Piores ataques russos a Kiev causam pelo menos 30 mortos
▲António Guterres, "condenou veementemente" o ataque e apelou à "desescalada" e a um cessar-fogo.
SERGEY DOLZHENKO/EPA
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Pelo menos trinta pessoas foram mortas em Kiev, segundo um balanço divulgado esta sexta-feira pelas equipas de socorro, no pior ataque com drones e mísseis russos contra a capital ucraniana desde o início da guerra.Kiev prometeu na quinta-feira retaliar contra Moscovo, que anunciou a intenção de prosseguir com os ataques.“A Rússia ataca alvos civis apenas para obrigar a Ucrânia a renunciar ao seu Estado”, afirmou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que se deslocou ao local dos bombardeamentos, garantindo que a Ucrânia irá retaliar.
Mais de quatro anos após o início da invasão do país pelo exército russo, Moscovo lança regularmente ataques massivos, envolvendo centenas de drones e dezenas de mísseis, contra a Ucrânia e a capital.Kiev, com meios muito mais limitados, nomeadamente em termos de mísseis, também intensificou os ataques contra o território russo, infligindo golpes, em particular, no setor petrolífero.Na noite de quarta para quinta-feira, a Ucrânia foi alvo de 496 ataques com drones e de 74 com mísseis de diferentes tipos, dos quais 476 e 48, respetivamente, foram intercetados, segundo a Força Aérea ucraniana.Kiev foi alvo de ataques específicos. Jornalistas da AFP ouviram explosões durante várias horas e o alerta aéreo durou mais de 11 horas seguidas.Após a descoberta de três novos corpos nos escombros, o balanço do ataque voltou esta sexta-feira a ser revisto em alta, para 30 mortos, segundo os serviços de emergência da capital.
O chefe da administração militar de Kiev, Tymour Tkachenko, tinha, pouco antes, anunciado o registo de 27 mortos e 91 feridos.Partes inteiras de edifícios residenciais ruíram, um edifício que albergava ambulâncias foi atingido e, segundo a porta-voz da União Europeia, Anitta Hipper, os escombros caíram sobre um edifício que “albergava vários diplomatas”.Um dos principais armazéns da Cruz Vermelha ucraniana, que continha ajuda humanitária, também foi “destruído”.Trata-se do ataque “mais massivo” contra a capital desde o início da invasão russa da Ucrânia em 2022, afirmou o presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko, que declarou esta sexta-feira um “dia de luto”.
“A Rússia vai continuar a aumentar a pressão sobre o regime de Kiev para conseguir alcançar os objetivos a que se propôs”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a jornalistas, entre os quais da agência France-Presse (AFP).Zelensky exortou, por seu lado, os aliados da Ucrânia a fornecerem mais meios de defesa antiaérea ao país. O chefe de Estado manifestou ainda a esperança de que o assunto seja abordado na cimeira da NATO, prevista para os próximos dias 7 e 8 em Ancara.O Presidente norte-americano, Donald Trump, que, desde o regresso ao poder, tem vindo a envidar esforços para mediar o conflito, afirmou desejar um acordo de paz entre Kiev e Moscovo para pôr fim aos “massacres sem sentido”.Segundo Berlim, o ataque russo sublinha que “Putin não demonstra qualquer vontade de negociar”. Paris também denunciou a “obstinação” de Moscovo em prosseguir a guerra.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, “condenou veementemente” o ataque e apelou à “desescalada” e a um cessar-fogo.Já o Ministério da Defesa russo referiu-se a um “ataque massivo” levado a cabo “em resposta aos ataques terroristas do regime de Kiev contra infraestruturas civis”, assegurando que os alvos dos ataques contra Kiev e contra a região da capital foram “empresas da indústria militar e instalações energéticas”.Nas ruas de Kiev, os habitantes acorreram aos abrigos, alguns com colchões debaixo do braço. Cerca de 52.000 pessoas, incluindo 4.500 crianças, refugiaram-se no metro, no maior afluxo registado durante a noite nos últimos anos, segundo o operador do metro da capital.Em retaliação aos ataques russos, a Ucrânia intensificou os ataques contra refinarias e depósitos de petróleo na Rússia, provocando escassez de combustível no país.Na noite de quarta para quinta-feira, na Rússia, um civil foi morto na região de Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, e outro na região de Nijni Novgorod, a 400 quilómetros a leste de Moscovo, em ataques com drones, segundo as autoridades locais russas.










