CIÊNCIA

Jonas solta-se quando o esforço coletivo passa a individual

Está na estrada a Volta a França. Com partida em Barcelona e chegada em Paris três semanas e 3321,2 quilómetros depois, esta 113.ª edição tinha tudo para ser uma das melhores de sempre, pelo menos à partida. Ao contrário do que tem sido habitual, o início era logo explosivo, como se fossem precisos mais ingredientes para testar os candidatos à vitória. Da pole position partia Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG), que venceu as últimas duas edições e luta por chegar a uma histórica quinta vitória que só Bernard Hinault, Eddy Merckx, Jacques Anquetil e Miguel Induráin conseguiram. Contudo, havia um Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) que tem voado em 2026 e está a andar ao nível das suas melhores épocas. Por outro lado, a estreia de Paul Seixas (Decathlon CMA CGM) dava outro aperitivo à corrida, que conta ainda com o forte bloco da Red Bull-Bora-hansgrohe, liderado por Remco Evenepoel e Florian Lipowitz.
A história à frente de quem vive para a história, o canibal que está a voar e o miúdo maravilha: a concorrência feroz de Pogacar no Tour“Duelo mais aguardado? Com todos, todos eles. Gosto de competir com todos, de competir contra todos. Só espero que todos os competidores não tenham nenhum azar e estejam na melhor forma possível, para termos o melhor espectáculo que pudermos. Não acho que ele [Vingegaard] seja o único capaz de chegar perto da vitória. Acho que há vários ciclistas aqui que podem almejar a vitória. O rapaz ao meu lado [Isaac del Toro], por exemplo. A disputa entre mim e o Jonas, nos últimos anos, tem sido espectacular. Acho que vai continuar por mais alguns anos, espero. Vamos ver. Acho que nos colocamos um ao outro em novos patamares a cada ano. Veremos até onde chegaremos desta vez. Tive apenas 16 dias de competição, mas a quilometragem de treino também conta. Houve muito treino. Estamos prontos. Cabelo branco? Sim, fico mais aerodinâmico. A cor branca absorve menos o sol, então fico mais fresco”, revelou o campeão do mundo em conferência de imprensa.
“O Tour é especial. Tens que estar pronto desde o início. Se não estiveres pronto, podes perder algum tempo nas primeiras etapas. Vamos ver. Sinto que estou pronto e espero poder mostrá-lo. Fazer duas Grandes Voltas nunca é fácil. O ciclismo não é fácil, mas fazer duas Grandes Voltas depende de como te sais na primeira. Se estiveres completamente acabado após a primeira, não é bom. Mas se estiveres fresco, ainda podes fazer a segunda. A ausência de Wout van Aert é um grande golpe para nós. Era uma peça fundamental, não só para sábado, mas para todo o Tour. Acho que ele já mostrou muitas vezes o grande profissional que é. Continuo a achar que o Tadej é, provavelmente, o melhor ciclista que já competiu. Ter conseguido deixá-lo para trás é algo realmente incrível e que me orgulho muito. Isso motiva-me a tentar repetir o feito”, assumiu o dinamarquês.
???? For the first time since 2019, a team time trial is on the Tour’s schedule! The first @MaillotjauneLCL will be contested on the slopes of Montjuic!
???? Pour la première fois depuis 2019, un chrono par équipe est au programme du Tour ! Le premier Maillot Jaune se jouera sur les… pic.twitter.com/zH6wfdEX25
— Tour de France™ (@LeTour) July 4, 2026Como não acontecia desde 2019, o contrarrelógio por equipas voltou ao Tour de France, já sido implementada pela ASO etapas. Ainda assim, a organizadora colocou-o na estreia e optou por mudar as regras tradicionais, tirando os tempos dos ciclistas de forma individual. Assim, o primeiro de três dias na Catalunha passou pelas ruas de Barcelona, com partida no Parc del Fórum e chegada, 19,6 quilómetros depois, junto ao Estádio Olímpico de Montjuïc. Pelo meio havia que passar pela Sagrada Família, Passeig de Santa Madrona e o Parque Joan Miró, locais emblemáticos da cidade catalã. Na teoria, a Visma partia como favorita, mas Pogacar, Red Bull e Lidl-Trek tinham uma palavra a dizer, havendo ainda que contar com Filippo Ganna e Kévin Vauquelin (Netcompany Ineos).
