Israel garante: "Mojtaba Khamnei está marcado para morrer"
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“Guerra Traduzida” especial Irão. Passamos agora em revista os destaques da imprensa do Médio Oriente e também dos Estados Unidos. A edição de hoje é com o jornalista Martim Madeira. Martim, boa tarde.
Boa tarde.
Começamos no Irão e pelo funeral de Ali Khamenei. Uma multidão imensa toma neste momento as ruas de Teerão para o último adeus ao antigo líder supremo.
É um cenário inacreditável, com as autoridades iranianas a descreverem esta como a maior concentração pública na história moderna do país. O cortejo fúnebre do líder supremo morto em fevereiro, num ataque israelita e norte-americano que deu início à operação Fúria Épica, atravessa hoje a capital rumo ao aeroporto de Mehrabad. As fontes locais falam em mais de 10 milhões de pessoas nas ruas, num evento que está coreografado pelo regime para mostrar apoio popular, mas o tom é tudo menos pacífico. Multiplicam-se várias bandeiras vermelhas com o símbolo xiita da vingança e os cartazes com frases como “Morte a Trump” e “Haverá sangue”, dirigidas também ao primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu. O exército iraniano já veio a público garantir que a busca por justiça é uma decisão definitiva e que Teerão não abandonará o desejo de vingança pelo assassinato do líder supremo.
E voamos até Israel. O governo israelita está a endurecer o discurso e a lançar ameaças diretas à sucessão de Ali Khamenei.
Ameaças feitas pela boca do ministro da Defesa, Israel Katz, que não usou meios-termos ao reagir às cerimônias em Teerão. Katz afirmou que Israel assassinou Khamenei por este liderar um plano de destruição do Estado judeu e deixou ainda um aviso: qualquer líder iraniano que tente promover ações semelhantes será eliminado. O ministro chegou mesmo a dizer que o filho e sucessor de Khamenei, Mojtaba, já está marcado para morrer, o que provocou uma reação mais furiosa de Teerão. No campo diplomático, Benjamin Netanyahu também reforçou, em entrevista à Fox News, que a relação com Donald Trump é excelente e que ambos veem olho a olho em 99% dos casos. Sublinha também que os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel degradaram severamente as capacidades estratégicas do Irão.
E na Faixa de Gaza, Martim, o Hamas prepara-se para dissolver o atual corpo governante do grupo.
É uma mudança política significativa que está avançada por fontes do grupo terrorista. O Hamas deverá anunciar a dissolução do comitê que monitoriza a atividade governamental em Gaza para permitir a entrada do chamado Comitê de Tecnocratas ou Comitê Nacional para a Administração de Gaza. Este novo organismo, liderado por Ali Shaat, teria poderes administrativos transferidos para o grupo num período de transição. Entretanto, também o Cairo prepara-se para acolher nas próximas 48 horas novas reuniões com as fações palestinianas e mediadores internacionais para tentar estabilizar o frágil acordo de cessar-fogo. No terreno, a tensão também continua. Um ataque de drone israelita no sul de Gaza matou pelo menos quatro pessoas nesta manhã.
No Líbano, o cessar-fogo parece estar por um fio, isto por causa dos ataques israelitas.
Apesar do acordo mediado pelos Estados Unidos no mês passado, as forças israelitas lançaram ataques aéreos contra Nabatieh, no sul do Líbano, e provocaram uma explosão na cidade de Houla durante a noite. O chefe do Estado-Maior de Israel, Yair Zamir, visitou a fronteira e descreveu o Hezbollah como estando exaurido, afirmando que as infraestruturas do grupo terrorista na região de Beaufort foram desmanteladas. Por outro lado, o presidente do Parlamento iraniano, Ghalibaf, reuniu-se em Teerão com altos funcionários do Hezbollah, reiterando outra vez que a paz no Líbano não será possível sem o papel desestabilizador do Irão e que o apoio ao eixo da resistência continuará, seja através de mísseis ou de pressão política.
E terminamos com o impacto econômico desta guerra e a movimentação estratégica no Estreito de Ormuz.
Há sinais de uma tentativa de normalização do fluxo energético, mas o nervosismo é evidente. Dados de navegação mostram que uma frota de 10 navios ligados ao Japão conseguiu sair do Estreito de Ormuz. Transportaram 12 milhões de barris de petróleo bruto da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar. Esta movimentação ocorre no momento em que a OPEC+ anunciou que vai aumentar a produção de petróleo em 180 mil barris por dia, a partir já do próximo mês de agosto, tentando também estabilizar os mercados que ainda recuperam do choque desta guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão. Contudo, a segurança marítima continua em risco. O Reino Unido reportou um ataque de assaltantes desconhecidos a um navio de carga ao largo da costa do Iémen.
E é o ponto final neste episódio da “Guerra Traduzida” para acompanhar o conflito no Irão, hoje com o Martim Madeira. Voltamos amanhã com mais destaques da imprensa sobre este conflito.










