adultos.
“Os adultos que relatam o uso de ferramentas de IA ou chatbots pelo menos semanalmente para aconselhamento de saúde (20% de todos os adultos) são mais propensos do que aqueles que nunca usam esses chatbots para apoiar mitos sobre as vacinas contra o sarampo e as vacinas de RNAm”, refere o estudo, apontando mais concretamente à crença que a causa do autismo são as vacinas.O estudo conclui que 35% dos inquiridos que usam ferramentas de IA acreditam que é “definitivamente ou provavelmente verdadeiro” que as vacinas MMR (contra o sarampo, papeira e rubéola) causem autismo nas crianças, com 29% a acreditar que morreram mais pessoas da vacina contra a COVID-19 do que aquelas que morreram da infeção. Outros 29% creem que as vacinas de RNAm podem mudar o ADN, enquanto 22% consideram que a vacina do sarampo é mais perigosa do que o vírus.Entre quem não usa a IA como ferramenta médica, os números são mais reduzidos. 25% acreditam nos mitos em relação à vacina contra a COVID-19, 20% nos relacionados com as vacinas MMR e RNAm, com apenas 15% a acreditar que o sarampo é menos perigoso do que a sua vacina.
O estudo não inclui quais os chatbots usados para aconselhamento de saúde, tendo em conta que cada um produz um nível diferente de desinformação, refere o The Guardian.A utilização de IA para consultas sobre saúde já motivou chatbots a especializarem-se na área, como ChatGPT Health, lançado pela OpenAI, em janeiro.O mito das vacinas causarem autismo é um dos pilares do movimento antivacina, algo defendido por Robert F. Kennedy Jr., atual secretário norte-americano da Saúde. As alegações começaram a circular em 1998, quando Andrew Wakefield publicou um estudo que fazia uma ligação entre o autismo e as vacinas MMR, mas têm sido sucessivamente refutadas por estudos científicos posteriores.










