Vingegaard quebrou e Pogacar deu a vitória a Del Toro
LOIC VENANCE
Era um contrarrelógio por equipas, tornou-se sobretudo uma “guerra” individual. Devia ser uma das edições mais competitivas de sempre, teve o melhor arranque possível e ainda com mais 20 dias pela frente. O Tour não começou com o favorito de amarelo – mas foi pelo triunfo do maior opositor ao favorito que ficou ainda mais interessante para o que se segue, apesar da vantagem mínima de apenas 12 segundos com que Jonas Vingegaard terminou os menos de 20 quilómetros com a Visma-Lease-a-Bike à frente de Tadej Pogacar e uma UAE Team Emirates que terá um papel chave para nivelar a luta entre os dois melhores corredores da atualidade. A partir de agora, tudo contava, todas as etapas com bonificações eram possíveis momentos para surpreender, todas as inclinações podiam servir para arriscar um “golpe”. E a segunda etapa da prova, numa ligação ainda em Espanha entre Tarragona e Barcelona de 168,5 quilómetros, era o primeiro desafio.
Jonas soltou-se quando o esforço coletivo se tornou num duelo individual: Vingegaard vence primeira batalha com Pogacar no início do Tour“Diria que é o início perfeito. O Tour ainda é longo, mas os meus companheiros fizeram um trabalho incrível hoje, estiveram muito fortes. Para ser honesto, não tive de fazer quase nada”, destacara Vingegaard depois do triunfo num contrarrelógio por equipas com um modelo diferente daquele que é habitual, onde o primeiro da equipa acabava por ditar depois o resultado de todo o coletivo, ao contrário do que acontecia antes onde o tempo era estabelecido pelo três primeiros de cada formação. Foi assim que, em menos de 20 quilómetros, a Visma conseguiu não só vencer como alcançar vantagens importantes não só para Pogacar mas para outros potenciais adversários pela corrida e pelo pódio, casos de Remco Evenepoel, Paul Seixas e Juan Ayuso.
???????? #TDF2026
“Now Jonas! Now Jonas! Now Jonas!” ???? pic.twitter.com/UoJ2pqWnRb
— Team Visma | Lease a Bike (@vismaleaseabike) July 5, 2026“Foi um desempenho super bom. Claro que queremos sempre ganhar mas fizemos um excelente trabalho de equipa. Podemos estar satisfeitos e muito motivados para os próximos dias. Estou também contente que o dia tenha terminado. Um dia como este é longo. A preparação para o contrarrelógio por equipas demora o dia todo, para apenas 20 minutos de competição, é muito stressante. Já não fazia um contrarrelógio por equipas há muito tempo”, apontara Tadej Pogacar, que ficou também com a camisola da montanha por ter sido o mais rápido a subir: “Tenho pernas para a montanha. A subida era bastante curta. O Isaac [Del Toro] fez um trabalho incrível. Todos foram além dos limites. E é graças à equipa que tenho esta camisola”.
???? @TamauPogi on the charge!
Tadej’s ride on the final climb earns him the polka dot jersey, as the leader of the King of the Mountains Classification.
We’ll be in ????⚪️ tomorrow! #WeAreUAE | #TDF2026 pic.twitter.com/KA9DI70Wpy
— @UAE-TeamEmirates (@TeamEmiratesUAE) July 4, 2026Em paralelo, e apesar dessa pequena desvantagem para Vingegaard, Pogacar colocava já o foco na segunda etapa entre Tarragona e Barcelona por todos os desafios que poderia trazer pela frente. “O meu foco não é a camisola da montanha. Penso que amanhã [domingo] teremos uma etapa bastante complicada. Acho que será para os puncheurs e o final vai ser muito caótico. Temos de ter cuidado. Vamos ver se conseguimos ganhar no final”, destacara. Queria ele, queria todos. Era mais um dia em aberto que prometia.
???? Stage 2 / Étape 2 ????
???? Tarragone???? Barcelone – Stade Olympique ???? 168.5 km⏰ 13:45 CEST > 17:36 CEST⛰ 1×2️⃣ , 3×3️⃣ ???? km 85,6#TDF2026
???? More details and stage description on our official website pic.twitter.com/eFgFbdwHVG
— Tour de France™ (@LeTour) July 5, 2026A fuga do dia, já depois de uma queda que afetou corredores como Biniam Girmay (NSN Cycling Team), Silvan Dillier (Alpecin) e Robbe Dhondt (Picnic PostNL), teve como protagonistas Frank van der Broek (Picnic PostNL), Alex Molenaar (Caja Rural) e Felix Engelhardt (Jayco AlUla), com Baptiste Veistroffer (Lotto) a tentar ainda fazer o ataque saindo do pelotão mas sem sucesso. A vantagem chegou a estar acima dos 3.30 minutos, havendo essa espécie de “linha” de entrada no circuito de Barcelona, com a passagem por Montjuïc ainda mais complicado do que é normal na Volta à Catalunha, para diminuir esse avanço e manter viva a aspiração de vencer a etapa. A 100 quilómetros do final, a desvantagem ia nos três minutos.
