CIÊNCIA

Demissão de Duarte Gomes no MP: a polémica na arbitragem

A temporada anterior já terminou, a próxima temporada ainda não começou, mas a verdadeira polémica já está instaurada no futebol português. Tudo começou com a demissão de Duarte Gomes, até aqui Diretor Técnico de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), e a consequente decisão do organismo de remeter para o Ministério Público as razões dadas pelo antigo árbitro para a saída.
De acordo com o jornal Record, Duarte Gomes demitiu-se em rota de colisão com Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, e terá referido uma alegada ingerência do organismo na nomeação das equipas de arbitragem para os jogos da Primeira Liga como motivo principal para a demissão. Nesse sentido, e embora sem confirmar as razões dadas pelo antigo árbitro, a FPF emitiu um comunicado onde revelou que Luciano Gonçalves fez uma participação formal ao Conselho de Justiça do organismo na sequência da demissão e que os factos relatados seguiram para o Ministério Público.“Aqui ninguém rebenta ninguém”: uma conferência com “ruído exterior”, 97% de acerto e jarras “só para flores”
“Tendo tomado conhecimento no dia 26 de junho de 2026, passada sexta-feira, da participação formal enviada pelo Presidente do Conselho de Arbitragem [Luciano Gonçalves] ao Conselho de Justiça [Luís Verde de Sousa], sobre os motivos alegados pelo ex-Diretor Técnico de Arbitragem para a demissão do cargo que desempenhava, os Presidentes dos Órgãos Sociais da Federação Portuguesa de Futebol (Direção, Mesa da Assembleia Geral, Conselho de Justiça e Conselho de Disciplina) remeteram de imediato os factos relatados para o Ministério Público, cumprindo o disposto no n.º 1 do artigo 6.º do Regime Jurídico da Integridade do Desporto, aprovado pela Lei n.º 14/2024, de 19 de janeiro”, pode ler-se na nota da FPF, que acrescenta ainda que o Conselho de Justiça reúne esta quarta-feira.Entretanto, após todas as notícias, Duarte Gomes decidiu reagir através das redes sociais — revelando que tudo começou numa conversa com um árbitro no final da última temporada e rejeitando ter colocado em causa “a honra, o bom nome ou a reputação de qualquer pessoa, instituição ou membro dos órgãos sociais” da FPF e do Conselho de Arbitragem. “No final da época passada, um árbitro de futebol profissional partilhou comigo um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade, suscitaram-me preocupações institucionais muito relevantes. Perante esse conhecimento, entendi ser meu dever institucional proceder às diligências que considerei adequadas e que foram conduzidas com reserva, neutralidade e transparência”, começa por referir.“O objetivo dessa iniciativa foi esclarecer internamente toda a situação e aferir se se encontravam reunidas as condições de tranquilidade indispensáveis ao normal exercício das minhas funções. Após o decurso dessas diligências, concluí que não era possível restaurar o grau de confiança institucional que considerava essencial ao desempenho do meu cargo. Por essa razão e entendendo que a minha continuidade em funções seria incompatível com os princípios e valores que sempre pautaram a minha vida, tomei a decisão de me demitir”, acrescenta Duarte Gomes, que tinha assumido o cargo há cerca de um ano, na sequência da eleição de Pedro Proença como presidente da FPF.
Comunicado ????⚪
Em causa os factos tornados públicos relativamente ao setor da arbitragem
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— FC Porto (@FCPorto) July 1, 2026“A formalização dessa decisão e dos respetivos fundamentos, foi efetuada em circuito restrito e exclusivamente institucional, de forma reservada, através de correio eletrónico dirigido ao Sr. Presidente do Conselho de Arbitragem, com conhecimento aos restantes membros daquele órgão […]  Nunca tornei públicos nomes, factos concretos ou circunstâncias específicas relacionadas com esta matéria”, termina, mostrando-se ainda “totalmente disponível para prestar todos os esclarecimentos adicionais”.
De forma natural, os clubes da Primeira Liga já começaram a reagir ao assunto. O FC Porto tomou a dianteira, referindo estar a acompanhar o assunto com “profunda preocupação e consternação”, enquanto que o Benfica pediu mesmo uma reunião de urgência com a FPF. “O Sport Lisboa e Benfica encara com extrema gravidade as informações tornadas públicas sobre a saída de Duarte Gomes da arbitragem, motivadas por interferências incompatíveis com a independência que deve reger um setor absolutamente essencial para a credibilidade das competições”, pode ler-se.Pelo meio, e porque o jornal Record avançou com a notícia de que a alegada ingerência na nomeação de árbitros está relacionada com os últimos jogos do Estrela da Amadora na Primeira Liga, também o presidente dos tricolores reagiu oficialmente ao episódio. É com estupefação que vemos esta associação do Estrela à demissão do Duarte Gomes. É a palavra indicada. Mais uma vez o Estrela vê-se envolvido num assunto ao qual é alheio. É lamentável e injusto. Não sei se é o efeito colateral de outras guerras”, disse Paulo Lopo ao jornal A Bola, admitindo ainda agir judicialmente se ficar provado que Duarte Gomes mencionou diretamente o Estrela da Amadora.

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