CIÊNCIA

EUA permitem acesso ao Mythos da Anthropic

O Governo dos Estados Unidos permitiu o acesso ao modelo de inteligência artificial mais poderoso da Anthropic a aproximadamente 100 empresas e agências governamentais norte-americanas. A notícia foi avançada pelo site Semafor e, mais tarde, confirmada pela própria empresa.
Numa publicação no X, feita na noite desta sexta-feira, a Anthropic explica que tem estado “desde 12 de junho a trabalhar com o governo dos EUA para retomar o acesso ao Claude Mythos 5 e ao Fable 5”. “Hoje [sexta-feira], o governo notificou-nos de que o Mythos 5, o nosso modelo mais forte de cibersegurança, pode ser reimplementado a um conjunto de organizações dos EUA que operam e defendem infraestrutura crítica.”“Estamos a restabelecer rapidamente o acesso para estas organizações e continuamos a trabalhar com o governo para alargar o acesso ao Mythos 5 e tornar o Fable 5 novamente disponível para uso geral”, disse a Anthropic.
Since June 12, we’ve been working closely with the US government to restore access to Claude Mythos 5 and Fable 5. Today, the government notified us that Mythos 5, our strongest cybersecurity model, can be redeployed to a set of US organizations that operate and defend critical…
— Anthropic (@AnthropicAI) June 27, 2026Segundo o site Semafor, que citou fontes não identificadas, o Departamento do Comércio anunciou numa carta à Anthropic que estava a levantar as restrições à utilização do Mythos 5 para uma lista selecionada de empresas e departamentos federais, após a sua utilização ter sido suspensa há quase duas semanas por motivos de segurança nacional.
A carta não explica o que acontecerá ao modelo Fable 5, uma versão menos avançada do Mythos, que foi disponibilizado publicamente na plataforma Claude e também viu o seu acesso suspenso.“Apocalipse de vulnerabilidades” e o “regresso do bug do milénio”. Mythos deixou o mundo em alerta — e com razão, defendem especialistas“Determinei que as salvaguardas necessárias estão em vigor para permitir que certos parceiros de confiança acedam ao Claude Mythos 5”, afirmou na carta o secretário do Comércio norte-americano, Howard Lutnick.
Segundo o Governo norte-americano, a Anthropic demonstrou “progressos significativos” após vários dias de negociações devido a receios de que os modelos mais avançados da empresa pudessem ser usados em ciberataques.A 12 de junho, a Anthropic suspendeu o acesso público aos modelos de IA mais avançados, para cumprir uma diretiva de controlo de exportações, que a obriga a impedir o acesso ao serviço por parte de estrangeiros por motivos de segurança nacional.IA. Governo dos EUA ordena retirada de nova ferramenta da Anthropic por constituir um risco para a segurança nacional
De acordo com a Anthropic, para poder cumprir a ordem para impedir o acesso fora dos Estados Unidos ou por parte de estrangeiros dentro do país, optou por bloquear todo o acesso ao Fable 5 e ao Mythos 5 a todos os clientes.Num comunicado, a Anthropic afirmou que o Governo norte-americano não forneceu detalhes específicos sobre os motivos pelos quais os novos serviços de inteligência artificial constituem um problema de segurança nacional e pediu desculpa aos clientes pela interrupção.“Como já afirmámos publicamente, acreditamos que o Governo deve ter a capacidade de bloquear desenvolvimentos inseguros como parte de um processo transparente, justo, claro e baseado em factos técnicos. Esta ação não está de acordo com esses princípios”, afirmou a empresa.A suspensão ocorreu poucos dias depois de a Anthropic ter disponibilizado aos assinantes do serviço Claude o modelo Fable 5, apresentado como o mais avançado em vários testes de competências e considerado muito superior aos modelos Opus.
Esta notícia surgiu na sexta-feira, no mesmo dia em que a OpenAI apresentou os novos modelos GPT-5.6 Sol, Terra e Luna, também com acesso limitado a parceiros aprovados pelo Governo dos EUA.OpenAI apresenta novas versões de IA e começa por parceiros de confiançaEm comunicado, a OpenAI manifestou oposição a que a aprovação governamental “se torne o padrão a longo prazo”, uma vez que isso “priva os utilizadores, os programadores, as empresas, os profissionais de cibersegurança e os parceiros globais das melhores ferramentas”.

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