A “invasão do soccer" no aniversário da América
No Main Street Garden, logo à entrada do jardim, está um grande pórtico do Mundial 2026 ao lado de uma pequena estátua da liberdade que se faz acompanhar do número 250. É o espelho de tudo o que vimos até chegar a este parque. No relvado, as crianças correm atrás de uma bola e as marcas que fazem ativações neste jardim, aproveitam para instalar balizas com jogos para os mais novos. Lucile, que vê os filhos a chutar a uma baliza, mostra-se surpreendida por gostarem tanto de futebol: “Não sei se é uma coisas passageira, ou se vão continuar a gostar, mas agora querem sempre sair de casa com uma bola de futebol. Antes só queriam futebol americano, mas acho que não é tão fácil de jogar, não sei”. Preocupada com tanta correria no calor da tarde de Dallas, Lucile chamas os filhos e pede que digam os jogadores favoritos. “Pulisic” grita um, “Messi, Messi, Messi” responde outro. Lucile diz que nem sabe quem são e que é o pai que lhes “deixa ver alguns jogos”.
Mais à frente, há um jovem que compra uma camisola de futebol num pequeno mercado de rua. É uma réplica da camisola que a seleção francesa utilizou no mundial de 98. Enquanto procura na carteira o cartão de crédito, Derick, conversa com o vendedor e refere que sempre viu futebol e que jogou durante a faculdade, nos EUA. Depois, diz ao Observador que há que aproveitar este Campeonato do Mundo para mudar algumas mentalidades: “É preciso mostrar aos norte-americanos mais conservadores que o futebol é um grande desporto, provavelmente o maior em todo o mundo. Mas nós que gostamos de futebol e que vivemos aqui na América também temos de provar ao resto do mundo que há interesse por este desporto no nosso país. Sempre que posso, ando com uma camisola dos meus clubes favoritos”. Logo depois, Derick pergunta para que país está a falar. “Portugal” respondemos. “Nunca lá fui, mas tenho uma camisola do Ronaldo, claro. Agora tenho de comprar de algum clube”, responde Derick, que confessa que comprar camisolas de futebol “é sempre um bom investimento”.O factor comercial está sempre presente. A tentativa de alienação do futebol justifica-se em grande parte devido ao lucro que pode gerar. Ron Patel, um dos vendedores do pequeno mercado de rua que está ao lado do Main Street Garden, explica que sempre teve camisolas de futebol à venda, mas “costumavam ser poucas”. “Era algumas do Messi, do Maradona e do Ronaldo.” Explica que também tinha algumas não oficiais apenas com bandeiras de alguns países. “Agora tento ter muito mais. Nestas semanas quase tudo o que vendo é dedicado ao futebol. Camisolas, calções, chapéus, garrafas.” Ron explica que antes do Mundial, vendia essencialmente produtos dos Dallas Mavericks — da NBA — e dos Dallas Cowboys — da NFL. Continua a ter esse produtos na mesa, “tenho sempre, mas agora que tenho tantas de futebol, vendo menos dos clubes de Dallas”.Tentámos também verificar os preços de alguns produtos. Numa banca com pequenas lembranças de Dallas, há porta-chaves, pulseiras, chapéus e até pequenas ventoinhas. Alguns têm o logo do Mundial 2026 ou as bandeiras dos países organizadores. A diferença de preços é gritante. Um porta chaves onde se pode ler Dallas em prateado custa 3.99 dólares, mas um em que se lê o nome da cidade com logótipo do Mundial no fundo, já custa 7.90 dólares. A diferença de preços também se regista nos outros produtos.









