CIÊNCIA

Bugalho acusa Carneiro de "mentir" sobre habitação

O porta-voz do PSD acusou esta quinta-feira o líder do Partido Socialista de ter faltado à verdade quando disse que o Governo estava a adiar a entrega de casas vazias por razões eleitorais. Na Grande Entrevista, da RTP, Sebastião Bugalho afirmou que “não é por alguém mentir com uma cara séria que a sua mentira passa a ser séria e, infelizmente, no caso de José Luís Carneiro, o que ele apresentou como sendo verdade, não o é.”
O vice-presidente do PSD desafia José Luís Carneiro a dizer se “mantém a acusação de eleitoralismo, se a retira ou se pede desculpa”. Bugalho diz que as casas de Grândola que José Luís Carneiro visitou — e que denunciou estarem vazias por ação intencional do Governo — são da Bolsa Nacional de Alojamento Urgente e Temporário e direcionadas a vítimas de “violência doméstica, catástrofe natural ou vítimas de trabalhos forçados”.Sobre o facto de o presidente da junta local ter validado a tese ao lado do secretário-geral do PS, Bugalho diz que o faz porque tem provavelmente “afinidade polítca ou ideológica” com José Luís Carneiro. “Segundo as regras da Bolsa Nacional de Alojamento Urgente e Temporário, que foram até feitas pelo PS, para essas casas serem entregues precisam de ter uma parceria com uma IPSS. O problema do construtor dessas 10 casas é que não conseguiu ter uma IPSS e, quando a encontrou, não conseguiu ter acordo com ela. O que é que o Governo de Portugal tem a ver com isso?“, questiona Bugalho.O porta-voz do PSD diz estar até “um pouco preocupado” como “democrata” por o líder do PS ter saído “tão descredibilizado” desta história. Isto porque “no espaço de 48 horas, o IVA zero, uma das principais medidas que propõe, foi desmentido por dois economistas, Mário Centeno e Susana Peralta, nas próprias jornadas parlamentares do PS. E 24 horas depois está a atacar política de habitação do Governo, com casas que não têm nada a ver com isso.” E remata: “Com alguma candura, concluo que José Luís Carneiro só pode ter sido enganado ou quis enganar os portugueses”.
Já sobre imigração, Sebastião Bugalho diz que o discurso do Chega “nada tem a ver com a realidade”. E também acusa André Ventura de ter dito “duas mentiras esta semana sobre a imigração”. A primeira, denuncia, foi que “PS e PSD votaram a favor do Pacto de Migração e Asilo da União Europeia no Parlamento Europeu e que o Chega votou contra. O que é de chorar a rir, porque o Chega nem estava no Parlamento quando o pacto foi votado”. A segunda mentira, diz Bugalho, é que o Pacto de Migração e Asilo abriu as portas a mais imigração, já que “foi a primeira inicaitiva para regular o fenómeno migratório.”Sebastião Bugalho falou também sobre as novas funções no PSD, ao lembra que ninguém convida alguém para ser o porta-voz para ficar calado”. Daí que deixe uma certeza: “Eu calado não vou ficar.” Numa reação à entrevista de Carlos Moedas ao Observador na quarta-feira, em que este elegeu Bugalho como o “melhor político da sua geração”, o eurodeputado  diz que a declaração foi apenas “fruto de generosidade e amizade” do autarca .O porta-voz insiste que “não tem a ambição” de liderar o PSD, mas diz que é claro que “uma pessoa fica grata e envaidecida quando as pessoas colocam essa pergunta”. Mas reitera: “Não está nas minhas cogitações.” Bugalho diz que, quanto mais lida com ex-primeiros-ministro que agora seu seus colegas no Parlamento Europeu, percebe que “liderança e protagonismo decisional [que são exigidas a um primeiro-ministro] não são para qualquer um.” E acrescenta:”E eu estou convencido que não são para mim. Não são. É preciso querer muito, é preciso ter uma caixa de ferramentas muito apetrechada e eu sinto que não a tenho e, provalemente, não a quero ter.”
Na parte final da entrevista, Bugalho acaba por se descair — sobre essas mesmas ambições — quando o entrevistador, Vítor Gonçalves, o desafia a dizer quem é o adversário político que mais respeita. O porta-voz do PSD resiste inicialmente: “Não quero estar a elogiar um futuro adversário.” A referência ao futuro, sugere que pode, agora, ainda não ser adversário direto de nenhum dos nomes que iria enunciar a seguir.  E acaba por apontar dos políticos, ignorando José Luís Carneiro: “Tenho respeito intelectual tanto por André Ventura, como por Mário Centeno, mas acho que eles venderam a alma ao diabo porque aproveitam a sua inteligência, não em nome da verdade, mas dos seus objetivos políticos. Isso consigo temer enquanto rival, mas não respeitar enquanto político.”

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