Moçambique. Presidente pede a faculdades ensino empregável
▲Daniel Chapo fala sobre a importância do ensino superior no desenvolvimento do país
JOSÉ COELHO/LUSA
O Presidente moçambicano admitiu nesta segunda-feira que o ensino superior enfrenta desafios relativos ao desalinhamento da formação com as necessidades do mercado e insuficiência de investigação aplicada, pedindo às universidades para formarem capital humano produtivo e empregável.
“Temos de reconhecer, com frontalidade, que o atual modelo de ensino superior enfrenta limitações importantes. Persistem desafios relacionados com o desalinhamento de formação e mercado, a fraca ligação entre universidades e setor produtivo, a insuficiência da investigação aplicada, as desigualdades territoriais, a pressão sobre a qualidade, a baixa empregabilidade em algumas áreas de formação, incluindo o financiamento ao ensino superior”, disse o Presidente moçambicano, Daniel Chapo.O chefe do Estado falava em Maputo na abertura da Conferência Nacional do Ensino Superior, em que pediu uma “rutura” do modelo atual a partir do encontro desta segunda-feira e terça-feira entre os profissionais do setor, em que vai ser elaborado um Plano Estratégico do Ensino Superior visando elevar a qualidade do ensino superior, sua expansão e o alinhamento da investigação científica com o desenvolvimento do país.Precisamos de evoluir de universidades transmissoras de conhecimento para universidades produtoras de soluções. Queremos ver centros de excelências espalhadas em todo o território nacional, queremos investigação agrícola a transformar o potencial do Vale do Zambeze e de outras regiões deste nosso Moçambique como Gaza e tantos outros locais com tantas riquezas, incluindo o norte”, disse o chefe do Estado.Chapo pediu ainda às instituições do ensino superior aposta em conhecimento que ajude o país a liderar a transformação energética da região austral de África, além de apoiar a ciência marítima, potencializando a costa e os corredores logísticos, com as universidades a resolverem problemas concretos das populações como a produção agrícola e industrial, combate às mudanças climáticas, construção de um ambiente de negócio e oportunidades de emprego, sobretudo para jovens e mulheres.
Chapo quer ver a geração atual a decidir, com base na ciência, levar o país a outros patamares de desenvolvimento, usando o conhecimento científico para a transformação das potencialidades económicas em desenvolvimento sustentável, inclusivo e prósperos para as populações, pedindo que o ensino superior assuma a responsabilidade de formar capital humano com qualidade.As nossas universidades devem formar um capital humano produtivo e empregável, necessário para industrializar um país, desenvolver cadeias de valor, modernizar a agricultura, desenvolver tecnologias, melhorar a governação pública, acelerar a digitalização e aumentar a produtividade da nossa economia”, disse o chefe do Estado moçambicano.Daniel Chapo admitiu que é momento de reforçar a formação do capital humano focado na transformação produtiva, quando o país necessita agora de novos profissionais capazes de transformar as riquezas em desenvolvimento concreto, “metendo a mão à massa”, apostando assim em ciências matemáticas, engenharias e tecnólogas, sem negligenciar as ciências humanas.“Devemos elevar a investigação científica e a inovação ao serviço do desenvolvimento nacional. Não queremos ciência encerrada em teses guardadas em gavetas, distante das necessidades concretas do povo. Cada investigador que encontra uma solução para um problema nacional existe uma oportunidade para melhorar a vida de moçambicanos” com base na ciência, disse.
Moçambique conta com 61 instituições do ensino superior com cerca de 270 mil estudantes matriculados, com avanços na inclusão territorial e na participação feminina, conforme adiantou Chapo, que elogiou avanços na democratização do conhecimento e do ensino superior no país desde a independência nacional.










