PSD em Santo Tirso exige demissão de presidente da câmara
Alberto Costa / Facebook
O PSD em Santo Tirso exige a demissão imediata de Alberto Costa (PS) da presidência da Câmara Municipal, após o Tribunal da Relação ter decidido que o autarca vai ser julgado, tal como dois ex-vereadores, por abuso de poder e peculato.
A concelhia social-democrata entende que a decisão de levar a julgamento Alberto Costa e os ex-vereadores socialistas José Pedro Machado e Tiago Araújo “tornou insustentável a sua permanência à frente dos destinos do concelho”.Fonte da Relação confirmou esta sexta-feira à Lusa que foi dado provimento a 17 de junho ao recurso do Ministério Público que deu entrada a 6 de maio após, na leitura da decisão instrutória, feita a 11 de fevereiro, o juiz ter decidido não pronunciar (não levar a julgamento) os arguidos pela insuficiência de indícios, após “cuidadosa análise” dos elementos do processo.“Quem exerce funções públicas deve pautar a sua atuação por elevados padrões de responsabilidade, transparência e credibilidade. Quando o Presidente da Câmara é chamado a responder perante a justiça por factos relacionados com o exercício das suas funções, a prioridade deve ser a defesa da instituição que representa”, afirmou o PSD local.
A concelhia entende, por esse motivo, que Alberto Costa deve “dedicar-se plenamente à sua defesa, sem envolver o Município de Santo Tirso no desgaste institucional e político que inevitavelmente resulta deste processo”, frisando que esta posição “não representa qualquer juízo antecipado sobre a culpa ou inocência do presidente da câmara”.“Pelo contrário, o PSD defende integralmente o respeito pelo princípio da presunção de inocência e pelo direito de qualquer cidadão a um julgamento justo. É precisamente para salvaguardar esses princípios, bem como a dignidade da instituição Câmara Municipal, que entendemos que Alberto Costa deve suspender o exercício das suas funções políticas enquanto decorre o processo judicial”, acrescenta.A Lusa tentou uma reação de Alberto Costa, mas até ao momento não foi possível.Nas alegações finais do debate instrutório, em 24 de novembro, o procurador do MP defendeu que os três suspeitos deviam ser levados a julgamento, considerando que houve um “uso ilegítimo” dos carros daquela autarquia do distrito do Porto.
De acordo com o processo, consultado pela Lusa, entre 2017 e 2019, os três autarcas, Alberto Costa, à data vice-presidente daquela autarquia, José Pedro Machado e Tiago Araújo, usaram carros da autarquia alegadamente para fins pessoais como idas a supermercados, restaurantes e viagens, nomeadamente aos fins de semana e em dias feriados.Aos três, o MP imputava os crimes de abuso de poder, peculato e peculato de uso, sendo que a José Pedro Machado era ainda imputado um crime de participação económica em negócio.Na ocasião, o procurador referiu que aqueles autarcas utilizavam os carros da câmara para tudo.Além disso, o procurador lembrou vários autarcas que foram condenados em Portugal pelos mesmos factos, destacando, a título de exemplo, o ex-presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia Eduardo Vítor Rodrigues.
O MP acredita que os três arguidos, ao abrigo de um “plano previamente gizado”, decidiram utilizar automóveis da câmara “para efetuar deslocações que não ao serviço da autarquia, desde 16 de julho de 2017 até, pelo menos, abril de 2019, como se tais veículos lhes pertencessem”.Do processo, constam registos da Via Verde das viaturas usadas pelos arguidos, designadamente dezenas de passagens em feriados, fins de semana ou durante a madrugada.Alberto Costa (PS) foi reconduzido no cargo na sequência dos resultados das eleições autárquicas de 12 de outubro.Já José Pedro Machado saiu da lista para o executivo municipal e foi eleito presidente da Junta de Freguesia de Santo Tirso.Tiago Araújo pertenceu ao anterior executivo, mas não integrou as listas do PS para o atual mandato.










