Marte terá tido sistemas magnéticos semelhantes aos da Terra
▲A missão colocou em 2018 o primeiro sismómetro em solo marciano
NASA/JPL-Caltech/MSSS HANDOUT/EPA
Um estudo divulgado esta sexta-feira sugere que Marte terá albergado no seu interior sistemas magmáticos semelhantes aos da Terra, que estão associados à forma como planetas desenvolvem atmosferas, oceanos e ambientes potencialmente habitáveis.
Segundo o estudo, realizado por cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, planetas rochosos podem não ter necessidade de placas tectónicas, ao contrário do que sucede com a Terra, para formarem crostas (camadas mais externa do interior de um planeta) complexas e reunirem as condições que sustentam a vida tal como se conhece.Marte não tem efetivamente placas tectónicas, mas possui a mesma complexidade geológica que a Terra, de acordo com a investigação, publicada na revista científica Nature Astronomy e que se baseou em dados da missão InSight, da agência espacial norte-americana (NASA).A missão, entretanto finda, colocou em 2018 o primeiro sismómetro em solo marciano e revelou o interior do planeta com um detalhe sem precedentes.Os autores do estudo detiveram-se numa camada de cerca de 24 quilómetros sob a superfície de Marte que, defendem, se terá formado onde rocha fundida se acumulou nas profundezas e se fragmentou gradualmente em diferentes materiais, deixando para trás resíduos de cristais densos na base da crosta e materiais mais leves no topo.
Na Terra, processos geológicos semelhantes ocorrem debaixo dos arcos vulcânicos e estão ligados à formação de continentes.“Tradicionalmente, assumimos que o vulcanismo em Marte foi relativamente simples quando comparado com o da Terra. Mas esta descoberta sugere que Marte poderia albergar sistemas [magmáticos] grandes onde rocha fundida evoluiu e se regenerou em toda a crosta, elevando as possibilidades de quão comuns estes sistemas podem ser em planetas rochosos para lá do Sistema Solar”, afirmou, citado em comunicado da Universidade de Oxford, o coordenador da investigação, Tobermory MacKay-Champion.De acordo com o estudo, a camada interior de cerca de 24 quilómetros poderá estender-se por centenas ou mesmo milhares de quilómetros em torno do hemisfério norte de Marte, indiciando que o planeta terá tido sistemas magmáticos enormes e interligados em vez de simples vulcões isolados.“Uma das grandes questões na ciência planetária é se a Terra é única. Se Marte poderia ter desenvolvido este tipo de crosta complexa sem placas tectónicas, então talvez as condições necessárias para a habitabilidade podem surgir em mais planetas do que pensamos, incluindo naqueles que foram postos de lado devido ao seu tamanho ou à sua aparente falta de atividade tectónica”, assinalou Jon Wade, coautor do estudo.









