Roubini: mercados estão a "punir" Trump
▲O economista Nouriel Roubini previu a crise financeira mundial de 2008
DENNIS M. SABANGAN/EPA
O economista Nouriel Roubini, que previu a crise financeira mundial de 2008, acredita que os mercados estão a “punir” Donald Trump pelas suas decisões, fazendo com que o presidente dos EUA recue, nomeadamente nas tarifas e no conflito com o Irão.
Numa intervenção na cerimónia de abertura da 19.ª edição do QSP Summit, no Porto, o economista destacou o poder dos mercados, que punem os decisores políticos por aquelas que considera serem medidas menos positivas.O economista diz que, por isso, está mais “otimista”. “Se algo estiver errado os mercados punem”, indicou. Segundo Roubini, de cada vez que os mercados caem como resultado de uma medida, Trump “acobarda-se” e recua.“A disciplina do mercado vai restringir más políticas”, assegurou, apontando que se o mercado achar que a “política é estúpida” força a correções, dando o exemplo dos mercados emergentes, mas também das economias avançadas.
Segundo Roubini, a razão pela qual a ex-primeira-ministra britânica, Liz Truss, durou apenas 44 dias no cargo foi porque os mercados não gostaram das políticas que implementou.E mesmo os EUA estão sujeitos à “bondade de estranhos”, que são os mercados. Em declarações à margem da conferência, Roubini admitiu, no entanto, que “nem sempre o mercado está certo”.“Milhões de investidores domésticos ou de outras economias estrangeiras fazem decisões sobre se um país tem a regulação certa, as políticas estruturais certas, a governança certa, a estabilidade política certa, a capacidade de reduzir a burocracia excessiva”, apontando que esta avaliação decide os seus investimentos.“E se alguns países fazem políticas muito erradas, são punidos”, indicou, em áreas como a dívida soberana, a moeda, os mercados de capitais, entre outros fatores.
“Não estou a dizer que os investidores são sempre perfeitos, mas quase sempre veem o mundo e tentam recompensar os países, as empresas e os setores que estão a fazer a coisa certa e tentam punir aqueles que não estão”, destacou.“A punição pode ser brutal mas, às vezes, força mudanças políticas, ajustes macro, reformas estruturais que são necessárias”, rematou.










