Bactéria da Antártida pode ajudar a curar o melanoma
▲Melanoma é o tipo mais agressivo de cancro da pele,
Getty Images/iStockphoto
As ascídias marinhas produzem pequenas bactérias que podem ajudar no tratamento do melanoma, a forma mais agressiva de cancro da pele. Esta é a conclusão de uma expedição de seis semanas feita este ano por investigadores da Universidade da Flórida do Sul (USF, sigla inglesa) à Antártida.
“Esta pesquisa é importante tanto do ponto de vista ambiental quanto médico”, explicou Bill Baker, professor de Química na USF, à BBC Science Focus. O professor colidera a investigação e já tinha descoberto a bactéria há cerca de 20 anos, segundo a Discover Magazine, numa outra expedição. Agora, com financiamento parcial da agência norte-americana Fundação Nacional de Ciência, Baker e a sua equipa esperam continuar a investigação.As ascídias marinhas são seres “invertebrados marinhos em forma de saco que tendem a viver em fundos marinhos inclinados”, refere a BBC Science Focus e, tal como os restantes organismos vivos presentes no continente, desenvolveram defesas para se protegerem de predadores. Essas toxinas, chamadas Candidatus Synoicihabitans palmerolidicus, podem ser “reaproveitadas” e já foram testadas em laboratório com ratos com células de melanoma, de acordo com Baker, no âmbito de uma parceria com o Desert Research Institute e o Scripps Institution of Oceanography.“A boa notícia é que não matou os ratos […] Mas eliminou-lhes o cancro, então sabemos que tem as propriedades fisiológicas para agir como um medicamento“, realçou Bill Baker, ao The Guardian, referindo que são precisas “gramas do material para fazer um estudo maior em ratos”, noutros animais e até em humanos, se for comprovada a sua segurança.
Apesar do caminho para o desenvolvimento de um medicamento ainda ser longo, o conhecimento adquirido na expedição “pode avançar significativamente o cronograma”, acredita o professor da USF, pois “aprimorou a compreensão de como a bactéria que mata o melanoma vive dentro do micro-organismo e a relação ecológica entre eles”, assim como a forma como sobrevive num ecossistema tão frio como o da Antártida.Os próximos passos incluem a reprodução da toxina em laboratório, para não envolver a sua extração massiva que causa danos no meio ambiente.“Precisamos de centenas de miligramas a gramas deste metabólito e de uma coleção de ascídias do tamanho de uma bola de basquetebol”, explicou Bill Baker, que refere que a solução é “descobrir como produzir este material em laboratório”, tal como já acontece com vários medicamentos aprovados pela Food and Drug Administration dos Estados Unidos.A expedição teve a duração de seis semanas e envolveu equipas de mergulhadores que desceram entre 18 e 24 metros de profundidade em águas muito frias, em áreas de fortes correntes e que capturaram a bactéria através de vários mergulhos e da manipulação de dois veículos subaquáticos operados remotamente (ROVs).
“Na Antártida, tu lidas com gelo, focas-leopardo, mares em constante mudança e, às vezes, visibilidade muito limitada. Cada mergulho deve ser cuidadosamente planeado para equilibrar a realização do trabalho com a segurança de todos”, recordou ao Discover Magazine o professor Ben Meinster, oficial de segurança de mergulho da investigação.De acordo com dados de 2022 do Observatório Global do Cancro, da Organização Mundial da Saúde, 331.722 pessoas foram diagnosticadas com melanoma, que resultou na morte de 58.667 pessoas. É o tipo mais grave de cancro da pele, segundo a Liga Portuguesa Contra o Cancro, e desenvolve-se nos melanócitos, que são células da pele, também conhecidas como sinais. Tornam-se cancerígenos quando essas células se tornam malignas.










