O reality show das chamas em prime-time
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Nova edição de “O Vencedor” é na Rádio Observador, também ao domingo, nas manhãs 360 de fim de semana. Hoje temos conosco Anselmo Crespo, diretor de novos conteúdos da TVI e CNN Portugal, e ainda o José Manuel Mestre, jornalista da SIC. A condução deste “O Vencedor” é contigo, Miguel Viera.
Sejam muito bem-vindos. José Manuel Mestre, bom dia. Vou começar por ti. Queres abordar nesta edição de “O Vencedor” aquilo que designas pelas realidades paralelas nas governações. Tens dois protagonistas. Comecemos pelo primeiro: Donald Melo. Quem é Donald Melo?
Donald Melo. A técnica de Donald Trump pela voz de Nuno Melo. Quero falar da Base das Lajes e quero falar do estudo científico da Universidade de Coimbra, que detectou chumbo e metais pesados no Conselho da Praia da Vitória e o ministro da Defesa, que tem os americanos à perna a dizerem que podem não fazer a descontaminação que estavam a iniciar, cometeu uma Donaldice, chamemos-lhe assim, que foi dizer que o relatório é ótimo para consumo da comunicação social. Perdão? Donald Melo? Um relatório que é científico, que fez análises a esqueletos científicas, que foi patrocinado pelo Governo Regional dos Açores, o ministro em vez de olhar para os resultados a dizer que não dizem nada, é preciso estudar melhor, é preciso avaliar, este é um estudo apenas de uma universidade. Até pode dizer que a universidade não está certificada para o efeito, mas dizer que o relatório é ótimo para consumo da comunicação social é anedótico e, portanto, eu não podia deixar passar isto em branco, esta facilidade com que em Portugal se segue a teoria de Donald Trump, que é atirar as culpas para alguém como quem atira areia para os olhos, em vez de estudar mais, saber mais, avaliar, ser sério. É o mínimo que se pedia aqui.
Sinto que depois Nuno Melo acabou por dar a mão horas mais tarde, veio dizer que os Estados Unidos têm de assumir responsabilidades pela contaminação das bases das Lajes.
Sim, ela é reconhecida.
A assunção eventualmente é sua.
Veio dizer isto num segundo momento, mas isto é barato, não faz sentido e é isto que descredibiliza a política, os partidos e os governantes.
Ainda no hábito da realidade paralela na governação, trazes também esta edição, José Manuel Mestre, o Fernando que não quer ver. Quem é este Fernando?
Com ponto de interrogação. É o ministro da Educação que aparentemente não quer ver. Fazer reformas é essencial para o desenvolvimento de qualquer sociedade, de qualquer democracia, de qualquer instituição. Ser velho de restelo não é caminho. E percebo perfeitamente que Fernando Alexandre queira dar este passo. Aliás, eu faço aqui duas notas prévias: não tenho filhos a estudar, não sou professor e a segunda, não tenho ninguém próximo a avaliar exames e a terceira é que tenho um grande respeito acadêmico por Fernando Alexandre. E não é credível que um ministro, quando há testemunhos, e eu tenho amigos dos tempos de faculdade, tenho vários amigos que são professores e tenho lido o que eles têm escrito e o que eles me têm dito. É verdade que receberam exames que não continuam. É verdade que receberam exames que classificaram e desapareceram. É verdade que receberam exames já classificados. Isto são factos. Dizer que estes factos não existem, a maior parte de nós, tirando estes professores que os receberam, não sabe e portanto tenderá a acreditar ainda por cima num ministro que tem um currículo sério atrás dele. Mas é exatamente por ter esse currículo sério que não se pode dar a esta realidade alternativa de dizer uma coisa, eu confirmei com protagonistas, que não existe, que é o contrário. E depois fazer reformas só por fazer e evitar o fator de erro humano, criando o equilíbrio, colocando a avaliação a ser feita distribuída por vários professores, faz sentido. O que o ministro quer fazer faz sentido. Agora, parece que houve um teste com o exame de Filosofia que correu muito mal, onde tudo isto que aconteceu a 300 mil alunos já tinha acontecido a 20 e poucos mil. E só porque se quer reformar, avançar no escuro para o que acontece agora é muito complicado. E eu quero dizer que destes 300 mil estudantes, 50 mil deverão entrar para a universidade. E o ministro diz que ninguém será prejudicado, porque vai dar um bônus àqueles a que desapareceu a continuação do exame? E se der um bônus aos que foram prejudicados, não vai prejudicar os outros, os em que tudo correu normalmente? Estamos aqui, por mais que se diga que a falha é irrelevante, a entrega dos exames já foi adiada, a segunda fase já foi adiada e não se sabe com que justiça irão candidatar-se estudantes ao ensino superior. Está em causa o futuro de muitos estudantes, de muitos jovens deste país que não podem ficar nas mãos de uma reforma só porque sim. Só porque sim, não enquanto conteúdo de reforma, mas porque era para ser este ano, quando aparentemente, antes e depois, se viu que não se estava preparado. Depois, por exemplo, há aqui uma outra coisa muito estranha, porque é que o ministro não divulga, porque é que o ministério não divulga quem são as entidades responsáveis por este processo de digitalização? O que é que há a esconder? A empresa que ganhou um concurso público aparentemente para fazer isto, não tem nada a ver com esta plataforma. E depois, estamos aqui perante uma situação que tirando o que implica para os pais, para os professores corretores e demos tudo isso, férias, etc., como questões menores, o que está aqui como questão maior é o futuro de jovens. Imaginemos a nós, aos nossos filhos, aos nossos sobrinhos, aos nossos primos. No meu caso, sou insuspeito, não tenho ninguém envolvido, mas que de repente há um estudante que fez tudo para fazer um curso e porque lhe desapareceu uma parte do exame, não vai fazer esse curso. Como é que vai ser criado isto?
