UE. Irlanda quer interconexões com a Península Ibérica
▲Darragh O'Brien disse que as crises energéticas demonstraram a "excessiva dependência dos combustíveis fósseis russos"
MORRIS MACMATZEN / POOL/EPA
A presidência irlandesa do Conselho da União Europeia (UE) quer promover o reforço das interconexões da Península Ibérica com o resto do espaço comunitário para aumentar a resiliência das redes, disse esta quinta-feira o ministro da Energia da Irlanda.
“Posso assegurar-vos de que a interconexão é uma prioridade na nossa perspetiva”, afirmou em Cork o ministro do Clima, da Energia, do Ambiente e dos Transportes, Darragh O’Brien, em declarações à imprensa europeia, incluindo a Lusa, que esta semana está a visitar a Irlanda no âmbito da presidência irlandesa do Conselho da UE.“Como uma nação insular, é particularmente importante compreender as diferentes formas de interligação. Estamos a construir neste momento o nosso primeiro interconector com a França, que será a nossa primeira ligação à Europa Continental e à União Europeia e estará operacional em 2028, e muito recentemente assinei um memorando de entendimento para o primeiro interconector entre a Irlanda e a Espanha e, consequentemente, com a Península Ibérica”, referiu Darragh O’Brien.A posição surge no dia em que Portugal e Espanha inauguraram uma nova interligação elétrica num investimento de 70 milhões de euros do lado português, destinada a reforçar as trocas de eletricidade entre os dois países e a integrar mais energias renováveis.
Surge também quando a arranca a presidência da Irlanda do Conselho da UE, que irá decorrer até dezembro.“Para sermos justos, todos os ministros da Energia — e isto não se aplica apenas aos Estados insulares — reconhecem a importância de reforçar as nossas redes elétricas e as interligações. A interconexão tem sido um elemento central do pacote relativo às redes, mas precisamos de ver como isso será implementado e que tipo de apoio será disponibilizado também a nível europeu”, elencou Darragh O’Brien.De acordo com o ministro irlandês, as últimas duas crises energéticas relacionadas com as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente demonstraram a “excessiva dependência dos combustíveis fósseis russos” da UE.“A resiliência das nossas redes e das suas interligações será absolutamente crítica, assim como o investimento dos Estados-membros nas suas próprias redes”, concluiu o responsável, respondendo a uma questão da agência Lusa.
O reforço das interligações energéticas entre Portugal, a Península Ibérica, e o resto da UE tem vindo a ser discutido há vários anos, mas nunca avançou totalmente, sobretudo devido ao ceticismo francês, apesar de ser importante para aumentar a segurança energética, reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, diminuir os custos e facilitar a transição para as energias renováveis.O comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, saudou esta quinta-feira a inauguração da nova interligação elétrica entre Portugal e Espanha, considerando que infraestruturas deste tipo são essenciais para reduzir os preços da energia.A nova ligação é de muito alta tensão e faz parte do eixo elétrico entre o Minho e a Galiza, ligando a rede portuguesa à rede espanhola, através das subestações de Ponte de Lima, Fontefría e Beariz.A nova ligação entra em serviço pouco mais de um ano depois do apagão ibérico de 28 de abril de 2025, que afetou Portugal e Espanha e mostrou a importância de aumentar a resiliência da rede energética da UE, numa altura em que a Península Ibérica tem uma conectividade abaixo dos 3% com o resto da União.
O Governo português tem vindo a defender um aumento da interligação energética de Portugal com o resto do bloco europeu para 15% até 2030, em linha com o projetado pela UE.










