CIÊNCIA

Raimundo acusa ministra da Saúde de "crime social"

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O secretário-geral do PCP acusou a ministra da Saúde de cometer um “crime social”, ao agravar os problemas, com o objetivo de desmantelar o Serviço Nacional de Saúde, e pediu à governante que deixe de “arranjar desculpas”.Paulo Raimundo falava aos jornalistas no Centro de Saúde do Olival, no Cacém, concelho de Sintra, depois de ter estado em contacto com as dezenas de utentes que aguardavam numa longa fila para tirar uma senha e marcar consulta.Esta fila repete-se de três em três meses, período em que são disponibilizadas novas senhas. Alguns dos utentes chegaram ainda de madrugada, os primeiros por volta das 2h, para garantir atendimento, e entre os principais lamentos ouvidos pelo líder do PCP esteve a falta de médico de família.
O secretário-geral comunista esteve no mesmo local há três meses e prometeu agora voltar no próximo dia 1 de outubro, com o objetivo, disse, de chamar a atenção para o “país real”, por oposição ao “país da propaganda e da ilusão” do Governo, e repetiu um desafio que já tinha feito ao primeiro-ministro, Luís Montenegro.“Vou-lhe fazer outra vez o desafio para ele [Luís Montenegro] vir cá no dia 1 de outubro para ele ver, porque tinha muito a aprender. Senhor primeiro-ministro, a agenda é muito preenchida, compreende-se que não dá para, por exemplo, ter disponibilidade para inaugurar os hospitais da CUF Leiria, como teve, mas que não tenha para vir aqui e falar com as pessoas do Serviço Nacional de Saúde. Tudo bem, é a vida de cada um, são as opções de cada um”, disse.O desafio foi estendido à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que Raimundo criticou por “inaugurar o Hospital da CUF, no Barreiro, distrito de Setúbal, depois de ter mandado fechar as urgências pediátricas”.Questionado sobre a ministra da Saúde justificar o aumento de pessoas sem médico de família com aumento de registos no SNS, o líder comunista afirmou que “ninguém esconde que a população aumentou”, mas defendeu que, perante esse cenário, “não vale a pena arranjar desculpas”, mas sim definir “qual é o caminho”.
Para Raimundo, é necessário apostar na contratação de médicos e valorização das carreiras do SNS, mas o Governo tem optado por um caminho que é “exatamente o contrário” com “muitas desculpas, muita propaganda e encerramentos”.O secretário-geral do PCP foi mais longe e acusou a ministra Ana Paula Martins de um “crime social”.“A ministra podia dizer assim: ‘nós temos um conjunto de problemas que queremos resolver, e o caminho para resolver é este’. Mas não é nada disso. É ‘nós temos um conjunto de problemas que estão, e o que nós queremos é agravá-los de maneira a desmantelar o Serviço Nacional de Saúde’. Isto é, é uma expressão um bocadinho dura, mas a vida das pessoas também é difícil, um crime social que está em curso”, atirou.Raimundo abordou também a ativação de planos de contingência para o calor, reconhecendo que é “preciso tomar medidas” perante “uma situação extrema”, mas insistiu que “a contingência na saúde é todos os dias, haja calor, chuva ou frio” e que a ministra da Saúde deveria também pronunciar-se sobre a falta de resposta do SNS.
Sobre a notícia desta quarta-feira do jornal Público, que escreve que os hospitais que tiverem urgências fechadas vão sofrer cortes no financiamento, o líder do PCP considerou que “é o fim da picada” e que está em causa um castigo do executivo aos hospitais devido às suas próprias decisões.“Há menos médicos, há menos enfermeiros nas urgências. E depois o Governo que manda encerrar, como castigo, vem dizer que tem que se cortar o financiamento. Pois claro, se não há serviço, para que é o financiamento? (…) Nós não precisamos de nada disso”, concluiu.

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