Sim, perguntas para-
É uma pergunta. O ministro diz que foi ponderada que os exames fossem vistos manualmente. Mas e agora nos recursos, como é que são vistos manualmente? O que é que vai acontecer a seguir? Isto é, avançar para esta reforma, que parece essencial, sem tudo amadurecido, é uma grande irresponsabilidade. E depois dizer que-
Para passarmos a palavra ao Anselmo
…há factos alternativos, sim, há factos alternativos, ainda é mais grave.
Anselmo, queres também deixar uma nota sobre este tema?
Bom dia a todos, antes de mais. Queria só dar uma nota para acrescentar ao que o José Manuel Mestre acabou de explicar e para deixar só uma pequena reflexão. Nós somos o país que ainda esta semana estava a anunciar o Amália e que anda, não quero mentir, mas pelo menos há 20 anos, a falar da digitalização e do salto que o próprio Estado quer dar. Já tivemos vacas voadoras, já tivemos Simplex, já tivemos tudo o que a nossa memória se consiga lembrar desse ponto de vista. E a verdade é que é impossível neste processo que se está a passar agora com o Ministério da Educação, como em muitos outros processos que envolvem o Estado, não ter a sensação de uma falência de cada vez que o Estado anuncia que vai dar um passo em frente, temos sempre a sensação que estamos a dar dois para trás. Um processo que devia ser digital, que devia simplificar a vida, não apenas aos professores, mas também já agora aos alunos, na verdade, está a resumir-se a um processo em que os professores vão ter provavelmente que levantar os exames em papel, ler, voltar àquilo que sempre foi. E eu acho que isso é muito paradigmático. Por um lado, do atraso português, deste ponto de vista da dita reforma do Estado naquilo que diz respeito a essa inovação e digitalização, mas é também muito paradigmático do amadorismo com que tipicamente o Estado faz as coisas, sem testar devidamente, sem ter a certeza do passo que está a dar. Tanto quanto eu li, o ano passado houve uma experiência com os exames de Filosofia, este ano alargou-se a todos e está a dar o que deu. Eu tenho uma ótima impressão deste ministro da Educação na tutela da pasta da Educação. Tenho consciência que a máquina do Ministério da Educação é pesadíssima, dificílima, mas isso não invalida aquilo que o José Manuel Mestre disse, que é muitas vezes os políticos, por melhor que sejam, tendem a tentar dourar a pílula para isto parecer sempre uma coisa que não é na realidade, quando eu acho que era muito mais honesto muitas vezes assumir e dar a cara e dizer: “Houve um problema, errámos, falhámos, temos que identificar onde é que errámos, onde é que falhámos. Vamos tentar minimizar o máximo possível este erro”, mas não tentar dourar a pílula para tentar sair bem politicamente numa fotografia de onde já não é possível sair bem.
Vamos então às notas. José Manuel Mestre, que nota para este Fernando que não quer ver?
Eu não consigo dar-lhe a nota, porque apareceu-me já aqui ele próprio a dar uma excelente nota.
Desapareceu-te o exame.
Entretanto, desapareceu a nota que eu tinha dado.
Desapareceu-te o exame.
