Porque um terramoto de 7,5 pode matar milhares ou ninguém?
RONALD PENA R/EPA
Os especialistas identificam vários fatores que, em conjunto, explicam a maioria das diferenças entre grandes terramotos. O primeiro é a localização que, em conjunto, explicam a maioria das diferenças entre grandes terramotos. O primeiro é a localização: quanto mais próximo estiver o epicentro de uma grande cidade, maior deve ser a destruição. Um sismo de magnitude moderada diretamente sob uma área urbana pode causar muito mais danos do que outro bastante mais forte ocorrido numa região remota ou no oceano ou no deserto.
O segundo é a profundidade. Os sismos superficiais libertam a energia muito perto da superfície, fazendo com que as ondas sísmicas cheguem aos edifícios praticamente sem perder intensidade. Pelo contrário, um sismo muito profundo pode libertar uma enorme quantidade de energia, mas que se dissipa antes de atingir a superfície. É precisamente isso que explica um dos exemplos mais surpreendentes da história recente. Em 2013, um sismo de magnitude 8,3 atingiu o Mar de Okhotsk, na Rússia. Foi um dos maiores deste século, mas ocorreu a cerca de 609 quilómetros de profundidade e não provocou vítimas mortais.O terceiro fator é a qualidade das construções. Os estudos científicos sobre mortalidade em terramotos mostram que a esmagadora maioria das vítimas morre devido ao colapso de edifícios.Foi isso que aconteceu no Haiti, em 2010. Um sismo de magnitude 7,0 provocou mais de 200 mil mortos numa capital com edifícios extremamente vulneráveis. Poucas semanas depois, o Chile sofreu um terramoto de magnitude 8,8 — quase duas dezenas de vezes mais energia — com cerca de 500 mortos. O país tinha normas de construção muito mais exigentes, edifícios preparados para resistir a grandes abalos e uma população habituada ao risco sísmico.A diferença não esteve na magnitude. Esteve na vulnerabilidade.O sistema PAGER do USGS foi criado precisamente para tentar responder rapidamente a várias perguntas importantes: não apenas “qual foi a magnitude?”, mas “quantas pessoas foram expostas aos abalos?” e “quão vulneráveis são os edifícios na região afetada?”. Num relatório de 2009, Paul S. Earle e colegas explicam que o PAGER calcula, poucos minutos depois de um grande sismo, o número de pessoas expostas a diferentes intensidades de abalo e a intensidade sentida nas cidades afetadas. Outro estudo do USGS, assinado por Kishor Jaiswal, David J. Wald e Mike Hearne, desenvolveu modelos empíricos para estimar vítimas em grandes terramotos a partir da população exposta e da vulnerabilidade regional. Nos sismos da Venezuela, logo depois de acontecer o de 7,5, a previsão apontava para 10 mil a 100 mil mortes e tudo estava em “red alert”, alerta vermelho.
Ou seja, a ciência olha para uma equação muito mais complexa do que a escala de magnitude. Um sismo de magnitude 7,5 a grande profundidade e longe de cidades pode ser sentido em milhares de quilómetros e, mesmo assim, não fazer qualquer morte. Um sismo de magnitude 7,0, superficial e junto de uma capital pobre, com construções rudimentares, pode ser catastrófico.










