CIÊNCIA

Corina Machado irritou Trump ao tentar regressar à Venezuela

Era uma figura querida no Partido Republicano. Deu a medalha do Prémio Nobel que venceu em 2025 ao Presidente norte-americano. Tentou sempre cair nas boas graças de Donald Trump. Apesar de tudo isto, María Corina Machado está agora a ser um incómodo para a Casa Branca. A líder da oposição venezuelana desafiou diretamente as ordens dos Estados Unidos da América (EUA) e tentou regressar ao país natal após os violentos sismos que afetaram Caracas e La Guaira. O vídeo nas redes sociais desta segunda-feira a denunciar a situação veio ainda trazer mais desconfiança na relação entre a mulher e o líder norte-americano.
A líder da oposição venezuelana viajou para a Cidade do Panamá no passado domingo, de forma a tentar embarcar rumo à Venezuela e ajudar no processo de reconstrução do país na sequência dos terramotos. No entanto, María Corina Machado alegou que o regime liderado por Delcy Rodríguez fechou o espaço aéreo venezuelano e não a deixou entrar. Acusou também o Governo da Presidente interina de querer “enterrar a verdade quando os venezuelanos querem enterrar os seus mortos com dignidade”.Corina Machado: “Não encontrei um único venezuelano ofendido” com a entrega do Nobel a Trump
Segundo escreve esta terça-feira o New York Times, que consultou fontes familiarizadas com o assunto, a Casa Branca ficou irritada com a insistência de María Corina Machado em regressar a Caracas. A administração Trump não pretendia para já o regresso da líder da oposição, porque poderia pôr em causa a estabilidade venezuelana, assim como a boa relação que mantém com Delcy Rodríguez. O foco dos Estados Unidos é atualmente manter o status quo: um regime com rostos chavistas, mas que é submisso a Washington.Os Estados Unidos desejavam que María Corina Machado fosse mais paciente e que não viajasse para a Venezuela durante a reconstrução do país após os sismos. A Casa Branca tem prometido à política que se poderá candidatar a umas futuras eleições presidenciais — mas nunca deu um prazo para isso. A líder da oposição ignorou o conselho da administração Trump e foi avisada de que viajaria por sua conta e em risco se desejasse voltar à Venezuela.Criticada pelos venezuelanos e dependente de Trump, Delcy Rodríguez enfrenta prova de fogo na gestão dos sismos
Este gesto não caiu bem na administração Trump. A sua decisão de regressar à Venezuela prejudicou mesmo a relação com a Casa Branca. Aliás, a presidência norte-americana já tinha ficado incomodada com algumas declarações de María Corina Machado no passado. E agora a tentativa de regresso pode ter mesmo criado uma brecha entre o movimento da oposição da política e os Estados Unidos. Segundo o New York Times, ainda é incerto se a dissidente do regime chavista vai conseguir melhorar as relações com os EUA.Segundo o mesmo jornal, María Corina Machado é agora vista como uma “distração” para muitos na administração Trump, sendo acusada de realizar uma “manobra política” para a beneficiar depois dos sismos. A Casa Branca prefere, para já, manter o apoio a Delcy Rodríguez, mesmo que o regime esteja muito longe de ser popular. Aliás, a Presidente interina está a ser acusada de providenciar uma resposta insuficiente e lenta à população — e até já foi vaiada em público.
¡¡¡ABUCHEAN A DELCY!!!
“No quieren que la gente vea la realidad: que el Gobierno no hace nada”.
Los vecinos le reprocharon que las autoridades abandonaron a los venezolanos en el peor momento. pic.twitter.com/SObz52eJSS
— Adais Cásares (@adais_casares) June 27, 2026Pelo contrário, a líder da oposição venezuelana que venceu o Prémio Nobel da Paz continua a ser uma política muito popular na Venezuela. Várias sondagens mostram que venceria com facilidade as eleições presidenciais. E essa popularidade incomoda Delcy Rodríguez. O regresso de María Corina Machado, argumentam os apoiantes da Presidente interina, poderia aumentar o descontentamento no país — e trazer instabilidade política.
É precisamente esse cenário que os Estados Unidos querem evitar. Os norte-americanos continuam interessados nas receitas petrolíferas venezuelanas e a instabilidade política — que poderia ser potenciada pelo regresso da líder da oposição — poderia pôr isso em causa. Mesmo assim, María Corina Machado tem prometido não desistir de voltar à Venezuela. Se for bem-sucedida, a administração Trump poderá nunca a perdoar.

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