Portugal quer duplicar armazenagem de energia até 2040
TIAGO PETINGA/LUSA
O Governo apresentou uma estratégia para armazenar energia com recurso a baterias e a bombagem hídrica com a qual pretende colmatar períodos de défice, alcançar uma maior soberania e contribuir para a estabilização dos preços.
A Estratégia Nacional de Armazenamento, elaborada com base em estudos do INESC-TEC e do Instituto Superior Técnico, vai ainda entrar em consulta pública e na parte que diz respeito ao armazenamento hídrico carece de autorização de Bruxelas, disse a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.O documento apresentado no ministério, em Lisboa, aponta diferentes cenários, no horizonte 2026 — 2030 e 2026 — 2040, no sentido de Portugal reduzir a necessidade de importação de energia e passar a integrar mais energia renovável. “Vai entrar em consulta pública e vamos escolher o cenário”, afirmou a ministra, indicando que haverá sempre “uma mistura entre armazenagem por baterias e armazenagem hídrica”.Até 2040, a estratégia prevê reforçar em 50% a capacidade de armazenamento com bombagem para 5,26 gigawatts (GW) e triplicar a capacidade em sistemas de baterias para 4,5 GW. No total, a atual capacidade deverá duplicar para 10,5 GW. Há uma meta intermédia em 2030 de 6.8 GW.
Um dos primeiros passos será o lançamento em setembro de dois leilões para o fornecimento de serviços de armazenamento ao sistema elétrico. Um com 750 MVA (megavolt ampere) de capacidade distribuída por nove localizações — Rio Maior, Alcochete-Palmela, Pegões-Divor, Abrantes-Estremoz-Falagueira, Alqueva, Ferreira do Alentejo, Panóias, Tavira e Vale Pereiro. E outro com 300 MVA de capacidade sobrante para centros eletroprodutores com armazenamento (baterias) para três locais — Rio Maior, Abrantes e Sines-Santo André.Se na armazenagem com baterias não é necessária a negociação com Bruxelas, a não ser no mecanismo de capacidades — em que a negociação já se iniciou – na armazenagem hídrica, o passo seguinte é negociar com a Comissão Europeia: “É uma questão de ajudas de Estado, mas será com certeza uma negociação que se leva a bom termo rapidamente”, acrescentou Maria da Graça Carvalho.“Assim que tivermos autorização de Bruxelas, abriremos um concurso para o armazenamento hídrico, o que esperamos ser ainda possível até ao fim do ano”, indicou.“O armazenamento é importante, porque nos permite tirar partido das energias renováveis disponíveis. Quando há muito sol e pouco consumo, de certo modo perdemos essa energia e isso vai possibilitar armazenar e usar quando existe menos sol e menos vento e existe muito consumo”, explicou a governante, em declarações aos jornalistas no final da apresentação dos relatórios técnicos.
De acordo com a ministra, a medida é importante para a segurança do abastecimento, para o preço, para a competitividade do sistema e para a descarbonização.Os municípios que recebam os projetos que vão a leilão nesta primeira fase da instalação de baterias ficarão com parte da receita anual, estando prevista uma percentagem de 2,5%.“Se não tivermos mais armazenamento e mais capacidade da rede elétrica, estamos a chegar a um limite, estamos já nos oitenta e tal por cento e, portanto, para avançar com segurança precisamos de armazenamento hídrico, de baterias e de reforço das redes”, sustentou.Em relação às redes, Maria da Graça Carvalho avançou ainda que esta semana (dia 02) será inaugurada a interligação de muito alta tensão entre Portugal e Espanha, no Alto Minho, num investimento de 44 milhões de euros, que começou em julho de 2024.









