CIÊNCIA

O Bolo de Pera e Noz da pastelaria Fornada do Dia


Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Olá, sejam bem-vindos. Já sabe, esta é a história das histórias. Eu, João Paulo Sacadura, acolho aqui o Alberto Correia, este historiador e investigador que tanto sabe de antropologia, arqueologia, etnografia. Vamos continuar a falar dos doces. Concretamente, esta semana foi toda muito doce, uma semana de crónicas que não fez, se calhar, muito bem ao colesterol, mas que nos confortou muito. Hoje falamos do bolo de pera e noz da Fornada do Dia. É mais uma pastelaria muito especial que existe em Sernancelhe.
Duas casas monásticas e um velho recolhimento que com aquelas mantinha alguma afinidade, houve, vai tempo, no território do atual concelho de Sernancelhe. Compuseram-se já, em letra de forma, alguns traços da sua história e dela se resgataram alguns manjares, como os folgas ou as cavacas de freixinho, o leite creme, o arroz doce, os biscoitos de aguardente que o povo adotou. Manjares caseiros de eleição em festas de boda, casamento ou batizado, às vezes romaria, promotores de agradáveis sociabilidades. Evocações de uma história que não se apagou e se restaura ao presente com a reinvenção de uma nova pastelaria que reintegra velhos hábitos de consumo, propondo diferenciados padrões de doçaria em ambiente de eleição. E a propósito, trago notícia de uma ainda nova pastelaria que adotou o carismático nome de Fornada do Dia, lá onde o saboroso pão sai quentinho, lá onde a doçaria faz crescer água na boca. Na margem da histórica vila, caminhando para nascente, num chão que dá por nome de Veiga e tem história, que por ali corria a estrada romana que levava a Trancoso e mais além, lá onde o município levantou gostosas memórias em granito, lá de onde se avista o amuralhado de um castelo em ruína, dona Laura Monteiro marcou nobre presença, abrindo ao mundo circundante esse espaço de eleição, em cujos muros interiores recompôs traços de história. Foi ela que inventou essa iguaria que apelidou de bolo de pera e noz e que logo ao olhá-lo nos cativa e ao prová-lo nos recorda o manjar antigo de convento e os secretos gestos da doceira, o saber fazer como obra de mistério. Obra-prima de pera madura que as monjas da ribeira ali perto já tinham por matéria-prima. Noz partida em pequeninos, farinha de trigo que não vem já dos moinhos da ribeira do lugar, ovos, esse tempo certo em misturar, a doce certa da canela, o calor no ponto certo e as mãos que o oferecem na mesa como inigualável manjar. E o segredo de fazer, que ninguém pode adivinhar. Mas basta sentar-se à mesa, pedir uma fatia e degustar, levar amigo a provar. Gostosa prenda que dará sentido a uma doce tarde de teor familiar.
Muito bem, fica aqui mais esta sugestão, este bolo de pera e noz da Fornada do Dia. Eu por acaso não conheço e fiquei com muita vontade de experimentar, de saborear. Alberto, muito obrigado por esta semana tão doce de crónicas e de lembranças. E assim marcamos encontro para a semana. Bem-haja. Até para a semana.
Até para a semana.

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