19h. Venezuela. O número de portugueses mortos sobe para 93
Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
7 horas em ponto. Sábado, na companhia da Rádio Observador. São agora 7 horas, começa o jornal com João Lourenço e começamos com os incêndios. A Proteção Civil realiza a esta hora um ponto de situação sobre as ocorrências.
E esta conferência que vai também contar com a presença do Ministro da Administração Interna, Luís Neves. Aguardamos ainda essa presença, tanto do Comandante Nacional de Emergência e Proteção Civil, Mário Silvestre, e também do ministro que tutela a pasta da Administração Interna, Luís Neves. No entanto, vamos diretamente à Sede Nacional de Emergência e Proteção Civil, onde já fala Mário Silvestre.
O Comandante Nacional da Proteção Civil, vamos acompanhar.
Sem recuperação noturna. Os avisos, por isso, lançados pelo IPMA relativamente às temperaturas são avisos laranja e vermelhos, bem como ventos fortes nas terras altas do Norte e Centro e Alto Alentejo, em especial até ao final de amanhã de manhã. A entrada de brisa a partir de amanhã poderá dar-se, mas muito pouco expressiva, ou seja, iremos ter, tal como eu já disse, noites muito quentes e sem a tal recuperação de umidade relativa durante a noite. Iremos, por isso, ter valores extremos de FWI, o Fire Weather Index, e do perigo de incêndio rural com classes muito elevado, elevado a máximo em todo o território. Teremos também uma possível situação de instabilidade no interior nas próximas tardes e, com isso, possibilidade de ocorrência de trovoada seca. Da análise que temos, e isto relativamente à tal instabilidade, verificamos que o território afetado pela instabilidade no dia 5 e, sobretudo, no dia 6 é muito significativo e, portanto, isto indicia que poderemos ter trovoadas, sobretudo trovoadas secas, o que, como é óbvio, para o ponto de vista da supressão, é um problema também significativo, porque podemos ter bastantes ocorrências provocadas por estas trovoadas secas, pelas descargas elétricas. Da análise da velocidade de propagação do incêndio, com base nos dados que temos, verificamos que o dia 4 é o dia também complexo, o dia de hoje, com um pequeno desagravamento para o dia de amanhã, mas com incremento muito significativo desta velocidade potencial de propagação do incêndio para o dia 6. Isto fez com que, do ponto de vista das terminações operacionais, o estado de prontidão especial de dia 4, hoje, até dia 6, fosse determinado para o seu nível máximo, o nível 4, para a região de Aveiro, Viseu, Dão Lafões, Beiras e Serra da Estrela, para a região de Coimbra, região de Leiria, Médio Tejo, Beira Baixa, Oeste, Alto Alentejo e Algarve. O restante país estará em estado de prontidão especial de nível 3. Com base nisto, efetuamos um conjunto de pré-posicionamentos de meios de nível nacional, um pré-posicionamento de meios de reforço também do escalão sub-regional, bem como patrulhamento armado com aviões médios que estão a decorrer sobretudo na zona centro, entre a zona de Leiria e a zona das Beiras e Serra da Estrela, bem como um reforço do ponto de vista da comunicação de emergência e, tal como sabem, com o envio dos SMS preventivos. Com base neste cenário e no empenhamento bastante significativo que temos no incêndio de Vouzela, mas sobretudo com a necessidade de mantermos uma capacidade de resposta e ataque inicial bastante elevada, ativamos o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, onde temos a trabalhar no incêndio de Vouzela a Unidade Militar de Emergência de Espanha, com 118 operacionais e 43 veículos, um avião Canadair de Espanha, que já está a operar em Vouzela, e dois aviões Canadair de Itália, que irão operar amanhã, chegarão durante o dia de hoje à Base Aérea de Beja e irão trabalhar amanhã também, previsivelmente, no incêndio de Vouzela. Devido ao incêndio de Vouzela, foram ativados os planos de emergência de Águeda, Vouzela e Tondela. Até ao momento, da meia-noite de hoje até às 17h, registámos 58 ocorrências, 16 das quais em período noturno, com a distribuição que é possível ver no mapa que temos neste slide. De salientar que ao dia de hoje temos três ocorrências significativas. Há um momento que estamos a falar, a de Vouzela continua a ser a ocorrência que nos dá mais problemas e a mais complexa, mas temos também uma ocorrência na Póvoa de Lanhoso e outra na área metropolitana do Porto, em Santo Tirso. A ocorrência de Vouzela, como foi referido ontem, era uma ocorrência extremamente complexa, com uma capacidade muito grande de propagação do incêndio, portanto, com dificuldades acrescidas do ponto de vista da extinção. A estratégia que delineámos durante a tarde de ontem para implementação e, sobretudo, devido à enorme severidade meteorológica que iríamos ter durante a noite de hoje, a estratégia que delineámos foi bem-sucedida na sua implementação, o que nos permitiu, durante o dia de hoje, ter um incêndio muito mais estabilizado do que aquilo que seria até de esperar. Todos os trabalhos que continuamos a desenvolver estão a ser favoráveis do ponto de vista do combate e estamos a ter progressos bastante positivos neste momento naquele incêndio. Reforço que o fato de estarmos neste momento a ter sucesso nestas operações não significa que não possamos ter um revés, atendendo às condições meteorológicas extremamente