E agora há um problema que eu não consigo ver o exame todo dele, porque passou pra página seguinte, mas eu não tenho a página seguinte.
Então vamos adiar a divulgação da tua nota de Fernando que não quer ver.
Vamos ter que adiar a divulgação da nota pra ver no que é que isto dá.
E para Donaldo Melo?
Donaldo Melo não merece nota. Uma pessoa que faz uma coisa destas, nem nota merece.
Portanto, um sem nota, o outro com uma nota adiada à espera da grelha de avaliação. Vamos também falar dos centros de elevado desempenho na área de obstetrícia e ao tema escolhido pelo Anselmo Crespo. Estes centros vêm criar um sistema de incentivos financeiros que ficam dependentes do cumprimento de objetivos assistenciais e de qualidade. Ora, já foi há algum tempo anunciados estes centros de elevado desempenho. Falta a luz verde do Ministério das Finanças à iniciativa do Ministério da Saúde, Anselmo.
E é exatamente aí que eu quero pegar. Quando vi esta notícia no Observador na sexta-feira, comecei a juntar dois mais dois e eu acho que começam a surgir um conjunto de sinais de que o ministro das Finanças está a começar a tirar o pé do acelerador ou, se preferires, está a começar a meter o pé no travão. Nós nas últimas duas semanas, assim de repente, tivemos Miranda Sarmento a dizer que gostava de continuar a baixar o IRS, mas não sabe se vai ser possível. Ainda vai ter que fazer as contas até o final do ano pra perceber se esta descida prometida anual do IRS vai ser possível. Depois, escondidinho lá no relatório do FMI, vinha a notícia de que este ano não vai haver o alívio fiscal de setembro e outubro, que existiu nos outros anos e que tão elogiado foi, acho que praticamente por todos os quadrantes. Tenho a sensação de que a esmagadora maioria do país elogiou, porque o Estado, na verdade, não estava a dar nada, estava só a entregar aos contribuintes dinheiro que já era dos contribuintes. Em vez de o receberem no ano seguinte, recebiam ali em setembro e outubro, depois das férias. É óbvio que há esta incrível coincidência de os dois anos em que esse alívio existiu, era coincidentemente dois anos em que havia eleições. Havia quase sempre eleições antes e depois. Ou era autárquicas ou era presidenciais, enfim, estávamos sempre na iminência de ter eleições. Agora não há nenhum ato eleitoral no calendário, curiosamente também não vai haver o alívio fiscal. E vamos ver se vai haver o complemento solidário, não é o solidário, o complemento das pensões. E agora temos esta notícia de que estes incentivos para os médicos obstetras não estão a chegar porque estão travados no Ministério das Finanças. Isto começa a soar muito a Mário Centeno e às célebres cativações. Nós tivemos, mais uma vez, por comparação, a realidade de 2024 e 2025 foi #OdinheiroNãoÉProblema, quer dizer, havia dinheiro para tudo. Aumentou-se polícias, médicos, toda a gente que levantava o braço, toma lá um aumento. E mesmo para a saúde, o governo nunca, quando prometeu que ia resolver todos os problemas da saúde no espaço de pouco tempo, o governo nunca argumentou com dinheiro, porque tinha os cofres das finanças forrados. E parece-me que é óbvio que 2026 já se sabia ia ser um ano particularmente difícil por causa do PRR e dos empréstimos do PRR. A tempestade Christine teve um impacto grande nas contas públicas, nós sabemos isso. A estimativa do governo é de 2000 milhões de euros entre dinheiro que gastou e dinheiro que não recebeu. Só esses 2000 milhões de euros é o superávit do ano passado. Mas eu começo a achar que há, de facto, aqui sinais de que o ministro das Finanças está preocupado. A despesa está, não diria descontrolada, mas a crescer a um ritmo muito acelerado. Mário Centeno, aliás, tem vindo a alertar para isso mesmo. E eu acho que Miranda Sarmento não sabe bem como é que vai acabar este ano. Também não sabe bem que atos eleitorais é que podem aparecer no próximo ano e, portanto, ele está a fazer aqui uma gestão de caixa e esta notícia dos obstetras parece-me claramente que vai nesse sentido. Vamos ver se nas próximas semanas não começam a surgir outras notícias de dinheiro que está travado ou que está na gaveta do Ministério das Finanças. Eu não quero parecer o prenúncio do diabo, mas parece-me claramente que está a ser feita uma gestão orçamental, tendo em conta duas realidades. Por um lado, tentar chegar ao final do ano ainda com um superávit e não com déficit. Se o déficit fosse de 0,1, rapidamente ele se transformaria num superávit de 0,1. Portanto, não seria por aí. E eu acho que o governo não quer perder esse estatuto de bom aluno nas contas públicas e sobretudo, não o quer perder para o Partido Socialista, que foi quem entregou o primeiro superávit da história da democracia. E em segundo lugar, eu acho que o governo também está a fazer uma gestão tendo em conta que não tem a certeza se 2027 vai ou não vai ser um ano de eleições. E, portanto, eu acho que estes pequenos sinais, provavelmente, não gosto muito de me pôr a adivinhar, mas vão continuar a avolumar-se nos próximos meses, por estas duas razões.
