CIÊNCIA

Guy Stéphan, o substituto de Deschamps

Quando a França entrar em campo esta sexta-feira para o encontro contra a Noruega, no banco não estará o selecionador Didier Deschamps. Na sequência da morte da sua mãe, o treinador decidiu regressar a França. No seu lugar, no Boston Stadium, estará Guy Stéphan, o braço direito do selecionador há anos.
Deschamps está completamente descansado por deixar os Les Bleus nas mãos de Stéphan. “O Guy é um assistente, um conselheiro técnico, um confidente e um amigo, tudo junto”, disse o selecionador ao Le Figaro. “Ele é tudo isso. Não é um yes man. Isso é o mais importante para mim. Fiz questão de me rodear de pessoas competentes e o Guy é uma delas.” Os dois, garante, costumam estar na mesma página. “Há uma ligação forte. Não precisamos de falar para nos entendermos.” Stéphan diz o mesmo: “Já nem precisamos de falar”, disse ao The Athletic. “Um olhar é o suficiente quando estamos no campo ou no treino.”Stéphan, de 69 anos, é o braço direito de Deschamps há 17 anos. Os dois estiveram juntos na equipa técnica do Marselha durante três anos e, nos últimos 14, com a seleção francesa. Os dois mantêm rituais que os aproximam: antes de cada jogo, Deschamps rapa sempre a cabeça do adjunto – “ele tem um talento para barbeiro”, comentou Stéphan com o jornal francês.O número dois de Deschamps entrou no futebol cedo, mas por pressão do pai decidiu ir estudar para professor. “A minha carreira provavelmente teria sido diferente, não melhor ou pior, se me tivesse tornado profissional antes de estudar”, disse o treinador, que se definia como “um bom jogador, não um grande jogador”. Um grave acidente de carro afastaria de vez o sonho de brilhar em campo: partiu o maxilar, uma perna e um cotovelo e teve uma lesão cerebral que o deixou em coma.
Mais tarde, decidiu tornar-se treinador. Passou pela segunda liga francesa e depois pelo Lyon e o Girondins, até entrar na seleção francesa como adjunto. Pelo meio, teve uma breve experiência como selecionador principal do Senegal entre 2003 e 2005. Mas a grande fatia da sua carreira – 17 anos – foi passada ao lado de Deschamps com os Les Bleus.A estrela Kylian Mbappé classifica os dois treinadores como “gémeos siameses”. “Não há Deschamps sem Stéphan”, disse o jogador ao L’Équipe. “Independentemente de todo o estatuto dele – e Deus sabe que ele é ótimo –, não há Deschamps sem Stéphan.”Esta noite de sexta-feira, em campo estará Stéphan sem Deschamps.

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