complexas, nomeadamente ao vento forte que esperamos a partir das 20h. Como referi ontem, a velocidade de propagação deste incêndio foi em média de 765 m/h, com uma taxa de expansão de 600 ha/h. Ao momento que falamos, a área aproximada ardida deste incêndio é de 13 mil ha. Para além da ocorrência de Vozela e das três ocorrências que mencionei anteriormente, temos ainda 38 ocorrências em vigilância, conclusão e em resolução, que estão a empenhar 821 operacionais, 259 veículos e dois meios aéreos. Reforçamos aqui a necessidade de as nossas populações confiarem nas autoridades e seguirem as instruções das mesmas, sobretudo nos teatros de operações. Manterem-se afastado da zona dos incêndios é crítico. Temos tido alguns acidentes, porque as pessoas insistem em ir pra zonas de incêndio e, portanto, é crítico que não o façam. Refiro que, em caso de evacuação, dirija-se imediatamente pra um local seguro, para o local de abrigo seguro e longe das zonas onde o incêndio poderá afetar, por exemplo, as habitações. Colabore com os operacionais. Nesta colaboração, pede-se que não estacionem veículos em zonas de passagem dos veículos de combate a incêndios e dos veículos de socorro, uma vez que muitas vezes temos constrangimentos significativos na passagem dos meios de socorro. Não tente fotografar ou filmar a zona de incêndio. Não utilize drones. A utilização de drones nas zonas de incêndio implicam que os meios aéreos que estão a combater o incêndio não podem operar e retiram imediatamente do teatro de operações. Portanto, é crítico e é desejável que não utilizem drones na zona de incêndios, porque isto tem causado constrangimentos significativos às operações aéreas no âmbito do combate aos incêndios. Afaste-se das zonas de aterragem e reabastecimento dos meios aéreos e, mais uma vez, evite circular em estradas próximas do incêndio. Permitam-me antes terminar, que endereço um forte abraço e um reconhecimento muito grande aos operacionais que têm, um pouco por todo o país, estado envolvido nas ocorrências que têm surgido. Apenas com estas condições meteorológicas, apenas o trabalho muito bom que todos têm feito, nos permitiu chegar ao dia de hoje e à hora de hoje, com o incêndio de Vozela numa fase de estabilização já bastante elevada, ou seja, com muito menos risco do que aquilo que seria expectável a esta hora, bem como termos, neste momento, apenas três ocorrências ativas e termos conseguido, durante o dia de ontem, termos demolado todas as ocorrências e apenas termos hoje três ocorrências ativas. E, portanto, para eles e para todos os operacionais do terreno, um abraço caloroso por todo o trabalho e pelo estoicismo que têm colocado até agora no combate aos incêndios que têm feito. Para eles, mais uma vez, o meu muito obrigado e deixava-me ao vosso dispor. Muito obrigado. Sr. Primeiro-ministro.
Muito obrigado, Sr. Comandante Operacional. Queria também juntar-me a esse agradecimento e a esse reconhecimento, desde logo, também a toda a equipa da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, mas sobretudo deixar uma palavra de profunda gratidão e de muita confiança também em todos os operacionais, desde os bombeiros a todos os agentes de proteção civil, a todos os departamentos do Estado, a todos aqueles que têm colaborado nestas operações por estes dias que são, como acabou de ser dito, de risco muito elevado. Depois também queria aproveitar para vos dirigir uma palavra de apreço também pela forma como tem sido articulada e coordenada toda a ação dos vários serviços e cooperando, nós conseguimos ser mais eficazes e eficientes. Deixar uma palavra também ao Sr. Ministro da Administração Interna e ao Sr. Secretário de Estado da Proteção Civil, que me têm mantido informado a todo momento e corroborar, dar ainda mais destaque ao aviso que o Sr. Comandante Operacional deixou à população para que todos possam seguir as recomendações das autoridades, para que todos possam respeitar as opções que, no terreno, aqueles que têm a competência e o conhecimento de dirigir as operações vão emitindo, porque isso não só facilita as tarefas de combate aos fogos como de reposicionamento de todo o dispositivo e toda a logística que é necessário também coordenar e empenhar para chegar cada vez mais cedo aos locais mais críticos. A população deve, portanto, não só respeitar como até, de alguma maneira, colaborar com todas as autoridades para poderem também ajudar-se uns aos outros e poderem também sensibilizar aqueles que, porventura, possam ter a tentação de não cumprir essas recomendações, para que possam amadurecer bem essa decisão, evitar ir para as zonas que são antecipadamente colocadas como inacessíveis e todos aqueles comportamentos de risco, a utilização de drones, como foi mencionado, uma ou outra ação que individualmente, às vezes, na aflição e no sofrimento, possa ser pensada como eficiente e que, no cômputo das operações, possa ser efetivamente prejudicial. Portanto, bom trabalho a todos. Muito obrigado e vamos manter, naturalmente, a vigilância máxima, tentar prevenir ao máximo, tentar evitar e tentar também que, nos casos em que isso é possível, a primeira intervenção possa ser a mais eficaz e evitar que os incêndios possam ganhar a dimensão como este em Vozela, que é efetivamente a nossa principal preocupação. Portanto, muito boa tarde e bom trabalho a todos.
