Calor extremo na Europa não dá descanso
▲O serviço meteorológico Météo-France avisou que o país deverá enfrentar uma nova onda de calor
Alessandro Di Marco/EPA
A onda de calor na Europa continuou esta terça-feira a provocar impactos significativos em vários países, com França a registar um aumento da mortalidade e novos recordes de temperatura na Croácia e na Hungria.
Em França, a agência de saúde pública Santé publique France (SpF) anunciou que o primeiro episódio de calor extremo de 2026, registado entre 24 e 28 de maio, causou já mais 300 mortes do que o esperado, um aumento de quase 14% relativamente à média dos seis anos anteriores.A maioria das vítimas tinha mais de 75 anos e o excesso de mortalidade foi particularmente sentido nos departamentos da costa atlântica e na região de Paris.A diretora-geral da SpF, Caroline Semaille, esclareceu que estes dados dizem respeito à mortalidade por todas as causas e que só no final da época quente será possível determinar quantas mortes podem ser diretamente atribuídas ao calor.
As autoridades francesas alertaram ainda que o atual episódio de calor, iniciado em 24 de junho, poderá revelar um impacto muito superior.Um primeiro balanço aponta para cerca de mil mortes a mais, mas os dados são ainda provisórios, uma vez que assentam sobretudo em certificados de óbito eletrónicos, que abrangem apenas cerca de 60% dos falecimentos.Apesar disso, o Ministério da Saúde francês considerou provável que o número aumente significativamente, embora deva permanecer abaixo das cerca de 15 mil mortes registadas durante a histórica onda de calor de 2003.Entretanto, o serviço meteorológico Météo-France avisou que o país deverá enfrentar uma nova onda de calor a partir de sexta-feira, com temperaturas que poderão voltar a ultrapassar os 35º Celsius (C) em várias regiões.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, garantiu que os mecanismos de resposta às vagas de calor vão permanecer ativos, enquanto os meteorologistas alertaram para o agravamento da seca dos solos e do risco de incêndios devido à ausência de precipitação entre os dois episódios de calor extremo.Segundo cálculos da agência de notícias France-Presse (AFP), baseados em previsões do Serviço Meteorológico Alemão e em projeções demográficas do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, mais de 95 milhões de pessoas deverão enfrentar, esta terça-feira, temperaturas superiores a 35º C em algum momento do dia, sobretudo no sul e no leste da Europa.Nos Balcãs, a cidade croata de Split registou esta terça-feira 39,5º C, a temperatura mais elevada desde o início dos registos, ultrapassando o anterior máximo de 38,6º C, estabelecido em julho de 1950.Apesar do novo recorde local, o valor permanece abaixo do recorde croata de 42,8º C.Também a Hungria registou um novo máximo histórico de temperatura, com os termómetros a atingirem 42º C em Szécsény, no norte do país, perto da fronteira com a Eslováquia. O valor supera o anterior recorde nacional de 41,9º, registado em 2007.
Na capital húngara, Budapeste, a temperatura chegou aos 41º, ultrapassando igualmente o recorde anterior de 40,7º C.Perante o calor extremo, as autoridades mantêm o nível máximo de alerta, enquanto mais de 120 localidades introduziram restrições ao consumo de água.O primeiro-ministro, Peter Magyar, pediu à população para privilegiar o teletrabalho sempre que possível e evitar consumos de água considerados não essenciais.A atual vaga de calor sucede a uma série de episódios extremos registados nas últimas semanas em vários países europeus, incluindo Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha, Bélgica, Países Baixos, Suíça, Áustria, Polónia, República Checa, Eslováquia, Hungria, Croácia, Sérvia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro, Albânia, Macedónia do Norte, Roménia, Bulgária, Grécia e Eslovénia, refletindo a persistência de temperaturas excecionalmente elevadas em grande parte da Europa.









