CIÊNCIA

Empresa portuguesa sancionada por vínculos a PCC

Uma empresa portuguesa detida por um empresário de São Paulo, no Brasil, foi sancionada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos da América devido a vínculos do proprietário ao gangue criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC).
A empresa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda — que está sediada em Setúbal e se dedica ao transporte de mercadorias por via terrestre, marítima e aérea, bem como ao armazenamento, de acordo com um comunicado do Departamento do Tesouro — pertence a Vítor Henrique de Oliveira Shimada, como confirmado pelo Observador nos registos do Ministério da Justiça. Foi constituída em 2021 e Vítor Shimada surge como único sócio e gerente da empresa, que conta com um capital de 50 mil euros.Além da Avenidas Flutuantes, outras três brasileiras pertencentes à mesma pessoa foram sancionadas pelo Departamento do Tesouro. “Apoiando-se numa rede de empresas, Shimada consegue evitar ser detetado enquanto recebe fundos ilícitos gerados nos EUA e branqueia esses fundos para o PCC no Brasil. As empresas incluem a Victory Trading, a Pixwave Soluções De Pagamentos Ltda (Pixwave), e a Wave Construções Inteligentes Ltda (Wave), todas baseadas em São Paulo”, lê-se no comunicado. A Victory Trading e a Wave são empresas de serviços financeiros, ao passo que a Pixwave é uma empresa de construção. A Avenidas Flutuantes não é mencionada como fazendo parte da rede, mas também foi atingida pelas sanções.Grupo criminoso PCC tem estabelecimentos comerciais, imóveis e terá investimentos em futebol em Portugal
Os EUA bloquearam todos os bens e proibiram transações de Vítor Shimada e das suas empresas por estas últimas “serem detidas, controladas, ou dirigidas por, ou tendo agido ou tido intenção de agir para ou em benefício de, direta ou indiretamente, Shimada”.Além de Shimada, das suas três empresas brasileiras, e da sua empresa portuguesa, também Stella Oliveira, que desempenhava funções de secretária, foi abrangida pelas sanções. Ambos são designados por terem assistido o PCC através de apoio tecnológico, financeiro, ou material.Para o Departamento do Tesouro, Vítor Shimada, que viverá em São Paulo, “tem sido um elo chave entre os operacionais do PCC na Flórida e traficantes de droga estrangeiros”. “Shimada e a sua organização lavaram mais de 30 milhões de dólares [26,4 milhões de euros] em rendimentos ilícitos gerados dentro e ao redor de várias cidades nos EUA, usando criptomoedas para movimentar fundos de volta ao Brasil em nome do PCC. Shimada também esteve envolvido noutros crimes financeiros além do branqueamento de rendimentos da droga. Em janeiro de 2025, esteve brevemente sob prisão domiciliária porque uma das suas empresas, a Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças E Tecnologia Ltda (Victory Trading), foi usada para proceder à lavagem de dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro como parte de um esquema de fraude relacionado com publicidade”, descreve o comunicado.PCC tem cabecilha e 87 membros em Portugal. Expressão do maior gang da América do Sul “deveria preocupar portugueses”
O PCC, o “maior gangue criminoso da América Latina”, “representa uma ameaça significativa à segurança nacional dos EUA, tendo em conta que os seus operacionais em todos os Estados Unidos, particularmente na Flórida, branqueiam os rendimentos da droga e contribuem para um ciclo de criminalidade”. “O PCC é agora a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Norte, e nos recentes anos expandiu globalmente as suas operações, com uma presença significativa em países como o Reino Unido, a Turquia, e o Japão”, lê-se na nota. “Nos Estados Unidos, o PCC representa uma ameaça criminal real e em crescimento. Redes como a atingida hoje envolvem-se no tráfico de droga, lavagem de grandes quantidades de dinheiro para cartéis, e outras atividades ilícitas para gerar fontes de rendimento para o PCC.”Neste caso, os pontos principais da rede eram a Flórida e São Paulo. Se no passado os EUA já tinham atingido os elementos norte-americanos — o que levou a seis detenções na Flórida em janeiro de 2026 —, desta vez, as sanções atingiram os suspeitos de São Paulo.“Esta designação é outro passo do governo dos EUA para lidar e reconhecer a presença crescente da produção de rendimentos ilícitos do Primeiro Comando da Capital dentro das nossas fronteiras”, afirmou Gene Lange, subsecretário para o Terrorismo e Informação Financeira. “O crime organizado dentro do Hemisfério Norte não pode conseguir estabelecer operações em solo americano que contribuam para a criminalidade e ilegalidade.”

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