O primeiro líder foi, de forma natural, Alex Molenaar, depois de a Caja Rural-Seguros RGA ter aberto as hostilidades no seu regresso à Grande Boucle, mas Jordan Jegat (TotalEnergies) superou-o em dez segundos pouco depois. Contudo, havia lugar para a primeira luta francesa deste Tour, com a Groupama-FDJ United a fixar o melhor registo em 22.28 minutos, através de Romain Grégoire, que foi o primeiro a superar os 52 km/h. Pelo meio, Alex Aranburu (Cofidis) furou. Depois de todo o trabalho coletivo, a Pinarello-Q36.5 lançou Tom Pidcock a solo na subida final, mas o terceiro classificado da última Volta a Espanha não conseguiu ir além do segundo posto, a 15 segundos. Os primeiros candidatos à geral a ficarem para trás foram Cian Uijtdebroecks (Movistar) e Ben O’Connor (Jayco AlUla), que viu o companheiro Michael Matthews terminar a nove segundos da Groupama.
Visma vs UAE ⚔️
Primer gran duelo por el amarillo en este #TDF2026. #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/SIVeGSjXaL
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) July 4, 2026Já na parte final do contrarrelógio, Netcompany e Alpecin-Premier Tech protagonizaram uma bela luta pelo primeiro lugar, que começou por ser “roubado” por Mathieu van der Poel por apenas 2,59 segundos (média de 52,413 km/h). Logo a seguir, Vauquelin teve um furo e teve de ficar para trás, ganhando depois a companhia de Egan Bernal, por incapacidade física. Restaram Ganna e Tobias Foss, campeões nacionais de contrarrelógio, com o italiano a fazer a aproximação final e arrancar para a vitória, batendo o neerlandês por 31 segundos. Pippo Ganna foi o primeiro a baixar dos 22 minutos (21.55) e a ultrapassar os 53 km/h (53,65). No ponto intermédio 1, a Lidl ficou atrás da Netcompany por apenas 87 centésimos, passando para a liderança no ponto 2, por sete centésimos. Na meta, Paul Seixas foi o primeiro candidato a chegar, terminando a 30,99 de Ganna. Logo a seguir Mattias Skjelmose furou, teve de mudar de bicicleta e desfalcou o bloco da Lidl na parte final, mas segurou a liderança no último ponto, por 4 centésimos, já só com Derek Gee-West e Mathias Vacek ao lado de Ayuso.
No final, o checo lançou o espanhol no início da subida, mas não conseguiu bater o melhor registo, ficando a 7,94, na mesma altura em que a Visma passava para a liderança no segundo ponto intermédio, por 1,89. Na Red Bull, Lipowitz chegou aos últimos dois quilómetros com dificuldades em seguir Maxim van Gils e Evenepoel, descolando no início da subida. A solo, o campeão do mundo da especialidade não conseguiu ir além do terceiro posto, a 10,82. Na Visma, Davide Piganzoli também lançou Vingegaard já na subida, com o dinamarquês a assaltar o primeiro lugar por 7,33 segundos, com o notável registo de 21.47,87 minutos, a 53,95 km/h. Por fim, a Emirates ficou reduzida a Del Toro e Pogacar nos últimos três quilómetros, com o mexicano a descolar a 700 metros da meta. Em solitário, o esloveno protagonizou o primeiro duelo com o dinamarquês logo na abertura do Tour, mas perdeu por 11,28.
VISCA JONAS ????❤️
Vingegaard regala la victoria a Visma en la contrarreloj inaugural y es el primer maillot amarillo del Tour de Francia 2026 con 11 segundos de ventaja sobre Pogacar.#TDF2026. #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/nAmPwb4Omq
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) July 4, 2026Feitas as primeiras contas desta Volta a França, Jonas Vingegaard é o primeiro líder e volta a vestir a amarela quase três anos depois de ter vencido a edição de 2023. Filippo Ganna é segundo a oito segundos, com Tadej Pogacar a completar o pódio, a 11 segundos. Seguem-se Juan Ayuso, a 16, e Remco Evenepoel a 19. Isaac del Toro está a 26, Davide Piganzoli a 28, Florian Lipowitz a 35 e Tobias Foss a 38, com Paul Seixas a completar o top 10 a 39. Nélson Oliveira começa a Grande Boucle no 62.º posto, a 2.36 minutos.

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