"Acertou nas áreas mas falhou na disciplina"
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Sem Falta da Rádio Observador, o último deste mundial, Portugal saiu eliminado do jogo frente à Espanha, perdeu por uma bola a zero ao minuto 90, mais um golo de Merino, mas aquilo que aqui nos traz é o trabalho da equipe de arbitragem, hoje liderada por Anthony Taylor, um árbitro que deve ter estado à altura do seu estatuto, acredito, Pedro.
Sim, de uma maneira geral, sim. E impôs muito aqui no mundial aquilo que eu achei as estratégias principais da chamada arbitragem à inglesa, e isso refletiu-se, sobretudo, na parte disciplinar, mas mais uma arbitragem competente.
Vamos ao minuto 10. Na tua opinião, sem pênalti sobre Cristiano Ronaldo na área de Espanha.
Sim, é um lance que depois dá mais à frente, em maior pormenor, é que é um pontapé de canto e o Cristiano Ronaldo está naquelas marcações mútuas, neste caso, com o Rodri, e aparece a cair no chão. É um facto que na parte final da jogada, o Rodri se evidencia mais na maneira como agarra a camisola do Cristiano Ronaldo, mas a questão que se coloca é sempre a mesma, é que no princípio da ação em que a bola é batida e os jogadores começam a se movimentar, tanto o Ronaldo como o Rodri têm as mãos um sobre o outro e, portanto, não é tanto agarrar, é mais controlar a posição um do outro. E depois há um outro aspecto que é importante, e não é fácil os árbitros verem isto, mas depois se houver o gol, normalmente são os lados. O João Neves faz um bloqueio ao Rodri, ou seja, quando eles começam a movimentar, o João Neves vai ali tentar impedir que o Rodri acompanhe a movimentação do Ronaldo para o libertar. Isto não é permitido, até porque foi uma obstrução com contato. O árbitro deixou seguir, não marcou nem pênalti, nem falta atacante, nada, mas mais importante, não há pênalti e a haver uma infração, seria a falta atacante por bloqueio do João Neves.
Ao minuto 22, na tua opinião, safou-se de um cartão amarelo João Cancelo no lance que vem do lado esquerdo do ataque da Espanha, já bastante perto da área.
Sim, e é um cartão amarelo, depois deu origem ao livre direto, o árbitro nesse aspecto esteve bem tecnicamente, mas é daqueles lances que eu, por acaso, só na repetição é que me apercebi bem da questão. Até pensei que no jogo jogado tivesse sido um toque, uma rasteira, mas não. O João Cancelo desinteressa-se completamente da bola e quando o Laporte faria o passe pro Bayena, para ir buscar a bola mais à frente, o João Cancelo agarra o avançado espanhol e portanto sem bola, apenas para parar, para matar a jogada ali. Ainda por cima já relativamente perto da área. Era um corte de um possível ataque promissor. O comportamento em si é incorreto e, portanto, o livre direto foi bem sinalizado, mas ficou aqui o cartão amarelo para mostrar ao Cancelo.
Temos depois um amarelo que também ficou por mostrar a um velho conhecido do campeonato português. Ao minuto 40, faltou, na tua opinião, um amarelo para Pedro Porro.
Eu disse que o árbitro, pelo critério que estava a levar, obviamente que não mostrou o cartão amarelo nesse lance, mas depois a análise individual do lance, isto é, isolando o lance.
Independentemente de critérios.
Exatamente, não olhando pro contexto, é uma entrada muito dura sobre o João Félix, já sem bola também, a perna esquerda a tocar e a varrer ali o pé e a perna esquerda do João Félix. E portanto, o livre direto foi sinalizado, mas uma vez mais falhou aqui na questão do cartão amarelo.
Temos depois, Pedro Henriques, ao minuto 71, na tua opinião, um amarelo que faltou também para Pedro Porro, que segundo esses critérios poderia ter sido o segundo. Não, não é Porro. Eu tenho aqui um amarelo para Porro. Para Nelson Semedo, não faz mal. Então faltou um amarelo para o Yamal. Ok.
Exatamente.
Nós já tínhamos aqui o caso do jogo.
Não, eu repeti com certeza ao passar pra eles.
Sem problema.
Sim, o do minuto 40, Porro sobre o João Félix, conforme dissemos, e aqui é o Nelson Semedo. É aquele lance em que o Yamal vai entrar pelo bico da área, neste caso do lado direito, e o Nelson Semedo agarra e impede o jogador, o Yamal, de entrar na área. É certo, há ali mais jogadores defensores e portanto essa poderá ter sido a leitura do árbitro, mas o fato é que ele vai mesmo entrar na área. Aliás, o livre é mesmo ali no bico e é uma jogada perigosa e portanto há um ataque promissor que é cortado, ainda por cima numa situação que não é bem rasteira, é um agarrão por trás, na perspectiva de destruir. Cartão amarelo, para mim, para mostrar ao Nelson Semedo.
