CIÊNCIA

Companheira diz que fundador da Mango queria novo testamento

Estefanía Knuth, companheira de Isak Andic nos seus últimos seis anos de vida e uma das principais testemunhas no caso da morte do empresário, afirmou esta terça-feira perante o tribunal que o fundador da Mango estava a preparar um novo testamento que poderia alterar profundamente a distribuição da sua fortuna. Segundo várias fontes citadas pelo El País, o documento previa a criação de uma fundação de caridade, uma decisão que “mudaria tudo”, reduzindo substancialmente a herança destinada aos seus três filhos, Sarah, Judith e Jonathan Andic. Este último foi detido em maio, por suspeitas de homicídio do homem com uma das maiores fortunas de Espanha.
O depoimento de Knuth — a primeira pessoa a que Jonathan ligou depois de o pai ter desaparecido — era um dos mais temidos pela defesa do herdeiro do império Mango. Os advogados contestaram a versão apresentada, procurando desmontar o testemunho através de perguntas sobre o funcionamento da alegada fundação de caridade, questões às quais Knuth não conseguiu responder por, segundo afirmou, o empresário não lhe ter transmitido esses detalhes.A companheira de Isak Andic já tinha, em declarações anteriores, sugerido a existência de uma relação conturbada entre pai e filho e, em tribunal, descreveu-a como sendo marcada por oscilações, com “picos” e “crises” de conflito. Um dos episódios referidos foi a sucessão na liderança da cadeia de moda: em 2014, o empresário terá passado a gestão da empresa ao filho e afastou-se temporariamente, mas regressou cerca de um ano depois para recuperar a cadeia, que atravessava dificuldades. De acordo com a mulher, este episódio terá deixado Jonathan ressentido.Duas semanas após a queda de Isak Andic, Estefanía Knuth disse ainda que o companheiro queria ver o filho “fora da Mango” a partir de 1 de janeiro de 2025, apenas duas semanas após a queda do empresário num passeio familiar nas covas de Salnitre de Collbató, em Montserrat. No entanto, fontes da empresa indicaram que a saída de Jonathan da equipa de gestão da Mango já estava em curso há mais de um ano.
O que inicialmente foi tratado como um acidente acabou por evoluir para um caso de homicídio, na sequência de declarações contraditórias de Jonathan Andic e das declarações de Estefanía Knuth sobre conflitos entre pai e filho. Em causa está a dúvida central do processo: se Isak Andic caiu ou foi empurrado.Mais de um ano após a morte do empresário, Jonathan Andic foi detido e a juíza decretou a sua prisão preventiva, mediante o pagamento de uma caução de um milhão de euros, por suspeitas de homicídio, sublinhando a “relação conturbada” entre pai e filho e apontando um possível “motivo financeiro”, relacionado com o facto de o filho saber que o pai pretendia “alterar o seu testamento” e criar uma fundação de caridade.A leitura do testamento de Isak Andic, assinado num notário em julho de 2023, terá sido o ponto de viragem para o conflito familiar que se seguiu à morte do fundador da Mango. O documento previa que a fortuna da empresa — estimada em cerca de 4,5 mil milhões de euros — fosse dividida de forma igual pelos três filhos, enquanto a companheira ficaria com cinco milhões de euros, valor semelhante ao destinado a alguns dos seus colaboradores mais próximos.A quantia deixada a Knuth acabou por gerar tensão, levando-a a reclamar inicialmente uma compensação significativamente mais elevada — cerca de 70 milhões de euros — e a avançar, com apoio jurídico, para a preparação de um processo. Foi alcançado um acordo entre as partes, concluído antes da detenção do filho mais velho do empresário. A companheira do fundador da Mango acabaria por comparecer em tribunal depois de já ter recebido os 27 milhões de euros acordados — cinco milhões previstos no último testamento conhecido de Isak Andic e 22 milhões adicionais — mas isso não a impediu de manter as suspeitas em torno do caso.

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