Sesimbra. Nova concelhia do PS provoca "baixas" na autarquia
▲Sérgio Faias foi deputado municipal do PS entre 2017 e 2025
TIAGO PETINGA/LUSA
Dois vereadores e dois deputados municipais eleitos pelo Partido Socialista (PS) em Sesimbra desvincularam-se do partido e vão exercer os mandatos como independentes, alegando divergências com a nova liderança da Comissão Política Concelhia, eleita em 19 de junho.
A decisão envolve os vereadores Sérgio Faias e Bertina Duarte (independente eleita nas listas do PS) e os deputados municipais Paulo Caetano (independente) e Afonso Pessoa, que comunicaram a desvinculação das listas do PS aos presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal de Sesimbra, bem como aos órgãos competentes do PS.Em declarações à Lusa, o vereador Sérgio Faias confirmou a decisão dos quatro eleitos pelo PS, acrescentando que se desfiliou do partido, após cerca de 30 anos de militância, devido à “impossibilidade de trabalhar com a nova direção concelhia”.“O que está aqui em causa é uma divergência com o conjunto de pessoas que foram eleitas para a liderança da concelhia e com as quais não estou disponível para trabalhar”, afirmou.
Sérgio Faias disse ainda não acompanhar “abordagens e métodos” de alguns elementos da nova liderança da concelhia, que acusa de terem adotado, ao longo dos anos, “atitudes de desrespeito para com militantes socialistas”.“Não me revejo nesta liderança e considerei que a única forma de garantir que não estava a violar os estatutos do partido era desvincular-me”, disse.Sérgio Faias assegurou, no entanto, que os quatro eleitos continuarão a cumprir o mandato que lhes foi conferido nas eleições autárquicas de outubro de 2025, bem como o programa eleitoral do PS para o município sesimbrense.“Esse continuará a ser o nosso guião, porque foi sufragado por mais de seis mil eleitores”, afirmou.Contactado pela Lusa, o presidente eleito da Comissão Política Concelhia do PS de Sesimbra, Ricardo Alves Mendes, disse estar surpreendido com a decisão dos quatro eleitos pelo PS, assegurando que tentou estabelecer contactos com Sérgio Faias para preparar a transição entre direções.
“Tentei contactá-lo por telefone e por mensagem para fazermos uma passagem de pasta e trabalharmos em conjunto, mas nunca obtive resposta. Fui agora confrontado com a notícia da desvinculação através da comunicação social”, afirmou.Ricardo Alves Mendes rejeitou as acusações feitas pelos autarcas à nova direção, considerando que “muito do que foi dito é inverdade” e reiterou que sempre teve intenção de trabalhar com todos os eleitos socialistas, independentemente das divergências durante o processo eleitoral interno.“O mandato pertence aos eleitos e eu tinha plena consciência de que teria de trabalhar com o vereador Sérgio Faias, com a vereadora Bertina Duarte e com os restantes eleitos. Sempre houve disponibilidade da minha parte para encontrar pontos de entendimento”, frisou Ricardo Alves Mendes.O novo líder concelhio do PS de Sesimbra recordou ainda que a sua candidatura venceu as eleições internas com cerca de “55% dos votos dos militantes” e lembrou que “não foi apresentada qualquer impugnação ao ato eleitoral”.
Mesmo admitindo que perder quatro eleitos de uma vez foi um golpe duro para o partido, Ricardo Alves Mendes garantiu que o PS continuará representado na Assembleia Municipal e nos restantes órgãos autárquicos do concelho e que a nova direção prosseguirá o seu trabalho político.“É uma situação difícil, mas o Partido Socialista continuará a defender as suas propostas e a preparar uma alternativa para o concelho”, concluiu.










