Financiar a inovação para melhorar a saúde
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Em 2025, três estudos científicos publicados avaliaram o impacto da plataforma em contexto clínico. Um deles, demonstrou que um curso de educação médica desenvolvido pela Dioscope permitiu melhorar significativamente o conhecimento dos médicos sobre hidradenite supurativa, contribuindo para uma referenciação mais adequada para consultas hospitalares.
Outro evidenciou que um protocolo da plataforma permitiu aumentar a testagem BRCA – os genes BRCA1 e BRCA2 estão relacionados com o risco de desenvolver diferentes tipos de cancro – nas três ULS onde foi implementado, passando de uma média de 14 testes para quase 30 por mês. Na prática, este aumento traduz-se num diagnóstico mais precoce e em maiores oportunidades de acesso atempado a tratamentos personalizados.
O terceiro mostrou como a implementação dos protocolos Dioscope contribuiu para uma melhor avaliação da dermatite atópica em 94 pacientes, resultando numa referenciação mais eficiente dos cuidados de saúde primários para os serviços hospitalares.
Investir com foco no impacto
O investimento da Fundação Ageas na Dioscope foi feito através de um Acordo de Partilha de Receitas, um mecanismo inovador na Filantropia nacional, que procura alinhar o sucesso financeiro da empresa com a geração de benefícios sociais.
Este acordo, com a duração de cinco anos, foi desenhado para potenciar o sucesso da solução. Assim, além de um primeiro ano de carência em que a Dioscope podia testar e afinar a sua operação, o contrato previa que a empresa só precisaria de partilhar receita com a Fundação a partir de um volume mínimo de negócios anual e com o valor máximo de reembolso a variar consoante o cumprimento das métricas de impacto. Este modelo, protege as startups pois reduz o risco em caso de incumprimento, ao mesmo tempo que incentiva a criação de resultados: quanto mais cedo cumprir, mais cedo termina a partilha de receita. Assim, em caso de sucesso – o projeto cresce e prova o seu impacto – a Fundação consegue recuperar todo o investimento e melhorou os sistemas de saúde a “custo 0”.
Este mecanismo permitiu então, à Dioscope, crescer e escalar o seu negócio, mas não sem desafios. Com a reestruturação do Serviço Nacional de Saúde – e com a criação das Unidades Locais de Saúde (ULS) – as necessidades formativas mudaram e a Dioscope teve de se ajustar. Assim, de um modelo baseado em protocolos hospitalares, a solução escalou e passou a basear-se em formações nacionais que melhoram o trabalho entre hospitais e centros de saúde, alcançando uma média superior a 1000 médicos inscritos em cada curso mensal.
Com esta mudança, a abordagem comercial da Dioscope prosperou e todos os indicadores refletiram o crescimento da organização: mais médicos, mais parceiros, mais impacto e um aumento da receita que permitiu acelerar o acordo de revenue-share, devolvendo todo o capital investido um ano antes do previsto.
Este reembolso total mostra bem a eficácia do investimento de impacto da Fundação Ageas: mais recursos disponibilizados às instituições que contribuem para a inovação social permitem escalar o seu impacto e criar sustentabilidade financeira de longo prazo, que é crucial para garantir os reembolsos e, por sua vez, continuar a investir em novos projetos transformadores na área da saúde e não só.
No fundo, a Fundação beneficia de parte do sucesso e assume o risco financeiro inerente à inovação, dando espaço às organizações para escalarem o seu impacto de forma sustentável.
Garantir a sustentabilidade do sistema de saúde exige mais do que reforçar o financiamento público. É necessário criar condições para que a inovação chegue à prática clínica e produza benefícios concretos quer para profissionais de saúde, quer para utentes.
O caso da Dioscope demonstra que as startups podem desenvolver soluções capazes de responder a problemas estruturais do setor público, mas também evidencia que a inovação, por si só, pode não ser suficiente. Sem modelos de financiamento adaptados às especificidades do setor, muitas destas soluções dificilmente conseguem gerar impacto à escala.
Neste contexto, o investimento de impacto afirma-se como uma abordagem capaz de conciliar inovação, sustentabilidade financeira e criação de valor social. Ao apoiar projetos com potencial para melhorar a eficiência dos serviços, reforçar a capacidade dos profissionais e elevar a qualidade dos cuidados, este modelo pode assumir um papel relevante na modernização do sistema de saúde em Portugal, demonstrando que investir de forma diferente pode ser parte da resposta para os desafios do SNS.