Muito obrigado, Sr. Primeiro-ministro.
Aqui fica também a participação de Luís Montenegro, a agradecer aos operacionais no terreno e recordar essa situação mais crítica em Vouzela, uma ocorrência que a esta hora envolve mais de 1300 operacionais. Também dar conta dessas informações por parte do Comandante Nacional de Emergência e Proteção Civil, Mário Silvestre. Referir que a situação em Vouzela pode estar numa fase mais estável, no entanto, o alerta para o aumento da velocidade do vento a partir já das 8 p.m. Neste momento, Mário Silvestre ainda responde algumas questões dos jornalistas. Vamos escutar o Comandante Nacional de Emergência e Proteção Civil.
Capacidade de ataque inicial.
Confirma que também foi pedida ajuda a Marrocos?
Foi feito um contacto exploratório com Marrocos do ponto de vista da sua ajuda bilateral e, portanto, estamos à espera. Não sei se o senhor ministro depois quererá falar sobre isso. Estamos à espera dessa confirmação e desse auxílio.
E como é que esperam que possa esta situação, sobretudo os incêndios mais complicados, como por exemplo, o de Vouzela, como é que espera que se comportem nas próximas horas e durante a noite poderá haver um momento em que se consiga uma situação de controle?
Nós vamos ter uma noite um pouco mais favorável às operações de supressão do que tivemos na noite anterior e, portanto, é expectável que durante esta noite o processo de estabilização desse incêndio tenha uma evolução bastante favorável.
Então estão otimistas em relação a este incêndio, durante a noite as coisas melhorarem bastante.
Com um otimismo ponderado, ou seja, se as operações decorrerem de forma que estão planeadas e se não tivermos nenhuma circunstância meteorológica que nos venha a causar maiores problemas, é uma zona extremamente complexa do ponto de vista dos ventos, tem muitos ventos cruzados. Se consultarem as estações meteorológicas do IPMA, verificarão que a estação a meia dúzia de quilômetros uma da outra tem o vento numa direção completamente diferente e, portanto, há ventos cruzados que podem ser fortes naquela zona e, portanto, há um imponderável sempre muito grande naquela zona.
Mário Silvestre, o comandante nacional da Proteção Civil, a dar nota da evolução do fogo.
E novamente, Mário Silvestre, comandante nacional de Emergência e Proteção Civil. Também revelar que o Estado português fez contactos exploratórios com o Reino de Marrocos acerca de mais ajuda no que toca a estes incêndios florestais. Novamente, considerar que há um otimismo moderado no que toca à ocorrência em Vouzela, na região de Viseu, de Dão Lafões, o incêndio que já está ativo desde a madrugada do dia 2 de julho e que continua a ter o maior foco e atenção por parte das autoridades no terreno. É também nesta região que está o repórter Miguel Pinheiro Correia, que há pouco destacou essas dificuldades, neste caso, na freguesia de Daires, em Tondela. Vamos escutar esse relato por parte do jornalista Miguel Pinheiro Correia, já nas notícias nesta noite informativa aqui na Rádio Observador. Ainda vamos à Venezuela, até porque é também notícia dos últimos minutos. Sobe para 93 o número de cidadãos portugueses e lusodescendentes mortos na sequência dos sismos. Entre as vítimas estão 17 crianças, 76 são adultos. Estes são os últimos números avançados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. Neste momento, ainda há 57 portugueses desaparecidos.
E é assim que fechamos o Jornal das 7 e edição do jornalista João Lourenço. Está de regresso daqui a pouco, às 19h30. Até já.
Até já.










