Turismo aéreo contribui para aumento das rendas em Portugal
▲A pressão exercida pelo turismo pode criar uma perda de 200 milhões de euros por ano
INÊS LACERDA/OBSERVADOR
A Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável indicou esta segunda-feira que as chegadas de turistas por avião contribuem para o aumento das rendas das casas em Portugal, defendendo uma mudança do modelo de desenvolvimento turístico do país.
A associação ambientalista cita um novo estudo sobre os impactos económicos do crescimento do transporte aéreo e do turismo publicado hoje pela Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E, na sigla inglesa), que a Zero integra.O estudo “demonstra que o aumento contínuo das chegadas por via aérea não só agrava os impactos ambientais e climáticos, como também contribui para a pressão sobre o mercado habitacional, reduz o investimento produtivo na economia e não assegura uma melhoria significativa dos salários ou da qualidade de vida das populações”, acrescenta em comunicado.Os preços das habitações e das rendas são sensíveis à chegada de turistas internacionais, independentemente do meio de transporte utilizado, mas o estudo isola a contribuição do transporte aéreo, considerando que Portugal se encontra entre os países que poderão sofrer “uma das maiores pressões sobre os preços da habitação e das rendas”.
Segundo a Zero, a análise estima que “a renda média anual das casas em Portugal, em áreas de maior pressão turística, aumente 193 euros por ano para novos contratos, ao longo dos próximos cinco anos (2026-2031)”.Os ambientalistas salientam que estes resultados fazem aumentar as suas preocupações em relação “à expansão da capacidade aeroportuária na região de Lisboa”.“Aos impactos conhecidos em matéria de emissões de gases com efeito de estufa, ruído, poluição atmosférica, degradação da biodiversidade e pressão sobre as infraestruturas urbanas, junta-se agora um efeito económico frequentemente negligenciado: o agravamento da crise da habitação e da pressão turística sobre o território”.Além disto, o estudo mostra igualmente que “a pressão exercida pelo crescimento do turismo associado ao tráfego aéreo sobre o aumento dos preços da habitação pode produzir efeitos negativos na produtividade da economia portuguesa”, referindo projeções que indicam que o investimento empresarial poderá sofrer uma quebra de 0,5% no período 2019-2031, o que corresponde, em termos absolutos, “a uma perda estimada em cerca de 200 milhões de euros por ano”.
Neste contexto, a Zero defende que “Portugal deve orientar a sua política pública para a qualificação do turismo e não para a sua expansão ilimitada”, sustentando que o país “beneficiará mais de um modelo assente na qualidade do turismo, na sustentabilidade ambiental, na proteção da habitação acessível e na diversificação da sua base económica do que de uma estratégia focada em maximizar o número de voos e passageiros”.Assinala que esta escolha está “plenamente alinhada com a Estratégia Nacional para o Turismo Sustentável, que privilegia a criação de maior valor económico, social e ambiental em vez do simples aumento do número de visitantes”.Para estimular um turismo mais sustentável, a Zero sugere que se avalie a criação de “uma taxa cobrada aos passageiros quando abandonam o país por via aérea”, existente em vários países europeus.Esta taxa de partida “poderá contribuir para internalizar parte dos custos ambientais e sociais associados ao transporte aéreo e gerar receitas destinadas à valorização do património cultural e natural, à melhoria da qualidade ambiental, ao reforço da mobilidade sustentável e à qualificação do próprio setor turístico”, adianta.









