Guardião da internet: conheça o robô que protege cabos submarinos
Recentemente, pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia desenvolveram um sistema de veículo subaquático autônomo capaz de atuar como uma espécie de “vigilante” sobre as estruturas instaladas no fundo do mar. A tecnologia foi testada em ambiente real e funciona sem necessidade de equipe embarcada.Continua após a publicidadeO equipamento realiza inspeções programadas em instalações submarinas, retorna sozinho a uma base no leito oceânico, realiza recarga por indução e transfere os dados coletados. O objetivo é aumentar a vigilância sobre ativos críticos como cabos e dutos instalados em áreas profundas e remotas.Os testes ocorreram ao longo de quatro semanas de operação acumulada, em duas missões, e alcançaram taxa de acoplamento automático de 90%. O projeto ainda busca atingir confiabilidade total antes de uma aplicação sem qualquer supervisão direta. A pré-publicação da pesquisa pode ser lida clicando aqui.Sistema autônomo transforma vigilância submarina
Equipe desenvolvedora do projeto junto ao robô subaquático Blueye X3 – (Crédito: Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia)O desenvolvimento conduzido na Noruega parte da necessidade de monitorar uma infraestrutura crescente instalada no fundo do mar, que inclui cabos de comunicação intercontinentais, oleodutos, gasodutos e outras estruturas essenciais ao funcionamento de sistemas energéticos e digitais globais.Essas instalações estão expostas a ambientes de difícil acesso e fiscalização constante, o que exige atualmente o uso de embarcações de apoio, mergulhadores ou veículos operados remotamente a partir da superfície. Esse modelo, segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, envolve custos elevados e limita a frequência das inspeções.A nova proposta substitui parte dessa operação humana por um veículo subaquático que permanece baseado no próprio fundo do oceano. Ele sai para realizar inspeções programadas e retorna a uma estação fixa instalada no leito marinho, onde recarrega energia e transfere informações coletadas durante as missões.Funcionamento do sistema e navegação em ambiente sem GPS
Ilustração sobre o funcionamento do robô Blueye X3 – (Crédito: Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia)Como não há sinal de satélite em ambientes submersos, o robô utiliza uma combinação de métodos de navegação. Entre eles estão sinais acústicos para posicionamento em média distância e análise visual para identificar referências próximas à estação de acoplamento.
Na fase final de aproximação, o sistema depende de reconhecimento óptico para alinhar corretamente o encaixe com a base. Após o contato, ocorre a transferência de dados por comunicação de alta frequência e o recarregamento por indução, eliminando conectores expostos à água.A base de operação é conectada a estruturas em terra, responsáveis por fornecer energia e comunicação externa, o que permite ao sistema permanecer ativo por longos períodos sem intervenção humana direta.Desempenho nos testes e desafios técnicosDurante os experimentos, o veículo completou suas tarefas de inspeção e conseguiu retornar à estação de forma autônoma na maior parte das tentativas. O índice de sucesso no acoplamento atingiu 90%, resultado considerado promissor, embora ainda insuficiente para operações totalmente independentes.Os responsáveis pelo projeto destacam que uma falha nesse processo pode comprometer toda a operação, já que o veículo depende do retorno à base para recarregar e transmitir dados. Sem isso, poderia permanecer inoperante no fundo do mar até eventual recuperação.Continua após a publicidadeOutro desafio observado está relacionado à interpretação de imagens em ambiente marinho, já que a presença de peixes e outros elementos pode interferir nos sistemas de reconhecimento visual durante a navegação.Aplicações e próximos passosO projeto integra iniciativas de pesquisa em tecnologia marinha financiadas por instituições norueguesas e parceiros do setor energético. A proposta é evoluir o sistema até que ele possa operar por longos períodos com mínima ou nenhuma supervisão direta.Os pesquisadores defendem que esse modelo pode representar uma alternativa mais constante e econômica para a vigilância de estruturas submarinas, reduzindo a necessidade de embarcações e equipes em campo.
Wagner Edwards
Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.
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