CIÊNCIA

4 de Julho. Trump é patriótico, Mamdani aposta no futebol


“Os olhos do mundo estão em cima de nós”, reconheceu a governadora em entrevista ao Politico, em que destacava ainda outros eventos desportivos ao longo do mês, quando questionada sobre se estava preocupada com a possibilidade de a cidade ser palco de “loucuras de verão”. Apesar das preocupações, Hochul congratulava-se à data com o ambiente que acreditava estar a fomentar na cidade — numa oposição ao ambiente criado pelo Presidente. “Eu estou a tentar criar um espírito de otimismo. O derrotismo e o cinismo não teriam sido tão generalizados há 250 anos; não teríamos este país [se fossem]”, rematou a líder estadual.
“No 4 de Julho, vamos ter o melhor espetáculo de todos no National Mall. O vosso Presidente favorito vai falar”. Donald Trump antecipava assim as celebrações deste sábado durante a inauguração da “Grande Feira”. Mas o arranque dos festejos foi logo marcado pela política, com o discurso de Trump na noite de sexta-feira no Dakota do Sul, em frente ao Mount Rushmore. O Presidente manteve a tónica nacionalista ao elogiar os quatro presidentes que têm o rosto esculpido na pedra — George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln. “Foram homens de ação, homens de ambição, homens de ousadia, homens predestinados e homens de uma grande e verdadeira inteligência”, afirmou.Mas Trump utilizou sobretudo o discurso como arma de ataque político, denunciado adversários e inimigos que corporizam aquilo que definiu como “ameaça comunista”, onde inclui alguns migrantes. “Uma geração depois de termos lutado e vencido a Guerra Fria contra a ameaça do comunismo, há agora um novo ressurgimento da ameaça comunista na nossa terra, incluindo de recém-chegados ao nosso país que abraçam ideias totalmente opostas à nossa forma de vida e ao nosso grande sucesso”, disse Trump. O comunismo, acrescentou, “é o inimigo da Constituição”: “É a grande ameaça à nossa nação, incluindo as da I Guerra Mundial, II Guerra Mundial, Pearl Harbor ou até o 11 de Setembro. (…) É o oposto da vida, da liberdade e da busca da felicidade. É morte, tirania e a busca do mal.”O Presidente não nomeou diretamente quem compõe essa “ameaça comunista”, mas as suas palavras estão a ser interpretadas como um endurecimento do discurso político contra o Partido Democrata, a poucos meses das eleições intercalares. E nenhum democrata simboliza mais a viragem à esquerda do partido do que Zohran Mamdani, que usará estes festejos para apresentar uma visão diametralmente oposta do país.A começar com o próprio princípio de celebração incontestada da América. Questionado pelo New York Times, o socialista democrático não negou ter uma relação difícil com a comemoração. “Aniversários desta escala não são apenas convites para refletir sobre o passado. Também são um espelho. Lembro-me de muitos posters nos dormitórios da Universidade que descreviam patriotismo na linguagem de ‘ou gostas, ou sais’”, refletiu. “Mas o patriotismo não é fingir que o nosso país não tem falhas. É amar o nosso país o suficiente para lutar para que se cumpram os seus ideais”, continua.

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