CIÊNCIA

Estado de prontidão da Proteção Civil elevado para nível 3

O estado de prontidão especial do dispositivo de combate a incêndios deverá ser ativado para nível alto entre quinta-feira e o fim de semana, anunciou esta quarta-feira o secretário de Estado da Proteção Civil.
“A prontidão vai sendo determinada em função das condições. Nestes dias está em cima da mesa já para amanhã [quinta-feira] ou para depois, para o fim de semana, que o estado de prontidão especial determinado pela ANEPC [Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil] vai elevar para o nível 3”, disse Rui Rocha no parlamento, no âmbito de uma interpelação ao Governo agendada pelo Livre, sobre a época de incêndios.A elevação do estado de prontidão especial “determina um nível de empenhamento diferenciado de todos os operacionais”, acrescentou Rui Rocha.O Estado de Prontidão Especial (EPE) de Nível 3 da Proteção Civil é um nível intermédio/alto de alerta que determina o reforço de meios e a prontidão reforçada das equipas de socorro e operacionais para intervenção iminente ou resposta a situações de catástrofe, numa escala com quatro níveis progressivos, segundo informação oficial.
No debate da tarde de quarta-feira no parlamento, o Governo foi questionado pelo PS sobre uma eventual falta de clarificação sobre como se vai processar a articulação entre a atuação das Forças Armadas e da Proteção Civil, depois de o executivo ter anunciado que este ano as forças militares passam a ter capacidade de reação imediata no combate aos incêndios, quando o que está previsto legalmente é que essa atuação apenas possa acontecer por pedido das autoridades de Proteção Civil.Sem entrar em grandes detalhes, Rui Rocha disse que “no que diz respeito à logística, ela também está bem explícita, de quem é a sua responsabilidade e como é que ela deve funcionar”, sublinhando que o importante é manter os níveis de sucesso no ataque inicial e continuar a manter a capacidade de conter os fogos nos primeiros 90 minutos das ignições.Questionado sobre o apoio aos municípios no combate aos incêndios e sobre o trabalho de limpeza na região centro, a mais afetada pelas tempestades de inverno, e onde muitas árvores permanecem derrubadas, Rui Rocha admitiu que existe nessas localidades “muito material lenhoso” ainda por limpar e que isso é “uma preocupação”.Sobre o pré-posicionamento de meios de combate no terreno, o secretário de Estado da Proteção Civil disse que o Governo está a trabalhar para “aproveitar a inteligência artificial para fazer de forma quase automática, com as correções que se imponham, esta questão do pré-posicionamento sobre aquilo que é a antecipação de determinadas condições meteorológicas” que se possam registar.
“Está a ser feito e ainda por estes dias vai ser feito, quer do ponto de vista dos meios terrestres, quer do ponto de vista dos meios aéreos”, disse, sobre o trabalho que está a ser feito em conjunto com o secretário de Estado da Digitalização.A ANEPC alertou esta quarta-feira para o perigo de incêndio rural “muito elevado a máximo” em todo o território nos próximos dias devido à previsão de tempo quente, recomendando à população medidas preventivas.Em comunicado, a ANEPC refere que o agravamento das condições meteorológicas para os próximos dias tem como “efeitos expectáveis” o agravamento do perigo de incêndio, com condições favoráveis à eventual ocorrência e propagação de incêndios rurais, bem como o aumento da dificuldade das ações de supressão, na generalidade do território continental.Também o dispositivo de combate a incêndios rurais foi reforçado esta quarta-feira para a sua capacidade máxima, numa altura em que a área ardida e o número de fogos duplicaram em relação ao mesmo período de 2025.
A Diretiva Operacional Nacional (DON), que estabelece o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para este ano, indica que os meios são reforçados esta quarta-feira pela terceira vez este ano com a entrada em vigor do denominado reforçado – nível Delta, que se prolonga até 30 de setembro.O DECIR prevê para esta altura do ano 81 meios aéreos, três dos quais os helicópteros da AFOCELCA (empresa de proteção florestal vocacionada para o combate a incêndios rurais). Pela primeira vez este ano vão estar ao serviço os dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea.Segundo o DECIR, vão estar ao dispor nos próximos três meses, entre permanentes e mobilizáveis, 15.149 operacionais de 2.596 equipas e 3.463 viaturas, um ligeiro aumento em relação a 2025.Os mais de 15.000 operacionais envolvidos no DECIR são elementos pertencentes aos bombeiros voluntários, Força Especial de Proteção Civil, militares da Guarda Nacional Republicana e elementos do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, nomeadamente sapadores florestais e sapadores bombeiros florestais.
Uma das novidades introduzidas este ano no DECIR, segundo a ANEPC, é a utilização do retardante (substância química usada para reduzir, atrasar ou impedir a propagação do incêndio e consequentemente auxilia no controlo e extinção do fogo) por um maior número de meios aéreos, passando a estar disponível em cinco centros em vez de um.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Adblock Detectado

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.