CIÊNCIA

20 anos depois, barragem do Oeste em plena capacidade

A Barragem de Alvorninha, nas Caldas da Rainha, que há duas décadas estava condicionada por problemas de impermeabilização, já pode trabalhar em pleno, informou esta sexta-feira a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT).
A comissão indicou ter concluído o processo que “permite a entrada em fase de exploração sem restrições da Barragem de Alvorninha”, localizada na freguesia com o mesmo nome, no concelho das Caldas da Rainha, distrito de Leiria.A barragem estava concluída desde 2005, mas funcionava há duas décadas com limitações na sua cota de enchimento, devido a problemas de impermeabilização, detetados depois de concluída a estrutura.A autorização para o funcionamento em pleno “foi concedida pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) no dia 1 de junho, na sequência de uma visita de inspeção realizada após o reenchimento da albufeira”, informou a CCDRLVT.
A inspeção foi solicitada pela comissão, enquanto dona da obra, depois de assumir competências na área da Agricultura e Pescas, em 2024, e contou com a intervenção da APA e do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).Com esta decisão, a barragem “passa finalmente a poder desempenhar em pleno as funções para as quais foi projetada, nomeadamente o apoio ao abastecimento de água para rega no aproveitamento hidroagrícola de Alvorninha, com particular importância para os agricultores da região e para a atividade frutícola do Oeste”.Com um investimento superior a seis milhões de euros, a barragem e a respetiva rede de rega foram concluídas em 2005, devendo a albufeira conseguir armazenar um volume de 711 mil metros cúbicos de água, numa área inundada de 11,8 hectares.A barragem deveria ainda permitir um escoamento até 823 mil metros cúbicos num ano, possibilitando que a rede de rega distribuísse água por 127 hectares de terrenos, em benefício de duas centenas de agricultores das freguesias de Alvorninha, Vidais e Salir de Matos, todas no concelho das Caldas da Rainha.
Porém, após o primeiro enchimento, na sequência de uma inspeção realizada pelo LNEC em 2006, foi determinada pelo então Instituto da Água uma limitação à cota de armazenamento da albufeira, que não deveria ultrapassar os 93 metros.Esta limitação impediu a utilização da infraestrutura em toda a sua capacidade, tendo posteriormente sido desenvolvido um projeto de reforço da cortina de fundação da barragem, aprovado e apoiado no âmbito do PRODER: Programa de Desenvolvimento Rural.A conclusão da empreitada, em 2024, permitiu iniciar um novo processo de reenchimento da albufeira, acompanhado pela CCDRLVT, com supervisão técnica e análise periódica dos dados recolhidos.Em abril deste ano, “foi concluído o último patamar de enchimento, correspondente ao nível pleno de armazenamento”, informou esta sexta-feira o organismo público, explicando que “a água pode ser armazenada na albufeira em condições normais de exploração, garantindo a segurança da infraestrutura e a gestão eficiente dos recursos hídricos”.
A autorização agora concedida confirma que a Barragem de Alvorninha “reúne as condições necessárias para funcionar em plena capacidade, reforçando a disponibilidade de água para rega e contribuindo para o desenvolvimento agrícola deste território do Oeste”, conclui a CCDRLVT.

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