Bolton declara-se culpado de reter documentos secretos
▲Bolton foi durante pouco mais de um ano conselheiro de segurança nacional na primeira presidência de Trump
SHAWN THEW/EPA
O antigo conselheiro de segurança nacional do Presidente norte-americano Donald Trump, John Bolton, declarou-se esta sexta-feira culpado de manter ilegalmente informações confidenciais, no âmbito de um acordo que poderá permitir-lhe evitar uma pena de prisão.
A sentença deste caso está marcada para 28 de outubro, no Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Greenbelt, no estado de Maryland, cabendo ao juiz Theodore Chuang decidir a pena a aplicar.Ao abrigo do acordo, que implicou a assunção de culpa, o Departamento de Justiça recomendou que qualquer pena de prisão não ultrapasse cinco anos, embora o juiz não esteja vinculado a essa recomendação.O antigo responsável poderá retirar a declaração de culpa caso lhe seja aplicada uma pena mais pesada ou uma multa avultada.Bolton tinha sido acusado, em outubro do ano passado, de 18 crimes relacionados com a retenção e divulgação de informações confidenciais, incluindo notas pessoais em formato de diário que partilhou com familiares enquanto preparava um livro de memórias sobre a sua passagem pela administração norte-americana, durante o primeiro mandato de Trump (2017-2021).
Segundo a acusação, o processo centrou-se na partilha dessas notas com a mulher e a filha de Bolton, e não no conteúdo do livro.Após enviar um dos documentos, o antigo responsável escreveu numa mensagem dirigida aos familiares: “Não falamos sobre nada disso!!!”, tendo recebido como resposta: “Shhhhh”, de acordo com os procuradores.A investigação incluiu buscas realizadas pela polícia federal de investigação (FBI) à residência de Bolton, em Maryland, e ao seu escritório em Washington, em agosto do ano passado, embora o inquérito tenha começado antes do regresso de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025.Bolton desempenhou funções durante pouco mais de um ano como conselheiro de segurança nacional na primeira presidência de Trump, antes de ser afastado do cargo em 2019.
Posteriormente, Bolton publicou o livro “The Room Where It Happened” (“A Sala Onde Aconteceu”), no qual faz um retrato fortemente crítico da liderança do Presidente norte-americano.O Governo do Presidente Trump tentou, sem sucesso, impedir a publicação da obra, alegando que continha informações classificadas suscetíveis de comprometer a segurança nacional.Trump respondeu na altura com duras críticas a Bolton, classificando-o como um “belicista maluco” e acusando-o de querer arrastar os Estados Unidos para uma “Sexta Guerra Mundial”.










