Incêndios: prazo para limpeza de terrenos perto de terminar
▲Para o presidente da FNAPF o prazo para limpeza de terrenos "é sempre curto"
PAULO NOVAIS/LUSA
O prazo para limpeza de terrenos, no âmbito da prevenção de incêndios rurais, termina terça-feira, e as associações de proprietários pedem “tolerância” antes das autuações, numa altura em que a GNR efetuou já 122 detenções por incêndio florestal.
Segundo avançou à Lusa fonte da GNR, até 28 de junho, registaram-se “122 detidos e 781 suspeitos identificados, num total de 2.869 crimes de incêndio florestal”.De acordo com a mesma fonte, até domingo, registaram-se 4.091 ocorrências de incêndio florestal, quando até 30 de maio se tinham registado 2.921, número que comparava com 795 ocorrências no período homólogo até ao final de maio de 2025.Na comparação com o ano passado, os 122 detidos ultrapassam em quase uma centena as 23 detenções em 2025 e os 781 suspeitos identificados tinham-se ficado por 384, no âmbito de 1.594 crimes de incêndio florestal.
Relativamente à área ardida, a fonte da GNR referiu que, segundo dados provisórios, foram consumidos “à volta de 14.018 hectares [ha]”, quando até 30 de maio tinham ardido 10.501,1 ha, comparativamente com 3.673,4 ha no período homólogo do ano transato.A GNR registou 263 contraordenações, relacionadas com queimas e queimadas e utilização de maquinaria, em comparação com 361 no período homólogo do ano passado, mas a justificação para menos autos pode estar relacionada com o alargamento do prazo para a conclusão da limpeza de terrenos.Na gestão de combustível, para prevenção de fogos rurais, a GNR “realizou 8.548 sinalizações de terrenos para serem limpos”, enquanto no mesmo período do ano passado “foram realizadas 10.417 sinalizações”, números até 26 de junho, mas que se reportam ao final de abril.No entanto, a GNR teve “um reforço” da sua atividade no âmbito da tempestade Kristin, nos distritos de Leiria, Castelo Branco, Coimbra e Santarém, tendo registado até 30 de maio “cerca de 3.300 sinalizações” de carga combustível, o que eleva para pelo menos 11.848 terrenos por limpar.
Para o presidente da Federação Nacional de Associações de Proprietários Florestais (FNAPF), Luís Damas, o prazo para limpeza de terrenos “é sempre curto”, nomeadamente devido ao período de precipitação e falta de mão-de-obra, mas as pessoas estão a limpar e, por causa das autuações da GNR, “vão cumprir”.“O que nos preocupa é aquelas áreas que não são feitas, mas quem substitui, está na lei, são as autarquias. Claro que as autarquias, muitas nem têm capacidade de fazer o seu trabalho, quanto mais fazer o dos proprietários”, afirmou.Embora admitindo que “já há uma aprendizagem de ano para ano”, notou que este ano as tempestades “também tiraram recursos e deslocalizaram muitas empresas e meios para acudir” às zonas afetadas, para “desobstruções de estradas”, de “empreiteiros e prestadores de serviços que faziam esta operação agora antes do Verão”.“Há muitos trabalhos que ainda vão decorrer, o que a gente pede é que […] mais a GNR, que as pessoas que já disseram que iam fazer, que não sejam logo multados no dia 01 [de julho], mas que lhe dê ainda tempo de resolver o problema”, salientou Luís Damas.
Caso contrário, acrescentou, se forem autuados têm de pagar a coima e depois podem não ter dinheiro para a limpeza, o “que é mau para todos”, porque a limpeza não é para ter rentabilidade da floresta, mas “sim um encargo”, de “terem prédios rústicos”.Nesse sentido, pediu que “haja uma tolerância e pedagogia. As pessoas, as que estão sinalizadas, vão fazer [a limpeza] com certeza” e, nas associadas da FNAPF, há muito trabalho que está já contratado e as equipas de sapadores e empreiteiros “têm muito trabalho ainda em carteira”.Além disso, Luís Damas apontou outra condicionante, relacionada com a limitação de trabalhos até às 11h00 devido ao risco de incêndio, apesar de em algumas situações se poder pedir para prolongar o período mediante várias condições de segurança.O prazo para os trabalhos de gestão de combustível na rede secundária, no âmbito das medidas de prevenção de incêndios rurais, foi prolongado pelo Governo até 30 de junho, para todo o território nacional, após numa primeira fase apenas vigorar nos concelhos abrangidos por declaração de calamidade, devido às tempestades de janeiro e fevereiro.
“O nosso objetivo não é a multa em si”, assegurou fonte da GNR, notando que, perante o anunciado aumento de temperaturas, as pessoas devem acautelar a importância da limpeza com a utilização de maquinaria em períodos de risco de incêndio.










