Quando chega finalmente o alívio? Temperaturas caem 11 graus
▲As temperaturas já relativamente mais baixas, sobretudo no litoral, quinta-feira à tarde, segundo o Windy.com
E há outro sinal de mudança que muitos portugueses agradecerão: as noites também vão arrefecer. Depois de vários dias em que algumas localidades não desceram dos 25 a 27ºC durante a madrugada, muitas regiões vão voltar a ter mínimas entre os 15 e os 18 graus, permitindo algum descanso térmico.
#MeteoredConnection ????⚠️???? Aviso vermelho por calor extremo mantém-se em 4 distritos, mas o tempo vai mudar: saiba onde haverá alívio térmico.
????️ Mais detalhes aqui, por Joana Campos: pic.twitter.com/JG6JBRH3mK
— Meteored Portugal (@MeteoredPT) July 6, 2026
♨️???? A onda de calor persistirá em Portugal até 9 de julho, com máximas de 41 ºC no interior.
????️ Confira a previsão por Ana Palma: pic.twitter.com/DbeW1UABcw
— Meteored Portugal (@MeteoredPT) July 6, 2026Tudo isto porque o anticiclone dos Açores vai mudar um bocadinho de sítio, de cima de nós, onde tem estado bem acomodado e com grande robustez, para ficar mais fraco e se mudar para perto das Ilhas Britânicas. Portugal vê assim abrir-se a portinhola do Atlântico, que estava bem trancada pelo anticiclone que, na posição anterior, só tinha escancarada a porta do sul, por onde entraram estas massas de ar quente do Norte de África.
Com a mudança, uma depressão em altitude, muito semelhante à que afastou a onda de calor de junho do nosso país, já que manteve o litoral fresco e empurrou os ventos quentes para o interior e para Espanha e França, pode também exercer durante alguns dias a mesma função. Mas é ainda muito cedo para fazer essas previsões. Fiquemos para já pelo ar fresquinho que nos traz.
Les températures fréquemment caniculaires dureront jusqu’à dimanche compris, c’est une certitude.
La suite? Cela reste à écrire. Difficile de préjuger comment cela va tourner à partir du 13 juillet car la situation devient très complexe au niveau synoptique.
La circulation… pic.twitter.com/3oPsmfa8K1
— Extrême Météo (@ExtremeMeteo) July 5, 2026As maiores quedas de temperatura deverão ocorrer no interior do país e em algumas regiões do centro e sul. Aliás, o país vai ficar dividido quase em quatro, com o litoral e o norte bem mais frios e o interior e sul ainda quentes.
Porque convém relativizar. Uma máxima de 30 ou 32 graus continua a ser uma temperatura alta. A diferença é que deixaremos de falar de um episódio de calor extremo, com valores excecionais e várias noites seguidas sem verdadeiro arrefecimento.A resposta está a milhares de quilómetros, no Atlântico Norte. Durante os últimos dias, o anticiclone dos Açores esteve robusto e bem posicionado a oeste e noroeste da Península Ibérica, funcionando como uma espécie de muro atmosférico. Essa configuração bloqueou a entrada de massas de ar mais fresco vindas do Atlântico e do norte da Europa e ajudou a instalar uma verdadeira cúpula de calor sobre Portugal e Espanha.
Ao mesmo tempo, uma massa de ar muito quente vinda do Norte de África foi sendo continuamente transportada para a Península Ibérica. A forte insolação desta época do ano e os solos muito secos fizeram o resto. Os meteorologistas chamam-lhe o “forno ibérico”: os solos aquecem rapidamente durante o dia e libertam o calor lentamente durante a noite. A panela nunca chega verdadeiramente a arrefecer. O dia seguinte começa já quente e bastam algumas horas de sol para as temperaturas dispararem de novo.Mas agora o padrão atmosférico está a mudar. Segundo o modelo europeu ECMWF, o núcleo do anticiclone dos Açores está a deslocar-se gradualmente para norte, aproximando-se das Ilhas Britânicas. Esta alteração enfraquece o bloqueio atmosférico sobre Portugal e permite a entrada de ar mais fresco pelo Atlântico. Na prática, abre-se finalmente uma porta ao oceano. Os ventos rodam para noroeste, regressa a influência marítima e as temperaturas começam a descer, primeiro no litoral e no norte e, mais lentamente, no interior e no sul.Em meteorologia, o calor extremo raramente desaparece de um dia para o outro. Desloca-se. E é precisamente isso que deverá acontecer nos próximos dias. À medida que Portugal vai desligando o forno, a massa de ar mais quente deverá deslocar-se para Espanha e, depois, para França, onde os modelos continuam a prever temperaturas muito elevadas e novas vagas de calor: os franceses foram as maiores vítimas da onda de junho.
Segundo a Météo-France, as temperaturas poderão voltar a atingir 36 a 38ºC e localmente aproximar-se dos 40ºC, incluindo no sul, oeste e até na região parisiense. O climatólogo Davide Faranda admite mesmo que a próxima semana possa trazer um novo pico de calor em França, embora menos extremo do que o episódio histórico de junho. Mas uma das etapas do Tour de France teve de ser adaptada pelas autoridades e pela organização devido às temperaturas excecionalmente elevadas e ao risco para ciclistas, equipas e público.Por outras palavras, Portugal começa finalmente a desligar o forno, mas a bolha de calor não desaparece. Está apenas a seguir para o centro da Europa. No entanto, não se devem bater os recordes de junho.
Here’s another image out there which does not have as many of the records as the map, BUT does show just how how much hotter these #European records were compared to the previous June records. In some cases a 2C which is a huge margin to break a monthly record by. And you can’t… pic.twitter.com/CGTMa6WkvF
— Jeff Berardelli (@WeatherProf) July 5, 2026Depois de tantos dias acima dos 40 graus e de madrugadas em que algumas localidades não desceram dos 25 ou 27 graus, uma máxima de 30 ou 32 graus poderá nem parecer verão em Portugal. Mas o verão de 2026 está a mostrar uma espécie de efeito dominó atmosférico: quando um país sai do centro da onda de calor, outro entra. Desta vez, Portugal começa a respirar de alívio, mas Espanha e, sobretudo, França podem voltar a ser os próximos a suar.