Temos também ao minuto 79, um lance na área de Portugal em que envolve Renato Veiga, que poderia ter dado a ar de pênalti. Acho que foi uma bola que se falou em possibilidade de ter batido na mão, mas também sem motivos.
Sim, sem motivo, porque a bola passa por baixo. É um cruzamento do Ferran Torres do lado direito conforme ataca a Espanha. É aquela situação típica do defesa central, neste caso Renato Veiga, a tentar fazer um carrinho pra interceptar a bola. A bola vem por trás e passa por baixo do braço direito. Ficou a pedir pênalti, isto é, ficou o Ferran Torres, por intercessão, mas a bola passa mesmo por baixo, nem sequer raspa no braço e a bater teria sido na eventual zona da axila, mas não tocou e, portanto, não há motivo para ponto de pé de pênalti. É boa decisão.
Minuto 91, gol da Espanha. Nós ainda esperamos aqui até o limite da análise, quando chegou a imagem, poder descortinar ali um fora de jogo, mas hoje não houve essa oportunidade.
Hoje não houve. Aliás, nem valia a pena pôr grandes imagens no sentido de tentar perceber se estava mais à frente, mais atrás, porque é mesmo daqueles bem destacados. É o Ferran Torres que faz a assistência pro Merino e ele sai claramente de trás. Ele não tem dois adversários entre ele e a linha de baliza adversária, tem uns quatro ou cinco, ou seja, não pela frente, mas entre ele e a linha de baliza adversária, cada um na sua posição, obviamente, porque o corredor estava aberto, mas de qualquer maneira não há situação pra fora de jogo e, portanto, gol legal da Espanha.
Temos depois, já nos tempos de descontos, tal como foi o gol da Espanha, ao minuto 93, amarelo para Nelson Semedo.
Sim, aqui porque agarrou o Yamal quando ele ia fugir também num contra-ataque junto à linha lateral, embora ainda no meio-campo espanhol, por assim dizer, mas o fato é que ele saía em progressão e o objetivo foi travar a incursão do Yamal ao sair num contra-ataque e, portanto, é uma falta tática bem apostada do cartão amarelo.
Temos para fechar esses lances do jogo, ao minuto 98, amarelo para Ferran Torres da seleção espanhola.
Sim, foi o último pontapé livre a favor de Portugal, neste caso no corredor direito de ataque de Portugal, já no meio-campo espanhol. É aquela entrada a pés juntos do Ferran Torres, mesmo ali a varrer o Conceição e por isso o árbitro muito bem a mostrar o cartão amarelo por uma entrada negligente.
Pedro Henriques, para fecharmos este “Sem Falta” especial do Mundial, o último dedicado à Seleção Nacional, sendo que acredito que vá haver mais aquele semanal que faz análise aos casos mais determinantes da competição. Neste adeus de Portugal, que nota merece Anthony Taylor? Não foi pelo árbitro que Portugal não seguiu em frente.
Sim, aí é o grande mérito, não há qualquer impacto em termos de arbitragem. Eu vou dar nota seis, porque acertou naquilo que é essencial, nas áreas, não há penal sobre o Ronaldo, não há aquela mão, o gol espanhol é correto, e sendo o único e dar o apuramento era sempre importante. Falhou na parte disciplinar, no meu ponto de vista, na minha análise, três cartões amarelos por mostrar, mas sem impacto. São jogadores diferentes, não se faltou a haver situações que pudessem vir a ter impacto e por isso 22 faltas, Portugal só cometeu nove ou pelo menos só foram assinaladas nove. E por isso é um jogo em que o árbitro acaba por ter nota positiva, porque esteve bem no essencial, ainda assim um jogo a eliminar e com a carga que tinha, falhou na parte disciplinar, mas como digo, sem impacto. Por isso, acertou nas áreas, falhou na disciplina, é o resumo desta arbitragem, que é claramente positiva.
Pedro Henriques, está feito mais um “Sem Falta” na Rádio Observador. Foi o adeus de Portugal ao Mundial 2026. Vamos continuar a contar contigo nessa análise aos casos mais determinantes do torneio e também em sede de campeonato nacional e competições europeias das nossas equipas e também os próximos compromissos da nossa seleção. Um grande abraço, Pedro. Não vai faltar “Sem Falta”, independentemente do que aconteça. Um abraço.










