TECNOLOGIA

“Marca-passo” cerebral ajuda pacientes com Parkinson a voltar a caminhar

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco desenvolveram um tipo de “marca-passo cerebral” capaz de ajustar a estimulação neural em tempo real. A tecnologia foi testada em pacientes com doença de Parkinson e busca melhorar a capacidade de caminhar, uma das funções mais afetadas pela condição.Continua após a publicidadeO estudo, publicado recentemente no periódico Nature Medicine, tem como autora principal a cientista Doris D. Wang, que utilizou um sistema que identifica sinais do cérebro associados ao ato de caminhar. A partir dessas informações, o dispositivo altera automaticamente a estimulação aplicada, acompanhando as mudanças do corpo.Segundo a equipe responsável, o objetivo da inovação é superar as limitações dos aparelhos tradicionais de estimulação cerebral profunda, que operam com padrões fixos e não acompanham a dinâmica variável do ato de caminhar.Tecnologia ajusta estímulos cerebrais em tempo real para melhorar a marcha
A doença de Parkinson compromete os movimentos do corpo – Imagem: R Photography Background/ShutterstockO sistema desenvolvido pelos cientistas da UCSF funciona como uma estimulação cerebral profunda adaptativa. Diferente dos modelos convencionais, ele identifica sinais neurais ligados ao movimento das pernas e ajusta a resposta elétrica quase instantaneamente, conforme o paciente caminha.Nos testes realizados em ambiente controlado e também no cotidiano dos participantes, houve melhora na simetria da caminhada e redução da variabilidade dos passos. Os voluntários também relataram menos quedas ao longo do período de uso da tecnologia.Apesar dos resultados iniciais positivos, o número reduzido de participantes limita conclusões mais amplas. A equipe de pesquisa destaca que novos estudos serão necessários para avaliar a eficácia em diferentes estágios da doença e em populações mais diversas.
Cérebro humano – Imagem: The Human Organ Atlas Collaboration/European Synchrotron Radiation FacilityOutro ponto observado é que os sinais cerebrais mais úteis para orientar o dispositivo não são iguais entre os pacientes. Em alguns casos, eles foram detectados no córtex cerebral; em outros, em regiões mais profundas, como os gânglios da base.

Essa variação reforça a necessidade de sistemas personalizados, capazes de identificar padrões individuais de atividade cerebral sem depender de configurações únicas para todos os pacientes.Os pesquisadores também apontam desafios técnicos para tornar a tecnologia mais acessível. O modelo atual depende de sensores adicionais e equipamentos ainda experimentais, o que dificulta sua aplicação clínica em larga escala.A proposta futura é desenvolver versões que utilizem apenas dispositivos já implantados em tratamentos convencionais e que consigam identificar automaticamente os sinais cerebrais relevantes, reduzindo a intervenção médica direta.Além da melhora na locomoção, os cientistas avaliam que a abordagem pode ser expandida para outros sintomas do Parkinson, como alterações de humor, sono e cognição. A mesma lógica também está sendo estudada para outras doenças neurológicas que envolvem disfunções cerebrais.

Wagner Edwards

Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.

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