E a tua nota vai para?
A minha nota vai a confirmar-se que esta gestão que está a ser feita no Terreiro do Paço pelo ministro das Finanças, está a ser feita com estes dois objetivos. A minha nota vai mesmo para Miranda Sarmento, que durante tantos anos criticou Mário Centeno pelas cativações e pela chico-espertice das cativações. E eu suspeito que é uma coisa muito parecida que Miranda Sarmento está a fazer. Portanto, se for isto, eu dou-lhe um oito, com o benefício da dúvida de que possa estar enganado.
Vercemos o que ditam os próximos meses e particularmente o desfecho das contas públicas no final do ano. Ainda temos aqui mais dois temas e sensivelmente sete minutos, três minutos e meio para cada um. José Manuel Mestre, trazes a esta edição de Eu Venço o Sorê o grande espetáculo e a capacidade de antecipação. Estás, presumo, a falar da seleção nacional portuguesa e o desempenho que está a ter no Campeonato do Mundo de Futebol?
Deixa-me só manter essa expectativa sobre esse grande espetáculo para pegar um tema que eu tinha só para abordar por alto, que joga com este do Anselmo Crespo. E acho que tudo isto anda tudo ligado, e que é o que é que vai dar o orçamento do Estado para 2027. E acho que tanto o governo não sabe como é que isto vai acabar, como o Partido Socialista, e o Partido Socialista que tem as sondagens, aparentemente, a serem favoráveis, tem aqui uma bota muito difícil para descalçar, que é concordar com uma estratégia orçamental, nem que seja obviamente pela abstenção, para fazer uma abstenção violenta, por exemplo, como noutros tempos fez António José Seguro, ou não haver orçamento sabendo que o Presidente da República disse que não é por não haver orçamento que haverá eleições. E depois, há a negociação da revisão constitucional pelo meio. Está aqui em cima da mesa um grande berbicacho, eu se tivesse dar uma nota, dava um 18, mas é pelo suspense. E tudo isto que o Anselmo Crespo acabou de dizer cruza com isso. E agora, o grande espetáculo. Não está a ser um grande espetáculo a seleção nacional e também a capacidade de antecipação, de visão de jogo do selecionador, também não. Portanto, não, esquece lá.
Não é Portugal.
Não é para o mundial que eu vou.
Então, a que grande espetáculo fazes menção?
É só ligar as previsões de informação. E é barato, não custa os milhões que custa os direitos televisivos do mundial, que é o espetáculo dos incêndios. E eu há pouco critiquei o ministro da Defesa por ter atirado as culpas para cima da comunicação social, tenho que dizer aqui que uma parte significativa da comunicação social está a fazer, uma vez mais, o espetáculo dos incêndios, esquecendo, inclusivamente, o que diz o código deontológico, que é de algum modo que não se pode explorar o espetáculo, não se pode explorar a dor alheia Não se pode fazer sensacionalismo e também que se tem o direito ao acesso à informação. E há aqui uma diferença entre mostrar o que está a acontecer quando não há meios, quando há irresponsabilidades, quando as coisas falham, e isso é uma obrigação do jornalismo e tem lá estar, e outra que é estar a mostrar imagens em cima do fogo, correndo até riscos que são contraditórios com, neste caso, com o objetivo, porque não será seguramente provar que alguma coisa está a correr mal. E por isso eu queria criticar aqui esta atitude do jornalista que não questiona, só porque é instigado a estar minutos e minutos em direto, o que está a fazer, onde está a fazer e qual é o seu papel naquele cenário. Quando eu conheci o Anselmo Crespo, em 2002, as televisões chegaram a um acordo que era dar a informação depois de 2001, que tinha sido um ano terrível, e onde se concluiu que havia um fenómeno de mimetização no sentido de ir deitar fogo e vir para casa ver. E isso era um incentivo para os incendiários e, portanto, tentar cumprir toda a missão do jornalismo, mas evitar expor pessoas em situação dramática, evitar expor o drama do fogo só pelo drama, mas mostrar as coisas tais como elas eram, não exacerbando esse papel. E já agora, de caminho, quero aqui sublinhar a questão do governo, que o ano passado não requisitou meios aéreos e este ano os requisitou para fazer um elogio, um reconhecimento do erro do ano passado. Alega o governo que são questões técnicas. O que é certo é que o governo fez o que tinha que fazer, que é antecipar, prever, tentar evitar que a situação atinja proporções como as do ano passado. É assim que se faz. Não sei se a responsabilidade é do primeiro-ministro reconhecendo o erro do passado, se é do ministro da Administração Interna, tendo muito mais ação que as suas antecessoras. O que é certo é que quando se chamam meios estrangeiros para ajudar, está-se a tentar salvar a tempo, antes do drama acontecer.
