CIÊNCIA

Mónica Neto: "É inevitável pensar em comprar português"


“Na verdade, o Portugal Fashion não consegue parar; a nossa atividade é permanente porque temos a responsabilidade de representação destas marcas para continuamente perceber o que podemos fazer a seguir e para onde podemos ir”, diz ao Observador a diretora da plataforma, que explica que o evento é apenas uma componente desta cadeia. “O que faz sentido é termos uma comunicação forte de tudo o que há de melhor na moda portuguesa. Nós conseguimos conciliar isso com os nossos planos de internacionalização, que é algo que também nos diferencia desde sempre, e com uma ação permanente de apoio ao desenvolvimento de negócio”, diz Mónica Neto. “Na próxima semana tenho uma série de reuniões e follow-ups sobre o que vamos conseguir fazer, por exemplo, nas semanas da moda de setembro, que demoram meses a ser preparadas. Há calendários internacionais com quem temos de ter reuniões porque eles próprios têm timings para fechar o calendário e anunciar antes das férias.”
Desde o começo do ano a plataforma já levou designers portugueses a Paris, Copenhaga e Milão, por exemplo. Nomes como David Catalán, Miguel Vieira, Ernest W. Baker e Marques’Almeida têm presença frequente em semanas da moda internacionais também através do Portugal Fashion, que abre espaço para jovens criadores através do incubator e do concurso Bloom, o que permitiu a presença de Veehana, Lo Siento, Maria Carlos Baptista ou da e.p. ate’lye, de Enzo Peres, no showroom da Paris Fashion Week em janeiro.As ações de internacionalização foram financiadas com fundos europeus do Portugal 2030, ainda da candidatura aprovada em 2025 e que também financiou o evento de julho do ano passado. Mas desde março que o projeto está sem financiamento, à espera da aprovação da candidatura submetida no final de janeiro. “As ações que estamos a fazer estão na expectativa do apoio que pode vir e na capacidade de angariar outras parcerias”, destaca Mónica Neto. “Submetemos uma proposta do plano de ação com o orçamento e, até à aprovação, o que temos obrigação de contratar é na expectativa da candidatura; é o risco que temos caso não venha a ser aprovada. Para esta edição, o orçamento é de 500 mil euros”, esclarece a diretora da plataforma.Neste sentido, o anúncio da ministra da Cultura, Desporto e Juventude, ao fim do showcase da Esad, um desfile com as criações dos estudantes que concluem a licenciatura em Design de Moda, traz alguma esperança ao setor. Numa participação rápida no evento, Margarida Balseiro Lopes destacou as alterações nas regras para o Mecenato Cultural, que passa a incluir a moda entre as atividades elegíveis. “Para quem vem aos eventos, se calhar não é tão percetível, mas há um trabalho permanente de acompanhamento, mentoria e criação de pontes: as relações com a indústria e com os mercados internacionais. Portanto, sim, acreditamos que isto pode ser interessante para o apoio a esta plataforma permanente, muito para além dos eventos. Até pode abrir portas a outro tipo de parcerias, consultoras de negócio e uma série de outras entidades que também podem entrar”, considera Mónica Neto.

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