PF investiga financiamento público do filme de Bolsonaro
▲A investigação foi autorizada pelo juiz Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal
ANDRE BORGES/EPA
A Polícia Federal do Brasil abriu inquérito para investigar possível irregularidade na produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, com uso de recurso público, confirmou o chefe do órgão, Andrei Rodrigues.
Os recursos públicos em questão são as chamadas emendas parlamentares, verba do Orçamento federal que permite deputados e senadores enviarem recursos para seus redutos eleitorais para custear, por exemplo, projetos e obras.A investigação foi autorizada pelo juiz Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, na última sexta-feira, segundo informou o Andrei Rodrigues em conferência de imprensa.“A nossa equipa já deu os encaminhamentos necessários (…) para prosseguir nas investigações”, informou o diretor-geral da Polícia Federal.
A suspeita é que cinco deputados bolsonaristas do Partido Liberal (PL) tenham destinado 4,6 milhões de reais, o equivalente a 777 mil euros, em recursos públicos a entidades ligadas à produção do filme.A Controladoria-Geral da União, ministério que fiscaliza gastos e atividades do Governo federal, iniciou no mês passado uma auditoria sigilosa sobre o possível desvio de finalidade do recurso público.Dark Horse tornou-se uma pedra no sapato do senador e pré-candidato a presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro, após o portal The Intercept Brasil revelar, em maio, que o então banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar o filme.Os áudios mostram que Flávio negociou 134 milhões de reais (cerca de 22,65 euros na cotação atual) com Vorcaro, e que o banqueiro chegou a pagar 64 milhões de reais (10,9 milhões de euros).
Uma das conversas aconteceu em novembro passado, um dia antes do então banqueiro ser preso pela polícia brasileira por fraude financeira ligada ao Banco Master.Desde então, a imprensa brasileira tem feito reportagens sobre atividades suspeitas de empresas e pessoas ligadas a produção do filme, além de mostrar contradições de Flávio e políticos sobre o financiamento da cinebiografia.Uma ONG da empresária Karina Gama, dona da Go UP, produtora do Dark Horse foi alvo de operação da Polícia Civil do Estado de São Paulo no mês passado por possível fraude na execução de um contrato milionário.A suspeita das autoridades policiais é que a ONG, Instituto Conhecer Brasil, que até então atuava na realização de eventos religiosos, não instalou os 5 mil pontos de internet gratuita na cidade de São Paulo.