José Manuel Mestre, a tua nota, sob pena do Anselmo.
Uma nota 16 para quem tomou esta decisão de dar um passo em frente e quanto à comunicação social, a nota é: vão ver se alguém está a fazer a diferença, eu acho que até há quem esteja, e se encontrarem alguém que tenha um comportamento suficientemente distanciado e jornalístico, então deem vocês a nota 20 que merece.
Anselmo, traz ainda, para finalizarmos este “E o Vencedor É?”, um dos temas, uma polémica da semana, a acusação feita pelo secretário-geral do PS ao governo de que anda a adiar a entrega de casas prontas a habitar para o momento que, sob o ponto de vista eleitoral, possa ser mais favorável aos partidos que integram a AD.
Se me permitires, gasto 30 segundos com cada coisa. Só uma nota sobre isto da cobertura jornalística que o mestre falou. Para dizer uma coisa, se o jornalismo, sobretudo o televisivo, tender, como parece estar a tender, para se tornar um reality show, deixa de ser relevante e no dia em que deixar de ser relevante, as pessoas deixam de o consumir. Eu vi para além dos incêndios, eu vi agora no início da onda de calor, horas e horas de imagens de ruas, de estradas vazias, sem nenhuma intervenção. Era puro voyeurismo. E, portanto, não percebo. Acho que se é para apontar câmaras para um sítio qualquer e as pessoas em casa ficarem a admirar uma tragédia, acho que o jornalista deixa de ter um papel relevante.
Estas opções editoriais não são ditadas pelas audiências.
São só ditadas pelas audiências. Não há outra.
Mas é isto que nós custamos. É de olhar para uma televisão e ver chamas e não casa.
Não vale a pena. Eu já vi um canal de televisão, numa morte de uma mãe que entrou pelo mar adentro com a filha para morrerem as duas, vi uma televisão ficar horas com uma câmera apontada para o mar, horas, dia e noite, em que o jornalista era completamente um apêndice que lá estava. O que interessava era estar a olhar para o mar onde não estava a acontecer nada. E eu acho que o fenómeno dos incêndios é a mesma coisa, as ondas de calor é a mesma coisa. Portanto, qualquer tragédia é isto. Aponta uma câmera e espera que as pessoas fiquem ali a assistir. Uma nota muito rápida só para José Luís Carneiro. Eu falei disto na sexta-feira, mas entretanto o PS insiste. Eu não sei até onde é que José Luís Carneiro quer levar esta humilhação, porque ele já foi desmentido. Já nem vou ao PSD e ao governo, que isso seria normal. Já foi desmentido por autarcas, agora foi desmentido pelo IHRU. As casas que o José Luís Carneiro e o PS e Eurico Brilhante Dias andam a falar tiveram um pedido para passar para o primeiro direito há três meses. E portanto, eu queria só recordar, a acusação inicial de José Luís Carneiro foi de eleitoralismo. Ninguém percebeu muito bem por quê, porque não há eleições marcadas. Eu acho que vai haver para o ano, mas não há marcadas. E o PS está num buraco e continua a escavar e eu não entendo até onde é que o José Luís Carneiro quer escavar este buraco.
O secretário-geral do PS já disse que ia apresentar…
Mais casas.
Mais casas. A ver vamos o que acontece nos próximos dias. A tua nota, Anselmo Crespo.
Eu vou dar a José Luís Carneiro, vou lhe dar um sete, e se ele continuar a insistir nisto, vou descendo a nota todas as semanas.
Anselmo Crespo, José Manuel Mestre fizeram esta edição de domingo de “E o Vencedor É?” Obrigado aos dois.







