Creches abertas mais horas ajudam pais com horários atípicos
▲Portugal é um dos países da União Europeia onde as crianças passam mais tempo na escola
JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
A associação representativa das creches privadas garantiu esta quarta-feira que os estabelecimentos abertos mais de 11 horas diárias servem para apoiar as famílias com horários atípicos e não significam que as crianças permanecem todo esse tempo na escola.
“Há pais com horários rotativos, outros que entram muito mais cedo ou saem muito mais tarde do trabalho, como é o caso de quem trabalha na área da saúde, dos transportes ou da restauração. E é para responder a estas situações que as creches permanecem abertas”, afirmou Susana Batista, presidente da Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular (ACPEEP).Com a criação do programa Creche Feliz, o Governo passou a dar um apoio financeiro às creches abertas mais de 11 horas por dia. A medida começou apenas pelos estabelecimentos de ensino do setor social e, no ano passado, foi alargado também às creches privadas.“Há pais que não têm onde pôr os filhos. Também há creches que abrem ao fim de semana. Acontece, por exemplo, quando os pais trabalham no grande comércio, na restauração ou na área da saúde e não têm família de apoio com quem deixar as crianças, mas isso não quer dizer que as crianças estejam lá tantas horas”, reafirmou.
A presidente da associação diz que algumas instituições pedem às famílias a apresentação de uma declaração da entidade patronal do horário de trabalho “para evitar abusos”, mas muitas outras entendem não ser necessário, por sentirem que a situação está controlada.Atualmente, “grande parte das creches trabalha com horários alargados”, disse, explicando que esta é uma realidade que vai variando de ano para ano. Até porque o apoio financeiro só é atribuído às instituições que provem ter famílias que precisam de deixar as crianças fora do horário tradicional.A Lusa questionou o ministério da Segurança Social sobre quantas creches tiveram esses horários alargados no ano passado e quantas pediram o apoio financeiro para o novo ano que começa agora em setembro, mas ainda não obteve resposta.Portugal é um dos países da União Europeia onde as crianças passam mais tempo na escola, segundo um estudo recente que revelou que passam, em média, 38 horas por semana em estabelecimentos de ensino.
Até aos três anos de idade, as crianças passam, em média, 36,7 horas semanais na escola, quando a média europeia ronda as 30,5 horas, segundo dados compilados pela Pordata, com base em estatísticas do Eurostat referentes a 2025.Com mais de 1,5 milhões de crianças residentes, Portugal destaca-se também pela cobertura de respostas formais de educação, surgindo acima da média europeia para todas as faixas etárias.Em 2025, quase 58% das crianças até aos três anos estavam abrangidas por algum tipo de educação formal, em creches, infantários ou amas certificadas (a média da UE é 40,5%) e, em 2024, a esmagadora maioria das crianças a partir dos três anos frequentava o pré-escolar (94,5%).










