Ucrânia com atenção máxima à Cimeira da NATO
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Guerra Traduzida na Rádio Observador. Nos próximos minutos falamos das notícias em destaque na imprensa ucraniana. Hoje com o jornalista José Rafael Lopes. Eu sou a Beatriz Noronha. Vamos começar por um ataque massivo à capital ucraniana.
É de longe o tema principal do dia na Ucrânia. Os jornais e as televisões do país abrem com esse ataque de mísseis e drones lançado pela Rússia durante a madrugada contra Kiev e as várias regiões envolventes. A imprensa ucraniana destaca a destruição de edifícios residenciais e o trabalho dos bombeiros na tentativa de remover os escombros, bem como o aumento contínuo do número de mortos e feridos depois desse ataque levado a cabo pela Rússia com a utilização de mísseis e centenas de drones. Grande parte da cobertura é dedicada aos testemunhos de sobreviventes e às operações de busca e salvamento, enquanto as autoridades alertam que ainda podem existir pessoas debaixo dos escombros. A mensagem dominante é que a Rússia voltou a visar zonas civis num dos maiores ataques das últimas semanas.
E na sequência desse ataque, Zelensky pede mais ajuda militar.
Sobretudo mais sistemas de defesa Patriot. O presidente ucraniano quer que cheguem ainda antes da Cimeira da NATO, que está marcada para breve. Zelensky diz que a falta de mísseis intercetores Patriot está a permitir à Rússia atingir bairros residenciais com maior facilidade. Segundo a imprensa ucraniana, o presidente ucraniano apelou aos aliados para tomarem decisões fortes na Cimeira da NATO e defende Zelensky que existem sistemas disponíveis nos países aliados que poderiam estar a ser utilizados para salvar vidas na Ucrânia. A imprensa do país diz também que Kiev quer transformar a reunião da NATO num momento decisivo para reforçar a defesa aérea do país, enquanto continua a resistir a esses ataques russos.
Em sentido inverso aos ataques russos, a Ucrânia reivindica novos ataques contra infraestruturas energéticas.
É um tema que entra em destaque na imprensa ucraniana. Não tem tanto espaço mediático, é certo, mas há várias notícias que dão conta e que dão espaço às operações militares levadas a cabo pela Ucrânia no território russo. Os meios de comunicação do país destacam ataques com drones contra refinarias e infraestruturas energéticas, em especial um ataque contra a refinaria de Omsk, que é considerada uma das maiores da Rússia. A imprensa ucraniana dá ainda conta de ações contra navios e sistema de defesa aérea russos. A cobertura apresenta essas operações como uma demonstração de que a Ucrânia continua capaz de atingir alvos estratégicos muito além da linha da frente, reduzindo a capacidade logística do adversário. Este aumento dos ataques em profundidade por parte da Ucrânia tem sido um tema recorrente na imprensa ucraniana e também um dos estilos de combate mais utilizados nos últimos meses por parte das forças ucranianas.
Isto numa altura em que a guerra dos drones entra numa nova fase.
Há uma crescente aposta ucraniana na exportação de conhecimento e tecnologia relacionada com esta arma, com os drones, que chega agora às manchetes da imprensa ucraniana. Sobretudo do Kyiv Independent, que diz que a Ucrânia pretende assinar acordos com vários países da NATO até ao final do ano. Estes entendimentos vão além da compra de equipamento. O objetivo é também partilhar experiência operacional adquirida pela Ucrânia durante a guerra. A imprensa do país apresenta a Ucrânia como um dos líderes mundiais na utilização de drones em combate e como um futuro parceiro tecnológico da Europa na área da defesa aérea.
E a imprensa dá ainda conta da preparação ucraniana para a Cimeira da NATO.
A Ucrânia não faz parte da Aliança Atlântica, mas está muito atenta ao que pode sair desse encontro. A Cimeira da NATO está também nas manchetes ucranianas. Os jornais acompanham a chegada dos líderes aliados à Cimeira da NATO, onde a Ucrânia espera obter novos compromissos militares e também financeiros. Kiev pretende convencer os parceiros ocidentais e membros da NATO a acelerar as entregas de armamento, sobretudo os mísseis Patriot, como já demos conta nesta Guerra Traduzida. A Ucrânia quer também reforçar a defesa aérea e aumentar o investimento conjunto na indústria de defesa ucraniana. A expectativa de Kiev é que este encontro, esta Cimeira da NATO, produza anúncios relevantes que possam ajudar o esforço de guerra ucraniano e, quem sabe, levar a novos entendimentos para um caminho para a paz na Ucrânia.
Fica por aqui a edição de hoje da Guerra Traduzida. Está de regresso amanhã.









