Jorge Silva: "Amanhã é a deadline para encontrar vidas."
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Jorge, três dias depois dos dois sismos, ainda há esperança de conseguir resgatar pessoas com vida debaixo dos escombros?
Olá, bom dia. Passaram cerca de três dias, que ainda não estão três dias concluídos, desde que aconteceram os sismos e que aconteceram grande parte dos acontecimentos na Venezuela. Ainda há muita possibilidade de encontrar vida lá. Assim que se encontrar pessoas e vida dentro dos escombros e que se consiga, de alguma forma, levar até eles alguma água ou alguma comida, através de tubagem ou fornecimento de outra forma, há sempre uma possibilidade de prolongar o estado dessas pessoas por mais algum tempo, até que se consiga retirar todos os elementos estruturais que estejam a impedir a sua retirada dos escombros. Neste momento, é exatamente isso que as equipes que estão a caminho vão fazer, vão tentar identificar o mais depressa possível vida dentro das zonas que estão ruídas e em escombros, para tentar, de alguma forma, poder lhes fornecer água e alimento durante este tempo até que eles sejam retirados. E depois, a seguir, fazer toda a triagem setorial, zona a zona, aquelas que ainda não foram possíveis fazer por meios próprios da Venezuela e que Portugal e as outras missões dos outros países vão tentar ajudar o mais rapidamente possível.
Mas podemos dizer, Jorge, que hoje é um dia decisivo nesta busca por sobreviventes depois do sismo, podemos colocar as coisas nesta perspectiva? É um dia importante?
Caso exista vida ainda dentro dos escombros da Venezuela, está numa fase de muita debilidade de sustentabilidade dessa própria vida, exatamente pela questão de que são 72 horas, o fornecimento e a necessidade de água e alimentação, estamos a chegar a um ponto mais crítico, porque há uma necessidade muito grande dessa ordem, e por via disso, é urgente conseguir chegar a quem esteja ainda como sobrevivente o mais rapidamente possível. É essa a urgência da entrada das equipes, dos binômios cinotécnicos, que vão ao caminho também, para ajudar rapidamente a encontrar a vida que ainda se espera encontrar nos escombros.
E estas equipes, falava o Jorge da equipe portuguesa que há de chegar entretanto, de 64 elementos, estas equipes estão preparadas para depois estar quanto tempo no terreno? Quando uma equipe vai de um país para outro, vai preparada para estar o tempo que for necessário?
As equipes estão preparadas para trabalhar bastante tempo. Aqui depois tem a ver com toda a questão que logisticamente a Venezuela tem preparada para acolher estas equipes. Caso tenham comunidade de alimentação, estadia, para poderem trabalhar o máximo possível, porque essas equipes normalmente trabalham 10, 12 horas de seguida e depois descansam outras 10, 12 horas e voltam a trabalhar outra vez 10, 12 horas, a emissão de busca e salvamento, e se estiverem com a comunidade suficiente, conseguem trabalhar 10, 15, 20 dias de trabalho. Mas, para já, o essencial é chegar o mais depressa possível à Venezuela, atribuir-lhes missão para conseguirem fazer busca e salvamento e começarem setorialmente a identificar zonas que possam ter ainda alguns sobreviventes. Isto é crucial no dia de hoje e amanhã, domingo, será o chamado deadline para a gente conseguir ainda encontrar vida em sustentabilidade de capacidade de as manter. É essa a questão que temos aqui, que é termos um espaço temporal já muito curto para encontrar vida com alguma sustentabilidade. Depois, a partir daí, começa a ser cada vez mais difícil. Não quer dizer que seja impossível, mas começa a ser cada vez mais difícil. Depois, tudo depende dos fatores e de salubridade, água, alimentação e higiene, porque são muitos dias. É isso que a gente tem que procurar.
Jorge Silva, muito obrigado por ter estado em direto conosco. Jorge Silva, vice-presidente da ASPROCIVIL, que nos ajudou a olhar para aquilo que será a missão destes 64 elementos da missão portuguesa que hão de chegar nas próximas horas à Venezuela.