???? Crash in the peloton. Biniam Girmay is among those who crashed as well as Silvan Dillier and Robbe Dhondt who seems to suffer.
???? Chute dans le peloton. Biniam Girmay est impliqué tout comme Silvan Dillier, Dorian Godon, Maxim Van Gils ou encore Robbe Dhondt qui semble… pic.twitter.com/v7SunUcrNK
— Tour de France™ (@LeTour) July 5, 2026
???????? Frank van den Broek???????? Alex Molenaar???????? Felix Engelhardt
???? A trio broke away from the peloton???????? Baptiste Veistroffer launched a counter-attack as the peloton appeared to be opening up.
???? Un trio s’est extrait du peloton???????? Baptiste Veistroffer est sorti en contre alors… pic.twitter.com/wDGXuHuQup
— Tour de France™ (@LeTour) July 5, 2026
???? ???????? Baptiste Veistroffer failed to catch up with the breakaway, which will therefore remain a trio. No doubt we’ll see him give it another go in the coming days!
???? ???????? Baptiste Veistroffer n’a pas réussi à rejoindre l’échappée qui restera donc un trio. Nul doute qu’on le… pic.twitter.com/EqBNYwbk4t
— Tour de France™ (@LeTour) July 5, 2026Era mesmo uma questão de tempo. Com as equipas no topo da perseguição a rodarem, com a Emirates e a Decathlon a mostrarem-se na parte final da subida ante do circuito, a desvantagem já tinha caído de forma abrupta para 30 segundos, o que aniquilava por completo a ambição do trio da frente em lutar por mais do que esses pontos pela camisola da montanha já depois do triunfo de Alex Molenaar no sprint intermédio que se viria a repetir nessa contagem de montanha. Por esta altura, sabia-se também que a terceira etapa, esta segunda-feira, poderia ser mudada ou mesmo cancelada, tendo em conta os incêndios perto da meta na zona dos Pirinéus Orientais que colocava em risco a possibilidade de alterações no programa e/ou traçado.
???? Full ranking of the intermediate sprint ????
???????? Alex Molenaar – 25 pts???????? Felix Engelhardt – 20 pts???????? Frank van den Broek – 16 pts???????? Biniam Girmay – 14 pts???????? Mads Pedersen – 12 pts???????? Jasper Philipsen – 10 pts???????? Anthony Turgis – 9 pts???????? Tim Merlier – 8 pts???????? Max Kanter -…
— Tour de France™ (@LeTour) July 5, 2026
???? A change at the front of the peloton. @TeamEmiratesUAE takes over from @Pinarello_Q36_5, who had been leading since the start.
???? Changement de physionomie en tête de peloton. @TeamEmiratesUAE prend le relais de l’équipe @Pinarello_Q36_5 qui menait depuis le départ.#TDF2026 pic.twitter.com/pRXVakcgjD
— Tour de France™ (@LeTour) July 5, 2026
???? DON’T RUN NEXT TO THE RIDERS, EVEN IF YOU’RE A BANANA!
???? NE COUREZ PAS À CÔTÉ DES COUREURS, MÊME SI VOUS ÊTES UNE BANANE !#TDF2026 pic.twitter.com/zv63djVAPm
— Tour de France™ (@LeTour) July 5, 2026O trio passava a ser dupla, com Alex Molenaar e Felix Engelhart a perderem a companhia de Frank van de Vroek a cerca de 75 quilómetros, mas seria uma mera questão de tempo, com os corredores a começarem a sentir a presença do pelotão cada vez mais perto pelo ruído das pessoas e dos carros de apoio que estava logo ali atrás. Ainda demorou, com um encher do balão do principal bloco antes de chegar aos fugitivos de vez a 40 quilómetros do final e perto da entrada no circuito de Barcelona, com Isaac del Toro a ter problemas com a sua bicicleta mas a tempo de recuperar ao contrário de Paul Seixas, que estava quase a entrar no início da fase decisiva com a bicicleta de um companheiro sem se perceber se conseguiria ainda recuperar uma sua, como viria a acontecer mais tarde mas a obrigar o corredor francês da Decathlon a esforço extra.
Chegava a fase decisiva, com um circuito de três voltas com uma subida duríssima antes da descida, estrada plana e uma nova subida menos íngreme de 700 metros que iria terminar com a meta. Os corredores foram caindo e ficando cortados por cada passagem mais a subir do circuito, com os últimos três quilómetros a terem quase todos os principais protagonistas com mais ou menos dificuldades apesar de todo o trabalho que a Emirates foi fazendo, fazendo prever um ataque de Pogacar que acabou por não acontecer também pela marcação cerrada que Vingegaard fazia ao esloveno. Só no final houve mexidas mais a sério, com Isaac del Toro a atacar, Vingegaard a não aguentar e Pogacar a acabar a ceder a vitória ao seu companheiro.









