Lítio. Especialista critica estudos da mina do Barroso
▲O projeto mineiro foi viabilizado pela APA
PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA
Um especialista de uma universidade canadiana concluiu que os estudos de qualidade do ar utilizados para fundamentar a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da mina do Barroso, Boticas, apresentam “limitações significativas”, divulgou uma associação de Covas do Barroso.
A associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) anunciou hoje que promove no sábado, em Boticas, distrito de Vila Real, uma sessão pública dedicada à análise dos potenciais impactos da mina de lítio do Barroso na qualidade do ar e à avaliação dos estudos ambientais que serviram de base à aprovação do projeto.O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma DIA favorável condicionada em 2023. A empresa Savannah Resources pretende iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.A apresentação promovida pela UDCB, associação criada para lutar contra as minas, vai ter como ponto central o trabalho desenvolvido pelo professor Douw G. Steyn, especialista em qualidade do ar e meteorologia ambiental da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, que analisou a documentação técnica e ambiental produzida no âmbito do processo de Avaliação de Impacte Ambiental da mina do Barroso.
A associação adiantou em comunicado que, de acordo a análise apresentada pelo especialista, os estudos de qualidade do ar utilizados para fundamentar a DIA apresentam “limitações significativas”, incluindo “campanhas de monitorização de curta duração, insuficiente caracterização das condições meteorológicas locais, modelação inadequadamente descrita e ausência de informação considerada essencial para avaliar os potenciais impactos das emissões de poeiras associadas à exploração mineira”.O relatório de Douw G. Steyn concluiu, de acordo com a UDCB, que a “informação atualmente disponível não permite determinar com segurança quais serão os impactos da mina na qualidade do ar, na saúde humana e no ambiente”, questionando, por isso, “as conclusões que sustentaram a aprovação ambiental do projeto”.O especialista classificou, neste relatório, como uma “omissão grave” a “ausência de explicação transparente sobre o modelo de dispersão utilizado para compreender a distribuição espacial (e temporal) dos poluentes emitidos”.Defendeu “uma análise abrangente do teor de metais pesados nos materiais a serem extraídos, com o consequente ajuste dos planos de monitorização”, e apontou que uma das “medidas de mitigação de poeira consiste em molhar as vias como mecanismo de supressão”, no entanto, realçou que “esta região sofre de escassez hídrica notória, especialmente no verão” e que esta é “uma questão não pode ser ignorada”.
Nesta sessão, segundo a UDCB, vão ser apresentadas as conclusões do relatório ao público, promover-se-á o debate e esclarecer-se-ão dúvidas da população sobre um dos aspetos ambientais que, para a associação, é “mais relevante” no projeto de exploração mineira a céu aberto proposto para esta região.Em maio, o Ministério do Ambiente autorizou uma segunda servidão administrativa, que permite à Savannah entrar em terrenos comunitários e privados para trabalhos de geotecnia, a qual foi contestada em tribunal através de uma providência cautelar interposta pelo Conselho Diretivo dos Baldios da Freguesia de Covas do Barroso, que levou à suspensão das prospeções por cerca de 20 dias.A concessionária anunciou na segunda-feira a retoma os trabalhos depois do Ministério do Ambiente apresentar uma Resolução Fundamentada que invoca o interesse público do projeto.









